quinta-feira, 1 de junho de 2017

QUAL DEVE SER A POSTURA DA IGREJA NA ATUAL CRISE POLITICA?

Meus irmãos, nosso país atravessa um quadro de crise generalizada. Nossas instituições, o comando da nação e a própria igreja no campo terreno, estão passando por uma fase de terrível abalo na sua estrutura moral, que nada mais é do que o reflexo de um quadro espiritual derrotado e pouco promissor.

Na condição de cidadão evidentemente eu tenho observado atentamente as cenas deploráveis que lotam os noticiários e que minam as esperanças de grande parte do nosso povo. Aparentemente estamos sem alternativas e a credibilidade das autoridades se dilui nos esgotos das falcatruas. Em meio a essa avalanche de denúncias e ilícitos comprovados, crescem as estatísticas de empobrecimento social, de pais de família sem emprego e infelizmente até mesmo de escândalos que acabam por manchar o bom nome da Igreja de Cristo em nossa nação. Talvez ao invés da imensa preocupação sobre manter ou não quem está no poder, devamos repensar nossa postura com respeito às questões políticas e até que ponto a igreja deva se envolver neste jogo que pelas próprias tradições brasileiras não costuma ser conciliável com os padrões de moralidade ética que as escrituras estabelecem.
Particularmente, meu desejo pessoal e por isso eu vinha orando, sempre foi de que nossas autoridades acertassem em suas decisões e que o quadro politico e social se estabilizasse, trazendo paz á coletividade, esperança à nossa gente e perspectivas de retomada dos avanços que proporcionariam melhores dias ao nosso povo. Difícil prever que uma troca no poder ou mesmo uma convocação de eleições gerais neste momento represente a saída do fundo do poço.
Mais do que nunca este país precisa ser passado a limpo e por isso entendo que devemos orar e apoiar os agentes investigativos que estão desbaratando as tenebrosas máfias que sugam nossas riquezas e trazendo algum alívio ao conceito de justiça nesta nação. E a grande lição que fica de tudo isso é que o Brasil precisa dos joelhos dobrados da Igreja, pois só Jesus Cristo salva este país.
Eu posso ser interpretado como parcial em minhas considerações, mas entendo que no momento em que estamos vendo a política brasileira sofrendo com desajustes, a economia ruindo, desemprego aumentando, polarização de opiniões, nomeações duvidosas, embate entre o executivo, legislativo e o judiciário, escutas telefônicas vazadas, operações policiais e descobertas escabrosas de escândalos de corrupção nos mais elevados escalões do poder, noticiários tratando o tempo todo com previsões de mais caos ou até a possibilidade da queda do atual presente logo após a conclusão do processo de impedimento da presidente que o antecedeu. Diante disso, é preciso uma leitura com o olhar reflexivo da Igreja sob a perspectiva da Bíblia.
As pessoas não sabem onde se segurar. A imprensa que noticia é também acusada de fabricar informações, de ser tendenciosa. Outros afirmam categoricamente que estamos diante de um golpe. Mas, por outro lado, o que hoje é golpe para a situação já foi solução quando eles eram a oposição.
A complexidade do momento é muito delicada de ser tratada. Há muita emoção e paixão rondando os temas políticos e sociais do Brasil. Essa realidade não era novidade nos tempos bíblicos. Ocorreram no passado crises como as que estamos vivendo hoje nos reinos de Israel e Judá, que na verdade eram um só povo, mas que se dividiram a tal ponto de cada um ter o seu rei, devido à crise enfrentada.
Mesmo com dois governantes, os problemas não foram resolvidos e cada tentativa de unificar a nação parecia complicar ainda mais a situação. O caos acompanhou o povo por causa da insistência em abandonar a vontade de Deus e seguir por suas próprias convicções. Por isso, a primeira e mais lógica conclusão que eu  chego é que somente o nosso poderoso e soberano Deus é capaz de livrar o Brasil do mais completo soterramento moral e da perda de todo controle. Por isso, refletir sobre a postura da Igreja é fundamental e nenhum líder cristão neste momento de crise deve se omitir a este respeito.
E nós, cristãos?
Que Deus e Seus princípios estão fora do modo de operação da política no geral, ninguém duvida. Agora, o que podemos nós cristãos fazer?
Quando Jesus tratou sobre ser o sal da terra e a luz do mundo, entendo que Ele se referiu a toda e qualquer situação. Os cristãos devem fazer a diferença onde estão e é nesse momento que entendo que a Igreja precisa fazer a diferença na sociedade.
Não estou dizendo que a Igreja deve tomar partido e se envolver politicamente nas discussões, mas há algumas ações importantes que envolvem cada pessoa para fazer a diferença e ser o que Cristo espera que sejamos. Dentro de cada esfera de ação, a igreja deve aproveitar a instabilidade para oferecer a estabilidade, o caminho da não perspectiva futura para a esperança é a nossa bandeira.
Há solução segura quando princípios revelados na Bíblia são colocados em prática e isso requer que primeiramente sejam reafirmamos os princípios de liberdade religiosa e de expressão. Os cristãos devem chamar as pessoas para promoverem ativamente esses princípios de liberdade e serem livre para defender que a política é também um campo que deve ter espaço para Deus.
Com isso, quero reafirmar a separação entre Estado e Religião, devendo o Estado permanecer neutro e não hostil quanto às religiões, reconhecendo que estas contribuem positivamente na sociedade, garantindo nos termos da Lei a liberdade religiosa de todos e a proteção do fato religioso dando espaço para a Igreja manifestar o seu ponto de vista.
Como cidadãos, os cristãos não podem se afastar das questões que envolvem a vida das pessoas, mas por outro lado também não devem comprometer a religião ou as bases da fé com causas políticas. É uma relação limitada, mas existente.
Os cristãos devem instar os governantes para que fiquem atentos e proporcionem um ambiente positivo para a vida das pessoas. Devem também encorajar os que supervisionam os processos constitucional e legislativo para oferecerem proteção às pessoas e que não se beneficie um grupo em particular em detrimento de outros.
Em cada região ou situação, existem formas concretas de se envolver na defesa de uma sociedade mais justa e assim garantir que tal defesa seja sensível tanto ao contexto quanto à situação. Visitar as autoridades políticas e colocar a Igreja como parceira de projetos sociais que influenciarão a vida das pessoas, que estejam dentro dos princípios da Igreja, também é uma causa legítima.
Uma sociedade mais justa se faz com a participação de todos e a Igreja Adventista do Sétimo Dia entende o seu papel nessa construção provendo educação e orientações sobre vida saudável e família que são fundamentais para um país equilibrado e próspero. Esses conceitos precisam ser apresentados às pessoas e aqui está mais uma importante tarefa que depende de cada um.
Cada cristão deve orar também pelos seus governantes. Em Romanos 13:1, a Bíblia diz que nenhuma autoridade se fez sem que Deus permitisse. As crises são sempre oportunidades de reavaliar os rumos que estão sendo dados. Por isso, como cristãos, devemos lutar por uma sociedade melhor, mas sem o uso da violência. Sempre!
A presença dos cristãos na construção da sociedade deve ser sempre diferente pela perspectiva adotada. Por exemplo, na época de Jesus, também havia problemas. A solução está em uma natureza transformada. Não pelas decisões dos tribunais e conselhos, nem pelas assembleias legislativas, nem pelo patrocínio dos grandes do mundo, antes o reino de Cristo s estabelece pela implantação de Sua natureza na humanidade, mediante o operar do Espírito Santo. 

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