segunda-feira, 15 de outubro de 2018

QUEM VOCÊ JÁ CONDENOU HOJE?



Despedindo a mulher que esteve a ponto de ser apedrejada, Jesus sentenciou: “Nem Eu te condeno: vai e não peques mais” (João 8:11)

Com estas palavras Jesus despediu uma mulher trazida até a Sua presença por fariseus e mestres da lei no pátio do Templo. Este encontro, registrado no capítulo 8 de João, é fonte de muitas lições sobre uma espiritualidade fundamentada no Princípio do Amor, manifesto através de atos de compreensão e misericórdia.


Quando a mulher chegou até a presença de Jesus, já estava sentenciada e praticamente executada. Os homens que a levaram queriam também usá-la para incriminar Jesus por Suas próprias palavras. E como Ele agiu?

Primeiro, ignora a chegada dos religiosos, sempre tão prestigiados pela população em geral. Foi necessário que insistissem muito para que Jesus lhes dirigisse a palavra. Eles correspondem exatamente aos representantes eclesiásticos que têm o poder de arrastar e julgar os pecadores - Jesus parecia estar mais interessado num desenho na areia. Não deu a eles a importância que imaginavam possuir e os tratou como mereciam ser tratados.

Quando Jesus resolve quebrar o silêncio, dirige-se aos religiosos e diz: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela" (vs. 7b) - e volta a escrever no chão. Estas palavras invertem as posições. De algozes, os religiosos passam à condição réus de suas próprias consciências, e começando pelos mais velhos até os mais novos, todos abandonam suas pedras para emudecidos, deixarem o local. O amor é o poder do alto que nos faz soltar as pedras, que nos faz voltar para dentro de nós mesmos tomados pela consciência de que também precisamos de perdão e restauração.

Num segundo momento lindíssimo desse texto, Jesus pergunta à mulher onde estavam os seus acusadores e se alguém a havia condenado.

Vemos nestas questões um ato terapêutico profundo. Jesus se dirige a uma mulher que se sabia pecadora e pergunta-lhe onde estavam os santos e puros que a condenavam e a julgavam. Onde estavam os perfeitos que, diferentemente dela, não cometiam pecados? A mulher responde que eles haviam-se ido embora sem condená-la.

A resposta da pecadora era necessária no processo da cura. Era necessário que ela dissesse com os seus próprios lábios: "Não, ninguém me condenou", para ouvir, em seguida, de Jesus: "Nem Eu tampouco te condeno. Vai e não peques mais".

É isso que o amor faz: dá novas oportunidades, estende a mão para curar a alma, a ferida, revela a semelhança de todos os homens em sua miserabilidade e carência da bendita e surpreendente misericórdia do Pai.

Poucas coisas destoem mais nossos relacionamentos do que o espírito de julgamento. Ninguém consegue saúde emocional, com esse tipo de atitude. A postura de julgamento sempre nos faz acreditar e nos considerar superiores aos outros e tendo o suposto direito de acusar e punir nossos semelhantes.

A Palavra de Deus nos ensina que servimos a um Deus Santo e zeloso e que devemos ser igualmente santos. Mas o ataque da santidade é voltado ao pecado e não ao pecador. O remédio cura a doença sem que precise matar o doente. Precisamos aprender o que significa a tolerância em amor. Tolerância nada tem a ver com o tamanho ou natureza da ofensa. A tolerância é consequência da nossa comunhão com Cristo. Da nossa comunhão com aquele que, mesmo ofendido, insiste em entender, perdoar e resolver. Jesus agiu assim com aquela mulher pecadora. Ele age assim comigo e com você também e nos desafia a fazermos o mesmo quando somos tentados a encher as mãos de pedras contra alguém.

Nos seus relacionamentos de hoje, faça como Jesus, jogue no chão todas as pedras e procure dizer: “Eu também não te condeno”...

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