quarta-feira, 7 de junho de 2017

POR QUE HÁ TANTOS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO ENVOLVENDO EVANGÉLICOS NO BRASIL?

POR QUE LÍDERES CRISTÃOS E IGREJAS EVANGÉLICAS ESTÃO SENDO ENVOLVIDOS EM ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO NO BRASIL?
A melhor forma de quebrar uma estrutura é de dentro para fora. Assim, o mundo se infiltrou em boa parte das igrejas para, de dentro, implodi-las. Mas a destruição não é como nossos olhos humanos enxergam. Para nós, essas igrejas são as que mais crescem, com templos cada vez mais grandiosos e luxuosos, com seus líderes cada vez mais ricos e famosos, alguns até com caros programas de televisão (que visam não evangelizar, mas aumentar o número de membros, e assim, de arrecadação e lucros). Para o mundo, o sinal do sucesso é ter poder, grandiosidade, riqueza, fama. Para o pseudocristianismo já mundanizado, a lógica é esta também.

Mas para Deus é o contrário. A grande marca do sucesso espiritual pode ser vista claramente em Jesus, nos profetas, nos apóstolos, nos pais da Igreja, nos mártires. O sucesso espiritual trouxe a marca do fracasso segundo os padrões do mundo. Jesus e seus apóstolos não construíram grandes templos, não ficaram milionários, não desfrutaram dos prazeres deste mundo e nem comeram do melhor desta terra. Ao contrário, foram perseguidos, ultrajados, humilhados em sua fé. Muitos tiveram mortes degradantes, mortes como criminosos, julgados pelos poderes de sua época e condenados a torturas e crucificação, apedrejamento, mutilação, alguns foram serrados ao meio, outros queimados na fogueira. Mesmo atualmente – embora haja uma indiferença gritante no meio evangélico brasileiro, que parece não dá a mínima para o martírio da igreja sofredora, temos visto verdadeiros cristãos sendo mortos por defenderem sua fé em países que rejeitam totalmente o Evangelho de Cristo.

Aqueles irmãos são muito diferentes de nós. Eles não estão preocupados em defender sua denominação. Eles não estão preocupados em angariar recursos para seu próprio enriquecimento (bradado de cima do púlpito como um triste testemunho, como se fosse obra de Deus, embora todos saibam tratar-se de estelionato religioso e apostasia espiritual). Eles não estão preocupados em arrecadar milhões para a construção de templos suntuosos, que glorificam não a Deus, mas sim aos donos dos templos. Eles não estão preocupados em influenciar politicamente uma nação.
A preocupação daqueles irmãos (para nossa vergonha) é servir ao Único que é digno de todo o louvor e de toda a glória, mesmo que isso lhes custe a própria vida.
O envolvimento de cristãos com o partidarismo político no Brasil tem se mostrado uma experiência desastrosa para a reputação do evangelho em nossa nação. Só a título de reflexão quero citar os deputados federais evangélicos, os quais são de diferentes partidos, mas em questões que envolvem discurso de moralidade — como o casamento de gays — agem como se fossem de uma única agremiação que se norteia pelos textos bíblicos. São da base de apoio do governo sempre, desde que o governo siga a agenda cristã conservadora que eles afirmam seguir. Discutir a liberação do aborto, por exemplo, não pode. Tampouco distribuir nas escolas públicas kit contra a homofobia. Seria muito bom se essa postura partisse de um compromisso real e sincero com o evangelho, todavia, a maioria desses paladinos da moralidade alheia responde a processos na Justiça Eleitoral e no foro privilegiado do STF (Supremo Tribunal Federal). Dos 56 deputados que compõem a atual lista da bancada de evangélicos, 32 deles, ou seja 57% do total, têm pendências na justiça. os processos apuram acusações de peculato (furto ou apropriação de bens públicos), improbidade administrativa, corrupção eleitoral, abuso de poder econômico, sonegação fiscal e formação de quadrilha.
É importante dizer aqui que vários destes deputados são pastores, o que torna esta realidade ainda mais vergonhosa e inadmissível. 
Com 24 deputados, a mais antiga e poderosa denominação pentecostal do Brasil tem a maior representação na bancada. Desse total, 11 são réus. Um deles, por exemplo, responde por peculato, crime tributário, captação ilícita de recursos, etc. A ficha judicial e criminal de vários outros é também extensa.
A maior Igreja de linha calvinista do Brasil, portanto uma igreja que se diz herdeira da tradição reformada e que costuma se vangloriar de possuir uma suposta supremacia teológica, possui a segunda maior representação, com 8 deputados. Anthony Garotinho (PR/RJ) e Edinho Araújo (PMDB/SP), figuras públicas deste país, pertencem a esta igreja e se destacam pela quantidade de processos e escândalos de corrupção.
As igrejas de linha neopentecostal vêm em seguida com vários parlamentares, dos quais a grande maioria responde por processos, em geral de corrupção e formação de quadrilha.
Esta realidade do quadro político evangélico no Brasil e estes números são importantes para que líderes cristãos sérios (e eu sei que ainda temos muitos) possam refletir até que ponto tem valido a pena esta guinada feita pela igreja em direção à política há poucas décadas e que era um comportamento completamente estranho e inclusive condenado pelas gerações cristãs anteriores. Temos ganhado ou perdido com esta relação promíscua? Ou melhor, quem de fato está ganhando com isso? O evangelho ou bolso dos corruptos e consequentemente o inferno a quem eles de fato servem?
Recentemente eu acessei pela internet dados da respeitada ONG Transparência Brasil, que é vinculada à Transparência Internacional, que para quem não sabe, é uma instituição que denuncia e luta contra a corrupção no mundo inteiro. Esses dados indicam que:
1) Da bancada evangélica, a esmagadora maioria atualmente responde processos judiciais;
2) 95% da referida bancada estão entre os mais faltosos;
3) 87% da referida bancada estão entre os mais inexpressivos;
4) Na última década não houve um só projeto de expressão, ou capaz de mudar a realidade do país, encabeçado por um parlamentar evangélico.
Estão lá apenas para gritar que são contra o casamento gay. E penso eu que muito mais para fazer cena aos seus currais eleitorais do que propriamente por terem uma ética bíblica que lhes dirija nessa direção, pois se assim não fosse, seriam cristãos também em outras matérias e, sobretudo na integridade e honestidade de suas condutas.
Diante de tudo isso, sei que muitos me perguntarão: “Pastor, então você é contra a presença de cristãos nos parlamentos?” Veja bem, eu penso que não podemos exigir que todos se envolvam, uma vez que nem todos refletem sobre as Escrituras com a mesma compreensão e nem todos têm vocação para assuntos dessa natureza, que claramente não é dos mais atraentes. Política não é para todos, como também o pastorado, o cuidado dos doentes, o envolvimento no ensino, etc. Mas o esforço e o envolvimento pela justiça e pela paz é. Cada um fique, portanto, na vocação em que foi chamado.
O que não podemos tolerar e nem aceitar é que corruptos ingressem neste mundo usando o nome da Igreja. Que ajam em seu próprio nome, que se elejam em seu próprio nome e que se afundem na lama – já que da lama são – também em seu próprio nome. E que os verdadeiros filhos de Deus envolvidos neste cenário tenham a dimensão do que isso representa e da imensa responsabilidade ética que carregam.
Arrependamo-nos enquanto é tempo. Arrependamo-nos dos pecados cometidos, e arrependamo-nos de seguir os falsos Cristos e falsos profetas. Arrependamo-nos enquanto é tempo.
Que Deus permita que, apesar de tantos escândalos demoníacos, muitos possam continuar a crer que há verdadeiros homens e mulheres de Deus, e que lutar pelo Evangelho vale a pena.
Que os verdadeiros cristãos entendam que as trevas não se misturam com a luz. Assim, não se pode apoiar a corrupção de uns para que esses ajudem a derrubar um governo também considerado corrupto. Deus não precisa de corruptos para fazer Sua Justiça, embora possa usar-se deles. Porém, não nos compete fazer vistas grossas à iniquidade para que nosso desejo seja realizado.
O verdadeiro cristão, assim como Cristo nos ensinou, repudia toda a forma de corrupção e de injustiça. Mesmo que isso preveja que cortemos na própria carne. Afinal,
“Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.

E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno. Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus. Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido.”  (Mateus 18:6-11)

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