sábado, 20 de maio de 2017

PASTORADO FEMININO. VERDADE BÍBLICA OU MODISMO SOCIAL?

Meus irmãos, eu tenho sempre dito e repito que nós estamos vivendo o limiar de um desfecho trágico da trajetória humana neste mundo. As portas da salvação estão se movendo, muito em breve Cristo virá buscar o pouco que resta de Sua verdadeira Igreja. A palavra profética aponta para dias maus, esfriamento do amor, multiplicação da iniquidade e uma epidemia de apostasia como jamais se viu na história milenar da Igreja. Estes são os sintomas que apontam para o fim e a discussão que travamos hoje faz parte deste contexto de completo abandono da verdade.

Todavia, falar disso não é nada fácil. Assumir a posição de contrariedade aos interesses do feminismo pastoral constitui uma afronta a grupos poderosos, que não por acaso, são os mesmos que advogam o liberalismo homossexual também dentro da igreja. O sintoma claro disso é que quase todos os pregadores que se opõem à ordenação de mulheres praticamente precisam pedir desculpas ou tecer longas explicações antes de defenderem aquilo que simplesmente a Bíblia estabelece. Este é o mundo em que vivemos – um mundo que aplaude filosofias contrárias às Escrituras e que constrange pregações que se baseiam nas Escrituras.
É obvio que eu amo de todo coração nossas irmãs em Cristo que militam na causa do evangelho. Reconheço seus dons e ministérios, aprovo e aplaudo sua capacidade e unção. Prova disso é que em meu próprio ministério, faço questão de me sentir provido do apoio e da cooperação de nossas irmãs. Entretanto, não vou pedir desculpas para falar a verdade, ainda que esta verdade não seja o que muitos desejam ouvir. Que Deus me conceda esta ousadia na medida certa do Seu Espírito, para que nada procedente de minha própria natureza fale por mim neste presente momento.
A pergunta que não quer calar é como tantas igrejas – algumas até mesmo de origem reformada - que um dia aceitaram as confissões de fé históricas e adotaram os lemas da Reforma, especialmente o Sola Scriptura, chegaram ao ponto de aprovar práticas tão contrárias à Bíblia? Em minha opinião, o que está acontecendo hoje é o resultado lógico e final da conjunção de três fatores: a teologia liberal que foi aceita por estas igrejas, a consequente rejeição da autoridade infalível da Bíblia, que é um fenômeno encabeçado pelo neopentecostalismo e a adoção dos rumos da sociedade moderna como norma.
O processo pelo qual estas igrejas passaram é similar. As etapas vencidas são as mesmas. Primeiro, em algum momento de sua história, o método crítico de interpretação da Bíblia passou a ser o método dominante nas suas cúpulas e em suas células de estudo. Boa parte dos apóstolos, bispos ungidos nestas instituições saíram delas convencidos que a Bíblia contém erros de toda sorte ou em partes e que reflete, em tudo, o traço cultural de sua época. Para eles, os relatos bíblicos dos milagres são um reflexo da fé dos judeus e dos primeiros cristãos expresso em linguagem mitológica e lendária. Já outros, mesmo crendo na literalidade destes milagres, dão a eles uma interpretação completamente fora da mínima aceitação exegética, usurpando a autoridade teológica da Bíblia pelo misticismo de suas visões ou dos decretos tresloucados de seus líderes.
Em segundo lugar, uma vez que a Bíblia na prática já não é mais considerada como o referencial absoluto em matérias de fé e prática, devido ao seu condicionamento às culturas orientais antigas e patriarcais ou á sua cega obediência à palavra de seus líderes, estas denominações aos poucos foram adotando as mudanças culturais e a direção da sociedade moderna como referência para suas práticas.
Em terceiro lugar, com a erosão da autoridade bíblica e o estabelecimento da cultura moderna como referencial, não tardou para que estas igrejas rejeitassem o ensinamento bíblico de que somente homens cristãos qualificados deveriam exercer a liderança nas igrejas e passaram a ordenar mulheres como pastoras, diaconisas, presbíteras, apóstolas e bispas (apesar desta palavra nem sequer existir em nosso idioma). As passagens bíblicas que impõem restrições ao exercício da autoridade por parte da mulher nas igrejas foram consideradas como sendo a visão patriarcal e machista dos autores bíblicos, e que não cabia mais na sociedade moderna adotar este padrão. Assim, todo e qualquer discurso que reprova a ordenação feminina passou a ser automaticamente taxado de machista também. Não por acaso é algo muito parecido com o que se passa em relação à militância gay. Se você é contra a teoria de gênero, se reprova a união civil entre pessoas do mesmo sexo e se enfatiza a censura bíblica á prática homossexual, imediatamente passa a ser taxado de homofóbico.  Seguindo a mesma linha, se não aplaudir a existência de pastoras, semelhantemente passa a ser taxado de machista.
O mesmo argumento usado pelos defensores do pastorado feminino, é utilizado quanto ao homossexualismo: as passagens bíblicas que tratam as relações homossexuais como desvio do padrão de Deus e, portanto, pecado, foram igualmente rejeitadas como sendo fruto do pensamento retrógrado, machista e preconceituoso dos autores da Bíblia, seguindo a tendência das culturas em que viviam. A igreja cristã moderna, de acordo com este pensamento, vive num novo tempo, onde o homossexualismo é comum e aceito pelas sociedades, inclusive com a aprovação do Estado para a união homossexual e benefícios decorrentes dela.
O resultado de tudo isso não poderia ser outro. O único obstáculo para que uma igreja que se diz cristã aceite o homossexualismo ou a ordenação feminina como uma prática normal é o conceito de que a Bíblia é a Palavra de Deus, inerrante e infalível única regra de fé e prática para o povo de Deus. Uma vez que esta barreira praticamente já foi derrubada – e a marreta usada para isto sempre é o método crítico e o liberalismo teológico – não há realmente mais limites que sejam defensáveis. Pois mesmo os argumentos teológicos mais sólidos e incontestáveis, acabam se mostrando ineficazes diante do relativismo da cultura moderna. E as igrejas que abandonaram a autoridade infalível da Palavra de Deus acabam capitulando aos argumentos culturais e às filosofias sociológicas corruptas e depravadas de nossa época.

Feitas estas afirmações apenas a título de preâmbulo, eu gostaria de passar às argumentações que justificam a razão pela qual eu sou contra a ordenação de mulheres ao ministério pastoral:

I – Por respeito à doutrina da inspiração bíblica (II Timóteo 3:16; II Pedro 1:21); e consequentemente o princípio cristão, protestante e histórico de que a Bíblia é a nossa suprema regra de fé e prática, não cabendo-nos estabelecer a critério próprio,  ou mediante qualquer outro argumento, doutrinas ou procedimentos eclesiásticos diversos que não estejam plenamente submetidas aos princípios e preceitos bíblicos expostos na Palavra de Deus;
  
II – Por alusão à doutrina da criação, que estabelece que o homem foi criado primeiro (Gênesis 2:22; I Coríntios 11:8; I Timóteo 2:13), depois a mulher, para ser sua auxiliadora (Gênesis 2:18); sendo ambos criados para se complementarem (Gênesis 2:24), mas com características, papéis e funções diferentes; o homem foi criado como cabeça da mulher (I Coríntios 11:3b; Efésios 5:23a e 24b), ou seja, com a função de liderar, nem por isso, um ser superior à mulher; e, a mulher com a função de realizar a sua missão sob a liderança do homem (I Coríntios 11:9; Efésios 5:22-24), e para ser a glória do homem (I Coríntios 11:7c), nem por isso, de forma alguma, um ser inferior. O princípio da ordem na Criação deixa, portanto, claro que há uma distinção não de valores (pois nesse ponto todos somos iguais), mas de funções, entre homem e mulher.

III - A doutrina da queda, que reafirma a sujeição da mulher ao homem (Gênesis 3:16b), pois Adão não foi enganado, mas sim Eva (I Timóteo 2:14). Seria contraditório, Deus estabelecer esse princípio e posteriormente permitir uma inversão de papéis. Alguns tentam contra argumentar que essa doutrina teria aplicação apenas no contexto do casamento, mas eu insisto que igualmente seria profundamente contraditório e confuso Deus exigir a liderança masculina apenas nos lares e na Sua Igreja determinar uma postura inversa.

IV – A referência clara que a Bíblia faz sobre a doutrina da igreja, onde estabelece que a sua liderança espiritual é especificamente masculina (I Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9), inclusive vedando à mulher o ensino doutrinário público oficial e o exercício de autoridade sobre o esposo, ou seja, sobre homens (I Timóteo 2:12, I Coríntios 14:34-35), pois as restrições à liderança espiritual feminina, nunca foram culturais nem de usos e costumes, mas sim doutrinárias (I Coríntios 14:37); sendo que no ensino neotestamentário não há nenhuma evidência da designação de, inicialmente "discípulas" e posteriormente "apóstolas", bem como, com o início da Igreja a consagração de "presbíteras", "pastoras", "bispas", etc. Esses acontecimentos são modernos e foram desconhecidos por todas as fases históricas da Igreja de Jesus.

V – Pela independência espiritual e sociológica da Igreja. A prática da Igreja quanto à escolha da sua liderança espiritual no decorrer de quase dois mil anos sempre se ateve e se submeteu às orientações bíblicas, não se deixando influenciar pelos chamados avanços da civilização, pela modernização dos tempos, pelo progresso tecnológico, pela crescente participação da mulher na sociedade, etc, sendo que estas conquistas, por mais benéficas que possam ser, em hipótese alguma são conclusivas, referencial, nem determinantes em assuntos doutrinários e também não podem anular princípios bíblicos eternos.

VI – Devido ao revolucionário valor que Jesus conferiu às mulheres. Nosso Salvador inaugurou o verdadeiro reconhecimento social e humano da mulher, restaurando e exaltando sua dignidade diante de Deus e do mundo, o que permaneceu realçado nos ensinos apostólicos. Todavia, os escritos bíblicos em hipótese alguma foram contaminados pela mentalidade e postura profundamente machista daquela época; mesmo assim, o Senhor Jesus, e consequentemente os apóstolos, não colocaram mulheres na posição de liderarem espiritualmente a Igreja, mantendo sempre clara a diferença nas funções do homem e da mulher, tanto na igreja quanto na família.

VII - As mulheres foram profundamente respeitadas e valorizadas pela Igreja Cristã Primitiva, desempenhando um papel fundamental para o cumprimento da Grande Comissão, entretanto, sem reivindicarem ou exercerem a liderança ou funções tipicamente masculinas; algo que se perpetuou no decorrer da história da Igreja até a segunda metade do século XX, em total submissão à Palavra de Deus visando honrar o Senhor da Igreja.

VIII -  A Palavra de Deus concede às mulheres cristãs, mediante a Graça e Misericórdia do Senhor, como ocorre nitidamente em nossos dias, realizar dentro e fora de seus lares, bem como, dentro e fora da Igreja de Cristo, ministérios preciosos, abençoados e abençoadores, nas mais diversas áreas, com as mais diversas faixas etárias, sem a necessidade de se sobrecarregarem e se exporem a algo que Deus delegou estritamente a líderes espirituais masculinos, ou seja, a liderança do lar e o pastorado.

IX - As condições para o exercício da liderança pastoral não se baseiam estritamente em dons espirituais, nem em aptidões sociais, mas são regidas pelas qualificações bíblicas. Portanto, o fato de existirem irmãs habilitadas para a pregação e o ensino não as credencia para o ministério, cujas exigências vão muito além deste tipo de habilidade.

X – Exemplos bíblicos como Débora, Febe, Dorcas, as filhas de Filipe, a samaritana, Priscila e outros tão comumente citados pelos defensores do pastorado feminino, não resistem ao mais raso estudo bíblico fundamentado e analisado sem paixões preconcebidas. Santas mulheres cooperadoras na Obra de Deus não são precedente para que se tenha pastoras nos dias atuais. Pelo contrário, justificam tão somente que mesmo sem o exercício do sacerdócio, toda e qualquer mulher pode e deve ser extremamente útil ao reino e à Obra do Senhor.

Uma hermenêutica e uma exegese bíblicas sérias das passagens que tratam da liderança familiar e eclesiástica mostram claramente a falta de fundamento e o perigoso desvio doutrinário que consiste aderir ao pastorado de mulheres. Desta feita, entendemos que as pressões sociais oriundas de um mundo em constantes transformações, acabam por impor um novo papel à mulher, também na igreja - já que no mundo esse é um processo contínuo e já consolidado.

Todavia, ressaltamos uma vez mais, que não cabe à Igreja de Jesus orientar-se, espelhar-se ou pautar-se nos fenômenos sociais e sim na Palavra de Deus e no legado dos apóstolos.

Semelhantemente, a estratégia adotada por alguns de ordenar casais também não encontra apoio bíblico em parte alguma, sendo, por nós, igualmente desconsiderada à luz da Palavra. Não menos absurdo é o argumento daqueles que sustentam uma suposta necessidade de mulheres no ministério pastoral em virtude do abandono dos homens a esse ofício sagrado. Não nos constam que existam pesquisas sérias que provem isso e nem mesmo a mais superficial das observações assim o demonstra. Mesmo em campos onde não existem pastores, muitas missionárias desempenham com humildade e piedade alguns papéis de liderança, até que ali se estabeleça um sacerdote local. Isso nunca foi problema e nem motivação para que se ordenem mulheres pastoras. Parece-nos mais uma tentativa desesperada de justificar o injustificável.

Todavia, convém esclarecer que a rejeição à consagração de mulheres ao pastorado, não coloca quaisquer dúvidas sobre a capacidade, competência, espiritualidade, espírito de realização, virtude, inteligência e cultura de qualquer uma das nossas irmãs em Cristo, nem deve ser encarado ou tratado como preconceito ou atitude machista. Impedir o sacerdócio feminino não significa impedir que a mulher sirva a Deus com sua piedade, com seus dons e talentos.

Se alguém aceita a inerrância e a exatidão histórica da Escritura e interpretar corretamente 1 Timóteo 2:9-15, então todas as porções do Novo Testamento que falam sobre o papel da mulher na assembleia local se encaixará no seu devido lugar e, por exemplo, compreenderá o que Paulo tencionava quando ele ordenou que as mulheres "permanecessem em silêncio" na igreja local (1Co 14:33-34).

Também será possível compreender por que a natureza proscrita das Epístolas pastorais declara que  um pastor/bispo/ancião tem que ser "o marido de uma só mulher (1Ti 3:2). O leitor das Epístolas Pastorais tem que entender que Paulo está dando uma direta e divina revelação concernente aos papéis e comportamentos de homens e mulheres na igreja local, em todas as épocas e culturas, e que ambos, mulheres e homens possuem certos ministérios e responsabilidades para preencher. No entanto, a mulher é proibida de ensinar, ou proclamar com autoridade a verdade da Palavra de Deus a homens numa assembleia local de crentes. Hoje, esta proclamação autoritária da Palavra de Deus inclui qualquer forma de ministério pastoral ou sustentação de algum ofício de ordenação de mulheres, seja individual, seja em se tratando de casais. As razões para esta proibição divina se origina na ordem prescrita na criação, na família e na igreja local. Isto é o que está na Bíblia. Nisto eu creio.

Aos que puderem compreender nossa sinceridade nesse sentido, ficam nossos agradecimentos. Aos que não conseguirem alcançar a humildade de reconhecer essa clara verdade bíblica e ainda insistirem num discurso igualitarista que não possui apoio bíblico, ficam as nossas orações! E independente de tudo, fica nossa afirmação de que não há base na Palavra de Deus para o pastorado feminino e que quem o faz segue o apelo de um modismo social e não a voz das Escrituras.

2 comentários:

  1. Boa e abençoada explanação, Deus continue abençoando seu ministério, pastor Reinaldo Ribeiro...; É sabido pela maioria dos cristãos, que não existe nenhuma sustentação bíblica para a ordenação do ministério pastoral feminino, porém o que tem entrado em muitas igrejas é a ideologia do politicamente correto, onde toda a crítica é censurada, imperando o liberalismo teológico, filosófico, ideológico...

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  2. Mais um exposição teológica de alto nível com relação a mais um tema de suma importância nos dias atuais.

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Obrigado por seu comentário. Breve iremos analisá-lo com todo carinho. Que Deus lhe abençoe!

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