sexta-feira, 12 de maio de 2017

TODOS OS HOMENS SÃO REALMENTE INCAPAZES DE BUSCAR A DEUS?

Meus queridos irmãos, a questão que envolve o conceito teológico conhecido como Depravação Total é um dos poucos aspectos que pelo menos teoricamente unem as duas correntes soteriológicas que vivem a se estaponar pelas redes sociais. Até poderia ser uma centelha de elo entre o condenável partidarismo que desde o século XVI vem causando divisões na cristandade (coisa contra a qual Cristo orou em João 17), mas que também esbarra nas diferentes formas de se entender o que seja essa depravação total.

Paulo, ao usar a expressão “Miserável homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte”, certamente não imaginava que conceitos tão destruidores da natureza humana e tão fatalistas iriam se edificar a partir desta frase. Eu enxergo a questão com outra ótica e de modo muito sincero e humilde gostaria de compartilhar com você as razões que me fundamentam nessa direção.

Eu tenho ouvido várias vezes as pessoas usando as palavras de Paulo em Romanos 7:24 dizendo: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” Eles as usam de uma maneira que insinua que essas palavras são aplicadas para nós, os Cristãos nascidos de novo. Eles as usam como se nós Cristãos estivéssemos em uma espécie de escravidão do pecado. Então, eles dizem: “miseráveis homens que nós somos”, “nós somos pecadores, vendidos sob o pecado”, “quem nos livrará disto?”

Eu, porém, creio que embora as pessoas amem o Senhor e queiram seguir Sua Palavra, elas podem cair em muitos erros, mas NÃO estão vendidas sob o pecado e nem são miseráveis homens esperando por um salvador. O Salvador chegou e Seu nome é Jesus Cristo! Ele abriu a porta da nossa prisão e nos fez livres. Nós não somos mais “miseráveis homens”. Nós ÉRAMOS miseráveis homens anteriormente quando nós estávamos mortos em ofensas e pecados (Efésios 2:1).

Nós não estamos mais mortos! Deus nos deu vida juntamente em Cristo, por graça, apenas na base da nossa fé (Efésios 2:5)! Agora, nós somos “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9). Essa é a verdade da Palavra de Deus.

Mas então, o que é essa lamentável situação que Paulo está descrevendo em Romanos 7? A quem ele está se referindo? Porque ele está usando está passagem como se estivesse aplicando para si próprio e por que ele está falando no presente como se fosse algo que está acontecendo agora? Bem, nós não precisamos ir longe para achar a resposta. Tudo que nós precisamos é ler o contexto todo de Romanos 7. Dando uma olhada, Romanos 7 mostra que seu tema principal é a lei e como era impossível para alguém que tinha apenas a natureza pecadora de Adão cumprir esta lei. Para dizer isso, Paulo está usando a primeira pessoa do singular no presente figurativamente, não literalmente. Em outras palavras, embora, pareça que ele diz algo para ele mesmo pessoalmente, ele faz isso apenas no sentido figurado, colocando a si mesmo na posição daqueles a quem essas sentenças eram diretamente aplicáveis. Como nós sabemos disso? Vamos ler, por exemplo, os versos 7-9 de Romanos 7: “Que diremos pois? É a lei do pecado? De modo nenhum: mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, obrou em mim toda a concupiscência: porquanto sem a lei estava morto o pecado. E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri.

A época “sem lei” foi antes da promulgação da lei, centenas de anos antes do nascimento de Paulo. Então quando Paulo diz “E eu, nalgum tempo, vivia sem lei” ele está usando a primeira pessoa do singular (“Eu”) apenas figurativamente. Ele não estava vivo naquela época, mas, ele figurativamente colocou a si mesmo na posição das pessoas que estavam vivas dizendo “Eu vivia”. O mesmo também na próxima parte da passagem que diz: “mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri.”. O mandamento veio com Moisés e Paulo não estava vivo ainda. É óbvio então que ele estava usando ele mesmo (primeira pessoa do singular) FIGURATIVAMENTE e não literalmente. O mesmo padrão continua por todo Romanos 7. Paulo se usa e muitas vezes no presente para descrever o que era uma situação no PASSADO. A razão que o levou a fazer isso foi estratégica e retórica. Ele pretendia tornar a situação mais vívida e o contraste com a situação presente (a qual é descrita em Romanos 8) ainda mais clara. Seu tema principal em Romanos 7 é a situação sem Cristo. Antes de Cristo a lei era presente e, embora essa lei fosse boa, santa e justa era impossível ser mantida por pessoas que tinham apenas suas naturezas pecaminosas e carnais. Como ele caracteristicamente disse: Romanos 7:12, 14 “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.... a lei é espiritual; mas eu sou carnal.

Paulo era carnal quando ele estava escrevendo essas coisas? Ele tinha apenas a natureza pecadora de Adão? Ele estava “vendido sob o pecado”? A resposta é enfaticamente NÃO. Paulo, como qualquer crente nascido de novo, tinha Cristo vivendo nele. Cristo o tornara livre. Ele estava agora nascido de novo e salvo. O que, portanto, ele está se referindo quando descreve a si próprio como “vendido sob o pecado”? Ele se refere à época da lei, o tema principal de Romanos 7. Na época da lei, não havia novo nascimento! Não havia nova natureza! Todas essas coisas ficaram disponíveis para nós somente depois do sacrifício de Jesus.

Assim, a única coisa que as pessoas tinham naquela época era a velha natureza pecadora. Embora, a lei fosse boa, santa e justa ela era uma lei espiritual enquanto eles eram carnais, vendidos sob o pecado. Portanto, quando Paulo diz: “mas eu sou carnal, vendido sob o pecado” ele está usando a si mesmo e o tempo no presente figurativamente, colocando a si mesmo no lugar daqueles que viveram na época da lei, exatamente como ele fez no versículo 7 com todos aqueles que viveram sem a lei, quando ele diz “vivia sem lei”. Quando Paulo estava escrevendo Romanos 7, ele era uma nova criatura como qualquer um de nós, que crê no Senhor Jesus Cristo, o Messias e Filho de Deus. II Coríntios 5:17  “Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram.”

Paulo usa o mesmo modo de falar (primeira pessoa do singular, no tempo presente) em todo o restante de Romanos 7. Vamos ler: Romanos 7: 15-24 “Porque o que eu faço não o aprovo, pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E se, faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum: e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já não o faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então está lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”

O que Paulo está descrevendo é uma situação miserável. Se você não levar em conta qual é o contexto da passagem e se você ignorar e desprezar as realidades do novo nascimento você se tornará miserável também. Você também irá dizer “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”. Mas Paulo diz tudo o que diz para descrever a situação antes de Cristo. É uma situação de anseio por um salvador. Sim, antes de Cristo todos nós choraríamos “Miseráveis homens que nós somos! quem nos livrará do corpo desta morte?”. Mas a boa nova é que cerca de 2000 anos atrás o salvador veio! Seu nome é Jesus Cristo! Paulo não para na questão: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”, mas ele continua imediatamente com a resposta e aqui está: Romanos 8:1-4  “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, ME LIVROU DA LEI DO PECADO E DA MORTE. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma a carne. Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne e do pecado, pelo pecado condenou o pecado da carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

Houve um tempo em que nós éramos escravos, vendidos sob o pecado. Mas não mais! Crendo no Senhor Jesus Cristo, ele nos libertou dessa escravidão. Agora, nós temos uma nova natureza, Cristo está em nós. Agora nós somos LIVRES. Agora nós somos justos! 

Meus amados, a expressão usada por Paulo não justifica nenhuma crença de total incapacidade humana para buscar a presença de Deus. Este conceito é forjado para beneficiar a heresia de que Deus elege uns para salvação e abandona outros para a condenação. Paulo apenas compara uma vida subjugada pela lei com uma vida recriada em Cristo. Qualquer dedução fora disso é inaceitável dentro de uma teologia honesta e livre de fanatismos.

Para resumir: aqui está a questão de Paulo em Romanos 7:24: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”

E aqui está a resposta, apenas 2 versículos depois: “a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, ME LIVROU DA LEI DO PECADO E DA MORTE.”
E novamente, Gálatas 5:1 “Estai, pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão.”

Nós não somos mais escravos, vendidos sob o pecado. Nós não somos mais “vendidos sob o pecado”. Ao invés disso, Cristo nosso Salvador, veio, deu a si mesmo como resgate e nos fez LIVRES. Portanto, na próxima vez que você ouvir alguém declarando “Miserável homem que eu sou!”, querendo descrever nossa condição presente, ou mesmo almejando sustentar algum tipo de predestinação condenatória, você já sabe que tal aplicação para nós está ERRADA. Glorifique o Senhor e O dê graças, que, através de Seu Filho, nos livrou desta situação terrível. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo sempre, pois embora nós estivemos uma vez “mortos em ofensas e pecados... Mas Deus que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou.” (Efésios 2:1-5), deu-nos agora a condição de justos com base nos méritos de Seu Filho amado. Louvado seja Jesus, nosso libertador de sempre.

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