quinta-feira, 22 de junho de 2017

CESSACIONISMO X CONTINUÍSMO. OS SINAIS E PRODÍGIOS AINDA EXISTEM?


Em primeiro lugar, vamos a uma breve explicação do que sejam estes termos, para ajudar nossos irmãos que ainda não estão familiarizados com os mesmos.

CONTINUÍSMO E CESSACIONISMO. De forma resumida e objetiva, podemos destacar:
Essa discussão é antiga, mas foi intensificada com o surgimento do movimento pentecostal, no início do século 20.
O Cessacionismo é a forma de pensar teológica que crê que alguns dons do Espírito Santo estavam restritos à era da Igreja Primitiva e que após esse tempo cessaram em grande parte. Os calvinistas são os que tendem a se alinhar mais fortemente com esta posição.
O Continuísmo é a forma de pensar teológica que entende que tudo aquilo que Atos e o Novo Testamento apresentam como dons, em quaisquer aspectos, continuam sendo aplicados por Deus para todo o decurso da história da Igreja. Para eles, os dons não teriam cessado, e os mesmos seriam, até hoje, a comprovação do poder de Deus e da autoridade concedida à Igreja e aos membros do Corpo de Cristo. Os pentecostais e neopentecostais defendem essa posição. O que não significa que somente eles sejam seus adeptos. Eu, por exemplo, não sou pentecostal e muito menos neopentecostal, mas me afirmo e declaro continuísta.
E pra melhor definir essa questão também julgo importante explicar aqui que os cessacionistas erram gravemente ao associar continuísmo com pentecostalismo, que a meu ver são movimentos diferentes.

O continuísmo ensina que todos os dons extraordinários expressos nas Escrituras estão disponíveis para os nossos dias a qualquer cristão inserido na Igreja. Portanto, todo pentecostal é necessariamente continuísta. Agora, nem todo continuísta é pentecostal, isso porque o pentecostalismo vai além do continuísmo. Alguns continuístas famosos não estão dentro da tradição pentecostal. Alguns teólogos como Donald A. Carson, John Piper, Wayne Grudem, por exemplo, são de tradição calvinista e não possuem nenhuma ligação direta com igrejas pentecostais.

O que é pentecostalismo? É um continuísmo acrescentado de outro dom extraordinário: o Batismo no/com o Espírito Santo. Esse dom, segundo a teologia pentecostal, capacita o crente ao serviço da proclamação (cf. Atos 1.8). Não é um dom melhor nem pior do que os demais, mas difere no propósito. Enquanto os dons gerais estão voltados para dentro da Igreja, o Batismo no Espírito está voltado para fora. É a Igreja capacitada a agir no mundo, enquanto os demais dons capacitam à igreja na ação comunitária de edificação e consolo.
No pentecostalismo clássico se ensina que esse dom vem acompanhado de um sinal, o falar em línguas. Esse sinal não deve ser confundido com o dom, que é a variedade de línguas. Portanto, apesar de todo pentecostal ser continuísta, nem todo continuísta é pentecostal. Erram, portanto, por ignorância ou por preconceito aqueles que tentam forçar a obrigatoriedade deste vínculo.

Feitos estes esclarecimentos, vou direto ao assunto, pois muitos irmãos me enviam mensagens com a seguinte pergunta: Pr. Reinaldo você acredita na atualidade dos sinais e prodígios, tais como os que estão registrados na Bíblia? Não vou ficar em cima do muro, como alguns famosos teólogos de nossa época infelizmente costumam fazer.


Há uma passagem bíblica que aprecio muito e que fala alto em meu coração sobre este tema. "testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo,..." Hb 2.4a

A igreja evangelizadora e missionária – a verdadeira Igreja de Cristo Jesus aqui na terra – que não tem placa e nem é chefiada por caciques religiosos, jamais deixará de operar milagres e prodígios, pois o Deus do impossível tem um serio compromisso com os que proclamam as Boas Novas.

Os milagres são realizados por Deus com um propósito específico: glorificar seu nome e expandir o seu reino. Não esqueçamos porém, que o maior milagre que existe é a conversão de um pecador a Cristo.

No livro de Atos encontra­mos muitos milagres e maravilhas. Os milagres contribuíram para que muitos recebessem, de bom grado, a palavra pregada pelos apóstolos, entregando suas vidas a Cristo. Os irmãos da Igreja Primitiva não usaram os milagres para ficarem famosos ou ricos. A glória e a honra eram dadas a Jesus. O nome do Mestre era glorificado e a cada dia mais e mais pessoas rendiam-se a Jesus Cristo, experimentando o maior de todos os milagres, a salvação.

Por que os sinais e maravi­lhas eram tão comuns à Igreja Primitiva? Qual o segredo daque­les cristãos? Não havia segredo algum. Havia uma obediência amorosa e consciente à Grande Comissão que o Senhor Jesus confiou aos seus discípulos. Quanto mais evangelizavam e faziam missões, mais o Cristo neles operava por intermédio do Es­pírito Santo.
Podemos crer que o mesmo pode ocorrer hoje com as igrejas que levam a sério o imperioso "ide" de Cristo? Leia com atenção os últimos versículos do Evangelho de Mar­cos e constate, em nossa própria realidade, o cumprimento pleno desta promessa: "E estes sinais seguirão aos que creem: em meu nome, expulsarão demônios; fa­larão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão" (Mc 16.17,18).

Mas além disso eu entendo que precisamos entender o papel e as funções dos sinais e maravilhas, operados pelo Espírito Santo, na vida da Igreja.

O milagre tem de ser visto não como algo que ficou nos tempos bíblicos, mas como um recurso que o Espírito Santo nos coloca à disposição para que glorifiquemos a Deus e dissemine­mos o evangelho de Cristo.

Os sinais e maravilhas descritos na Bíblia, principalmente no Novo Testamento, são operações extraordinárias e sobrenaturais de Deus no âmbi­to das coisas naturais. São uma suspensão das leis da natureza. Somente o que criou todas as coisas pode agir natural e sobre­naturalmente em todas as coisas, porque tudo lhe é possível (Mc 10.27).

Em entendo que os objetivos do milagre são apenas dois: glorificar a Deus e expandir-lhe o Reino (Mc 2.12; Lc 5.26; Jo 11.4). Em Atos, os prodígios operados pelos apóstolos abriram-lhes as portas da Palavra, a fim de que anunciassem com poder e des­temor o evangelho. Haja vista o ocorrido na Porta Formosa (At 3.1-11). E o ocorrido em Listra (At 14.8-18). A intervenção sobrena­tural de Deus visa também bene­ficiar o ser humano. Alguém que é curado do câncer, por exemplo, enaltece o nome do Senhor pelo favor imerecido. O milagre, portanto, não tem por objetivo criar um espetáculo. Foi por isso que o Senhor emudeceu-se e nada fez ante a curiosidade de Herodes (Lc 23.8,9). Somente os que buscam a própria glória transformam os sinais e maravilhas em um show. Assim eu repito: Os sinais e maravilhas são operações extraordinárias e sobre­naturais de Deus com o propósito de glorificar o nome do Senhor e expandir-lhe o Reino. Logo, uma dica para você discernir se um acontecimento sobrenatural é Obra de Deus ou uma fraude de demônios é você perceber quem está recebendo a honra e a glória por aquele milagre.


Em Atos capítulo três, Pedro e João dirigiam-se ao Santo Tem­plo a fim de orarem, quando se depararam com aquele coxo de nascença que, diariamente, era trazido ao lugar sagrado para esmolar (At 3.2). Observemos que os apóstolos subiam juntos à Casa de Deus para buscar ao Senhor. Se juntos clamavam ao Senhor, juntos estavam prestes a realizar um grande milagre.

Sem oração não há poder. Moisés e Jesus, que operaram grandes e portentosos sinais, viviam em constante oração e jejum (Êx 24.12-18; Mt 4.2). Se nós obreiros desta geração quiser­mos também realizar milagres e maravilhas é necessário que, juntos, à hora da oração, subamos ao templo. A mão do nosso Deus não está encolhida para efetuar o sobrenatural. Muito da explicação da ausência de autênticos sinais em nossos dias se explica no fato de que Satanás está transformando as igrejas em empresas e agências de eventos, ao mesmo passo em que elas estão cada vez mais vazias e distantes dos ajuntamentos para a oração. O chamado culto de oração, tão comum a todas as denominações poucos anos atrás, praticamente desapareceu em nossos dias na maioria das igrejas.

Ao ver os apóstolos, o coxo esperava receber deles alguma benção material. Todavia, declarou-lhe Pedro: "Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda" (At 3.6). Hoje, há muitas igrejas ricas e poderosas. Algumas destas, porem, já não conseguem mos­trar o poder que operava nos apóstolos. Elas possuem muita prata e muito ouro, mas nenhum poder. O ouro e a prata somente são eficazes quando utilizados na expansão do Reino de Deus. Caso contrário, de nada valem diante daquele que disse: "Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos" (Ag 2.8). Portanto evangelizemos e façamos missões. Dinheiro na igreja não pode servir para finalidades egocêntricas como a construção de templos faraônicos, para a sustentação e ostentação de uma vida regalada dos falsos apóstolos da atualidade e nem para a compra de horários milionários na tv. Dinheiro na igreja deve servir única e exclusivamente para o investimento no reino e no campo missionário. Deixo aqui uma pergunta: o que sua igreja faz por missões? Quantos missionários ela sustenta?

O mendigo achava-se justamente na Porta Formosa do Santo Templo (At 3.2). Que contraste! Diante de toda aquela suntuosidade, um mendigo. A porta era formosa e rica, mas achava-se fechada para aquele homem enfeado pela doença e empobrecido por sua condição social.

Mas aquela porta também não prevaleceria contra a Igreja Primitiva que, sob a palavra de Pedro, foi usada por Cristo para realizar aquele sinal que sacudiu toda Jerusalém. E o homem pôs-se a andar e a saltar de alegria, ressaltando assim a grandeza daquele ato extraordinário. Pedro e João oram em nome de Jesus e um milagre é realizado na porta do Templo chamada Formosa. Eu creio que Deus ainda levanta muitos pedros e joões para trazerem uma palavra de poder e de contradição nas portas formosas dos palácios religiosos da modernidade.

Realizado o milagre, o que fizeram os apóstolos? Certamente não trabalharam o seu marketing pessoal, não criaram nenhuma célula de 12 e nem foram abrir uma igreja independente. Sabendo que a excelência estava em Cristo e não em si, aproveitaram a ocasião a fim de proclamar o evangelho. Como você tem agido quando Deus te usa na realização de um milagre ou prodígio? Chama a glória toda para si? Ou glorifica o Senhor da glória? Observe o modo como os apóstolos trataram o prodígio.

A proclamação da Palavra é mais importante que o milagre. Não resta dúvida de que um ato extraordinário foi realizado. Era notório a todos (At 4.16). Era algo sim­plesmente inegável. Todavia, os apóstolos estavam prestes a mos­trar que aquela ocasião era mais do que propícia à proclamação da Palavra de Deus. Hoje, temos muitas terças e quintas-feiras de milagres. Campanhas milagreiras lotam as peças de marketing religioso sobretudo no neopentecostalismo. Rejeitemos essa heresia e que todos os dias sejam dedicados à pregação do evangelho. O Senhor Jesus estará presente entre nós operando si­nais e prodígios diariamente, se andarmos segundo a Sua Palavra. A proclamação da Palavra deve ser feita a tempo e a fora de tempo. É o que recomenda Paulo a Timóteo: "Conjuro-te, pois diante de Deus e do Senhor Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2 Tm 4.1,2).

Por conseguinte, Pedro e João aproveitaram a oportunida­de a fim de proclamar o Evange­lho de Cristo tanto para o povo quanto para os sacerdotes. Leia com atenção os capítulos três e quatro de Atos dos Apóstolos. E veja quantas portas para a pregação da Palavra foram abertas através do milagre operado pelos após­tolos na Porta Formosa. Você tem aproveitado as oportunidades para anunciar a mensagem da cruz? Ou acha que o milagre não passa de um espetáculo? É che­gado o momento de se pregar a tempo e fora de tempo que Cristo Jesus morreu e ressuscitou para salvar o pecador e que breve Ele virá para estabelecer seu reino em definitivo sobre este mundo, iniciando pelo arrebatamento de Sua Igreja.
Portanto meus irmãos, os sinais seguem aos que creem. Mas quando os que creem se­guem os sinais, a igreja começa a ter problemas. Vejamos, pois, os milagres e prodígios como oportunidades para anunciarmos o Evangelho de Cristo até aos confins da terra.

Por acaso não agiam assim os apóstolos de Nosso Senhor? Por que, então, agiríamos de outro modo? À semelhança de Pedro e João, declaremos com autoridade e ousadia: "Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazare­no, levanta-te e anda" (At 3.6).

Abaixo toda incredulidade cessacionista e que a Bíblia de capa a capa, de uma vez por todas seja entronizada em nossos corações e vença todo discurso teológico preconceituoso, carnal e que presunçosamente ousa limitar o poder do nosso Deus. É a humilde palavra de um pastor batista, que não precisa ser pentecostal (ainda que amando e respeitando nossos irmãos dessa tradição) para crer e afirmar aquilo que a Bíblia ensina e ordena.

Um comentário:

  1. Diante da questão, quero observar que o Espirito Santo, não é de nenhuma igreja e nem Deus a deu em doação. O Espirito Santo, é um conjunto de dons, que são próprios dos Arcanjos e ficam disponível para todos pelo livre arbítrio, que /Deus nos deu em lei. Os Arcanjos foram Criados por Deus, para que nós, quando solicitado de forma honesta e íntegra, pode ser atendida. Cada Arcanjo tem um dom, e tem permissão de /Deus para d-alo se solicitado conforme disse, e nenhuma religião é dona desses dons, e isso eu chamo de Espiritualidade Divina, é de Graça e por Graça. Daí que o resto do texto perde o contexto de confrontamento de idéias humanas, sobre uma Essência Divina, para todos.

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