quarta-feira, 17 de maio de 2017

SÉRIE: RESPONDENDO AOS ATEUS - Parte 1


Como é do conhecimento de alguns, temos uma grande demanda de atividades ministeriais que se somam às nossas responsabilidades pessoais. Tudo isso, obviamente, abrevia o tempo que sempre pretendemos dedicar para o atendimento aos nossos queridos leitores.

Essa é a razão pela qual tem havido alguma demora em respondermos nossos amigos que se identificam como ateus e que nos enviam perguntas e considerações em grande quantidade para a nossa conta de email.

Hoje, porém, pela Graça de Deus, aqui estamos, com toda disposição e consideração que meus queridos leitores inegavelmente merecem.

Em todas as vias virtuais por onde passo e publico, em geral deixo rastros de minhas convicções acerca da fé em Deus, da Pessoa de Jesus Cristo, do papel da Igreja e da salvação necessária a todos os homens. Isso tem gerado uma gama considerável de manifestações que antagonizam minhas mensagens e discordam de seu conteúdo. Em geral, essas mensagens são assinadas por pessoas se declaram racionalistas ou seguidoras do ateísmo filosófico.

Hoje trago 5 questões, que resumem quase uma centena de outras que recebi e respondendo-as acredito que estarei indiretamente me dirigindo a muitas outras pessoas que nutrem dúvidas iguais ou similares.  Fica aqui o meu sincero agradecimento para todos que se prontificaram a nos escrever. E vamos às questões.

Elias Santiago - (Professor de Biologia – SP) 

Tenho lido muita coisa a respeito da segunda guerra, principalmente com o interesse de conhecer os programas macabros que eram realizados na medicina nazista e isso me deu uma dimensão ainda maior da maldade daquelas pessoas.  Como o senhor responderia ao fato de que um homem cristão como foi Hitler tenha sido um dos maiores demônios que já pisaram o solo terrestre? É possível ser cristão, ter Deus e ao mesmo tempo ser tão mal e cruel?

Resposta

Prezado professor Elias, muito obrigado por sua mensagem e pergunta. Não consigo imaginar de que fonte o senhor possa ter extraído a conclusão de que Hitler era um cristão, pois, asseguro que não há nenhum registro confiável que indique tal coisa.  De fato se assim o fosse, essa seria uma das mais grotescas e horrendas contradições da história e da fé cristã. Tenho, porém, dois pontos a considerar:

Primeiramente, sabe-se notoriamente que Hitler era inclinado a práticas ocultistas e incentivava projetos secretos liderados por Heinrich Luitpold Himmler, que foi o comandante da Schutzstaffel e um dos mais poderosos homens da Alemanha Nazista.  Este foi também  uma figura chave na organização e execução do Holocausto e mantinha um gigantesco acervo de registros das mais antigas religiosidades anglo saxônicas, que eram pautadas por práticas ocultistas e místicas de toda ordem, as quais, no passado remoto, tinham sido massacradas pela política de caça às bruxas do catolicismo romano. Himmler e consequentemente Hitler, movidos por sua doentia ideia de  supremacia da raça ariana, projetavam o recrudescimento dessas antigas religiosidades praticadas na Alemanha. Essa era, portanto, a única visão religiosa que nutria o supersticioso Hitler. E também não nos esqueçamos que nos campos de concentração, onde milhões de judeus foram mortos, também estavam inúmeros cristãos.

Em segundo lugar, consideremos hipoteticamente que Hitler fosse um cristão nominal. Lembremos que nos presídios estão muitos criminosos de diferentes graus de periculosidade que se declaram cristãos. A identificação religiosa não exime o homem de viver sem Deus e o rótulo denominacional seguido da prática criminosa não é argumento plausível para que se descreia em Deus.

Rafarel Lobato (Físico e Bioquímico – PE)

Olá pastor. Para um sujeito com o seu grau de racionalidade e inteligência, não parece perigoso investir e tentar convencer as pessoas da existência de um deus que nenhum cientista morto ou vivo de renome tenha realmente crido?

Resposta

Um grande abraço meu querido Rafael. Agradeço pelos elogios, mas entendo que se houver de fato alguma racionalidade e inteligências em mim, elas se evidenciam justamente no fato concreto de admitir e crer na existência de Deus.

Entendo como um tanto preconceituosa a afirmação de alguns religiosos que satanizam os ateus, assim como vejo da mesma forma o estereótipo criado por alguns ateus de que a fé em Deus seja monopólio dos ignorantes e iletrados.  E para comprovar este equívoco, quero ressaltar a você que muitos cientistas e pensadores de renome, alguns já falecidos e outros ainda vivos, declararam ao mundo sua fé em Deus, o que comprova o grave erro que consiste associar fé à ignorância científica.

Para exemplificar e comprovar a veracidade de minha afirmação eu alisto abaixo alguns nomes conhecidos pela comunidade científica de personalidades cristãs. Cientistas que eram cristãos:

Falecidos:
Francis Bacon, Johannes Kepler, Blaise Pascal, Isaac Newton, Michael Faraday, James Clerk Maxwell, William Henry Perkin, George Stokes, Lord Kelvin, J. J. Thomson, Charles Coulson

Vivos (até a data de publicação desta postagem):
Norman March, Robert Griffiths, Richard Bube, Donald Página, Allan Sandage, David Cole, Francis Collins, John Polkinghorne, S. William Pelletier, Andrew Bocarsly e James Tour

Prof. Andrade (Matemático e Físico – CE)

Ok Reinaldo, suponhamos que Deus existe. Vocês cristãos são contra a ideia da geração espontânea. Ou seja, usam o argumento de que o universo foi criado por Deus porque tudo que existe tem que ter sido criado por algo anterior. Sendo assim, então me responda: quem criou Deus?

Resposta

Meu querido professor Andrade, Deus nunca precisou ser feito porque Ele sempre esteve e estará onde hoje está. Em teologia compreendemos que Deus nunca foi criado e jamais terá fim. A existência de Deus é compreendida num âmbito diferenciado daquilo que sabemos acerca dos seres humanos, ou seja, não podemos compará-lo à nossa perspectiva, assim como não se pode comparar a natureza do escultor à de sua obra. Nós existimos de uma forma derivada, finita e frágil, mas o Criador existe como eterno, autossustentável e não há nenhuma possibilidade de que Ele deixe de existir. É óbvio que descrer na geração espontânea não incluiria e Pessoa de Deus nesse contexto, mas tão somente tudo aquilo que por Ele foi criado (inclusive aqueles que lamentavelmente o negam). Em filosofia, muitos erros resultam de supor que as condições e os limites de nossa própria existência finita se aplicam a Deus. Faço votos e estarei orando para que essa compreensão um dia também o alcance.

Robelio de Castro (Estudante de Filosofia – MA)

Sendo Deus tão poderoso ou todo poderoso como afirmam, por que ele não contraria as leis da física, por exemplo? Acho que seria muito fácil para ele fazer uma pedra flutuar ou um corpo sólido subir em vez de cair, quando lançado das alturas. Você não acha querido Reinaldo?

Resposta

Obrigado Robélio. Muito interessante sua proposta. Mas eu tenho uma resposta bem plausível pra ela. Se você for o criador de uma lei é bem razoável crer que você não irá infringi-la. As leis da física são obra de Deus e por essa razão Ele não faz o que você aqui sugeriu. Teologicamente falamos que Deus é onipotente. Mas a onipotência não significa que Deus pode fazer literalmente tudo.

Como o Catecismo Menor diz, "Deus pode fazer toda a Sua vontade santa." Deus não pode pecar ... Deus não pode mentir ... Deus não pode mudar sua natureza. Deus não pode negar as demandas de Seu caráter santo. Deus não pode fazer um círculo quadrado, já que a noção de um círculo quadrado é autocontraditória. Deus não pode deixar de ser Deus. Mas tudo o que Deus quer e promete, Ele pode e vai fazer.

Da mesma forma Ele não fará a pedra flutuar ou qualquer outra forma de quebra das leis naturais justamente porque Ele não age de forma contraditória a si mesmo.

José Carlos Lima (Agnóstico – RS)

Prezado Pastor Reinaldo Ribeiro, a crença em Deus passa necessariamente pela moralidade que estabelece conceitos de bem e de mal. Mas é de comum acordo que a moral é algo subjetivo e cultural. Isso não seria uma prova da inexistência de Deus? Se Deus realmente existisse, o certo não seria que a mesma escala de moralidade se aplicasse a todos os povos?

Resposta

Prezado José Carlos, minha gratidão por sua tão pertinente pergunta.  As pessoas costumam dizer que "a moralidade é subjetiva" ou que é "relativa". Mas quando julgam o comportamento humano, o fazem como realistas morais. Como exemplo, eu afirmo que a maioria dos ateus são tão convencidos como cristãos de que Adolf Hitler era uma pessoa má.

Elas resistem ao realismo moral porque acham que isso leva à "intolerância". Ao fazê-lo elas cometem dois erros fundamentais. Primeiro, não conseguem perceber que a tolerância é um valor em si e que elas estão simplesmente fazendo este valor reger todos os outros. Esta é uma forma de realismo moral. Segundo, não conseguem entender que a tolerância e o realismo moral podem coincidir.

As pessoas discordam sobre como implementar valores, mas no resumo, eles não discordam sobre a verdade de nenhum valor.

1. Ninguém diz que a "justiça" ou "equidade" ou "bondade" ou "coragem" ou "caridade" não são valores virtuosos, em geral.

2. Desacordos morais são sempre sobre a implementação de valores, sobre a tentativa de integrá-los em nosso comportamento. Isso implica ter em conta as questões de conhecimento, bem como as questões de certo e errado.

Não há "novos valores", ou "valores diferentes". As pessoas às vezes acham que há novos valores, simplesmente porque a linguagem com a qual expressamos esses valores muda.

Por exemplo, um termo de valor popular agora é "diversidade". Mas mesmo que você não encontre esta palavra exata na língua tradicional da moralidade, tal como aquela usada na linguagem do Novo Testamento, você encontrará o conceito (por exemplo, I Coríntios 12:14-31). Lá Paulo fala sobre os diferentes papéis desempenhados por diferentes (ou seja, diversas) partes do corpo de Cristo.

E para finalizar, eu diria que as pessoas são atraídas para o subjetivismo moral ou relativismo porque este as exonera da culpa de seus erros. Mas o fato de que todos desejam ser reconhecidos como pessoas justas, revela um compromisso com o realismo moral, o que leva a Deus – pois é Ele quem injeta essa tendência em todas as comunidades humanas.

Na próxima postagem, responderemos outras questões ligadas ao pensamento ateu.  Se você tem algo a nos dizer ou questionar, fique a vontade e encaminhe sua mensagem. Deus o abençoe!


Pr. Reinaldo Ribeiro 

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