sexta-feira, 2 de junho de 2017

CASAIS AMASIADOS E NÃO DIZIMISTAS PODEM SER BATIZADOS E CEAR?

Meus amados, iniciemos essa discussão com uma conclusão óbvia: é lógico que o padrão a ser perseguido pela igreja é que todos os seus casais que se relacionam de forma estável sejam legitimamente casados perante Deus e de acordo com as leis vigentes no país. Também é recomendável que desçam ás águas e participem da Ceia do Senhor estando igualmente desta forma regularizados. Este é o alvo e é isto que todos nós pastores devemos trabalhar e orientar nossas ovelhas para que se estabeleça como um padrão em nossas igrejas.

Todavia, nem sempre a Bíblia segue padrões. Débora julgou e liderou o povo de Israel e isto não era um padrão. Uma jumenta foi usada por Deus para falar com Balaão e isso não era um padrão. Davi comeu o pão sagrado das cerimônias sacerdotais e isto não era um padrão. Os lenços de Paulo e de Pedro foram levados e geraram cura em muitos enfermos e isto não era um padrão. O divórcio foi consentido por Moisés, reafirmado por Jesus e explicado por Paulo e ainda que sob a clara definição de que Deus não o aprova, em restritas e severas circunstâncias ele é tolerado e isto não é um padrão. A Bíblia estabelece normas e princípios e os estabelece como padrões, porém situações pontuais criam exceções que em circunstâncias específicas e pontuais devem ser utilizadas com sabedoria pela liderança na casa de Deus. Por isso, no que pese toda a polêmica que esta minha declaração possa gerar, eu afirmo que nem sempre devemos impedir que irmãos nossos desçam ás águas ou participem da Ceia, pelas razões apontadas em nosso tema de hoje. Falando claramente, há casos em que podemos, eu diria devemos, batizar e liberar para a ceia irmãos ou irmãs que vivem maritalmente, porém sem a posse de uma certidão de casamento firmada em cartório. E antes que as pedras me soterrem, tentarei fundamentar na Bíblia e no bom senso as razões que me conduzem a essa constatação.
A grande marca que vemos na vida de cristãos verdadeiros é o desejo de mudar aspectos de suas vidas que não agradam a Deus e que foram contraídos quando ainda não conheciam a Cristo. Inclusive, isso é muito ensinado na Bíblia: “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Efésios 5:8). Quando essas mudanças dependem exclusivamente de nós mesmos creio que tenhamos uma responsabilidade maior de lutarmos contra o que está errado e implantar aquilo que é correto e de acordo com a vontade de Deus. Mas nem sempre é assim. E no caso de um casal amasiado, onde um se converteu e o outro não? Será que tudo de errado que possa haver nesse casamento é responsabilidade da parte que é cristã? Uma união onde apenas um dos dois se converteu, oferecerá algumas dificuldades a mais para o novo convertido. Mas devemos olhar essa questão com atenção. No caso, por exemplo, do marido não desejar regularizar o casamento, penso que devamos pensar que a Bíblia é clara quando diz que “…cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12). Se a parte cristã tem o desejo de regularizar seu casamento, mas o companheiro resiste a essa questão, a parte cristã não pode mais ser culpada de viver amasiada. Alguns podem pensar que nesse caso a separação seria a solução, porém, a Bíblia é contra o divórcio e o aceita apenas em questões bem específicas, o que não é o caso aqui. Logo, essa mulher não pode ser culpada por uma situação que ela deseja resolver, mas não consegue por não depender somente dela, mas também do companheiro. Logo nesse ponto em fujo ao padrão e se esta irmã aceitou a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida com sinceridade, eu ministro sobre a vida dela tanto o batismo em águas quanto a ceia do Senhor. Não vejo culpa nesta filha de Deus e não serei eu quem lançará cadeias e impedimentos sobre a sua liberdade de servir a Deus e exercer plenamente a sua fé. Sendo assim, creio que nestas circunstâncias não se deve proibir ninguém de descer ás águas e participar da Santa Ceia, pois não seria justo que tal pessoa seja privada da comunhão por algo que não está somente em suas mãos resolver.
Tal pessoa deve sim participar de todos os benefícios de quem é nova criatura e está em Cristo. Todavia, a questão não se encerra aí. Cabe ao pastor e a esta pessoa não desistirem da busca pelo padrão, isto por meio de oração e ministração da Palavra, que são instrumentos poderosos de transformação do mais duro coração humano.
E quando o casal já é convertido a Cristo e mesmo assim se recusam de forma unânime a passarem pelo casamento? Este é um caso diferente, onde o padrão deve ser exigido sem qualquer concessão. O conhecimento da verdade exige a prática do correto. Se dois filhos de Deus vivem juntos e não querem casar-se, pagam por justiça o preço cobrado pela desobediência voluntária, vivendo sob restrições que eles próprios decidiram viver.
Se, todavia, o casal for crente e um dos cônjuges deseja casar e o outro não, as proibições se aplicam apenas na parte rebelde e as liberações são franqueadas à parte obediente à Palavra. É desta forma que eu conduzo em meu ministério situações dessa natureza, julgando cuidadosamente caso a caso, buscando sempre aplicar o padrão, mas tendo a sensibilidade de identificar situações especiais, onde a exceção deve ser consentida e ninguém que sirva a Deus de forma sincera venha a ser injustamente prejudicada.
A grande dificuldade para se administrar esses casos, em verdade não está naquilo que a Bíblia afirma, mas naquilo que a religiosidade pensa que a Bíblia afirma. Conceitos como prostituição, fornicação e adultério tradicionalmente vêm sendo muito mal aplicados para justificar proibições arbitrárias e julgamentos que só cabem no arcabouço de regras humanas, herdadas do catolicismo romano e que ainda assombram a falsa moralidade de muitos cristãos. Nem todo casal não casado é fornicário, prostituição é um ato de venda do corpo e adultério só existe onde há infidelidade conjugal. Qualquer situação que não configure exatamente estes conceitos não podem receber este tipo de julgamento.
Provavelmente quem taxa de forma imediata todo casal não casado desta forma deve ter pouco interesse em se envolver com amor e humanidade na situação de cada um.
Mas eu vou ainda mais longe em minhas abordagens. Sei que posso pagar um preço alto por esta ousadia, mas não existe pregação bíblica sem intrepidez e coragem. Eu penso que precisamos repensar nosso conceito do que seja casamento. Damos a este termo uma espiritualização que em geral não existe nem na Bíblia e nem no mundo.
A instituição do casamento civil na legislação É UM DIREITO E NÃO UMA OBRIGAÇÃO. Dessa forma, não vejo o casamento civil, como condição arbitrária e obrigatória para o batismo e membresia, e não consigo encaixá-lo em At. 13:1-7, pois não há sujeição em ato voluntário! Dizer que você só está casado para Deus se possuir um documento ou tiver passado por uma cerimônia é muito vago. Isso não e uma verdade na Bíblia. Se assim fosse o que seriam de nossos irmãos que vivem em países onde não ha governo, não há estado? Fazer este tipo de afirmação aqui no Brasil é fácil. E o que seriam de nossos irmãos em Cristo no passado, que não conseguiam casar-se legalmente porque a influência da Igreja católica na legislação lhes vetava esse direito? Quando Jesus determinou que todos fossem batizados Ele não impôs nenhuma condição, a não ser crer n´Ele, Jesus. “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16:15,16).

Ninguém precisa obrigatoriamente regularizar primeiro sua situação matrimonial para ser batizado, pois isso é um contra senso. O batismo vem exatamente para dar força à pessoa para lutar, da conversão em diante, por uma vida santa e reta diante de Deus. Agora, espera-se que a pessoa, uma vez batizada, ouça a voz do Espírito Santo, e procure regularizar sua situação o mais cedo possível. 

“Seguindo eles caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água, disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que seja eu batizado? Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Então, mandou parar o carro, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco” (At 8:36-38).

Você pode ver que nem mesmo “curso” de batismo é necessário. Se puder fazer, é bom, mas necessário mesmo, não é. Basta o arrependimento de pecados e a fé em Jesus Cristo! Infelizmente, o legalismo nas Igrejas, as doutrinas de homens, têm prejudicado muitas pessoas de crescerem na fé. Se para batizar as pessoas elas tiverem que sair primeiro da condição de pecador, então ninguém poderá batizar-se, pois qual é o recém-convertido que se encontra em plena regularidade espiritual diante de Deus? 

Não amados, o batismo (assim como a Santa Ceia) é ordenança do Senhor para todos os que creem, sem condições. E por ser ordenança de Deus, nenhum pastor tem o direito de impedir alguém de obedecê-lo. O batismo é exatamente uma declaração pessoal de quem se reconhece pecador e deseja uma mudança total em sua vida. Por isso, se batiza, morrendo para o mundo e ressuscitando em Cristo Jesus.

Aí então, como nova criatura, nascida de novo, a pessoa irá, sob direção do Espírito Santo, desejar mudar suas práticas, regularizando sua situação. É exatamente a Graça de Deus concedida ao coração arrependido que irá operar uma transformação externa. Só então vamos em busca do padrão. O carro não anda na frente dos bois. É o contrário.

Através do batismo (assim como da Santa Ceia) Deus opera na pessoa de dentro para fora. O legalismo faz exatamente o contrário, exigindo uma operação externa para que a pessoa seja abençoada internamente. Isso é um erro, pois ninguém muda verdadeiramente o seu comportamento externo se não mudar, primeiro, o seu entendimento a respeito das coisas. Por isso muitas pessoas estão levando vida religiosa nas Igrejas, sem serem de fato transformadas pela graça de Deus.

É claro que o pastor, ao receber alguém que manifesta o desejo de batizar-se, vai orientá-lo a arrepender-se de seus pecados e consertar sua situação, inclusive matrimonial. No caso de alguém que seja amasiado, onde o companheiro não é convertido e não quer casar-se, por exemplo, o crente deverá estar em oração pela salvação da outra pessoa e para que Deus transforme a realidade de suas vidas. Muitas vezes a pessoa está nessa situação há anos, tem filhos e não pode, simplesmente, abandonar o companheiro só porque converteu-se e batizou-se. Tem que clamar a Deus por um mover na vida de ambos, no lar e na família. Mas enquanto isto se processa tal pessoa não pode ser privada daquilo que Deus deixou para todos os Seus filhos.

Quanto a vetar o batismo e a ceia para quem não dizima, isto é tão ridículo e herético que me recuso a tecer maiores comentários. Há muitos pastores equivocados, proibindo filhos e filhas de Deus sinceros de serem batizados e cear, mas eles estão apenas equivocados e não podem ser condenados em geral pelo olhar que têm a este respeito. Todavia, aqueles que condicionam o batismo e a ceia à entrega de dízimos são na verdade obreiros fraudulentos e mal intencionados, já vencidos pelo veneno da teologia da barganha e que tentam escravizar suas igrejas, praticamente extorquindo-as por meio de imposições esdrúxulas como essa.


Batismo e ceia são ordenanças ao alcance de todos que foram lavados e comprovados pelo Sangue do Cordeiro. Não são as nossas seleções morais que decidem isso. É o fruto do novo nascimento que todos poderão notar nas vidas daqueles que desejarem esta oportunidade.

Eu, pastor Reinaldo Ribeiro, não fujo dos meus atos e não me envergonho daquilo que creio. Tenho por alvo regularizar a situação de todos, mas digo aqui que na condição de homem de Deus me sinto no dever de levar Cristo ás pessoas justamente para que elas sejam libertas dos grilhões e das ordenanças fúteis da religiosidade humana e não para simplesmente colocar cargas e cangas evangélicas no lugar das que elas já traziam no mundo.

Um comentário:

  1. Pastor penso como o senhor,mas infelizmente não são todos que pensam assim..

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Obrigado por seu comentário. Breve iremos analisá-lo com todo carinho. Que Deus lhe abençoe!

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