sábado, 6 de maio de 2017

ADORAÇÃO REJEITADA. O CULTO QUE DEUS NÃO RECEBE

O dia do juízo abalará muitas pessoas religiosas. A maioria das pessoas supõe que zelo e fervor nas atividades da igreja garantem sua aceitação por Deus. Peço aos amados que ouçam as surpreendentes palavras de Jesus: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade" (Mateus 7:21-23). Em outra ocasião Jesus observou: "Então, direis: comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas. Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim todos os que praticais iniquidades" (Lucas 13:26-27). Será que muitas pessoas ativas, religiosas e empenhadas poderão realmente se descobrir perdidas eternamente no último dia? Jesus diz que sim, e Ele é quem irá julgá-las.

Amós profetizou durante uma era de paz e prosperidade em Israel. O povo se sentia seguro (Amós 6:1), mantinha uma vida espiritualmente ativa e oferecia sacrifícios constantemente. Mesmo assim, Amós repreendia o povo contundentemente, e predizia uma rápida destruição tanto do povo como dos seus lugares de adoração (Amós 7:7-9; 8:1-3). Cerca de quarenta anos depois de Amós ter falado, a nação de Israel foi derrotada e exilada, justamente como ele havia profetizado. Profetas de Deus falam e as coisas acontecem. Profetas de Deus não podem ser confundidos com estes agoureiros pseudopentecostais da atualidade. Profetas de Deus não são leiloeiros de novidades heréticas – eles são porta vozes da expressa vontade de Deus e em nossos dias são pregadores da pura, inerrante e infalível Palavra de Deus, que está nas páginas sagradas da Bíblia. Mas, voltemos ao tema. Precisamos analisar os fatores que levaram à rejeição da adoração do povo na época de Amós.

Adoração Interesseira

Hoje em dia, muitos pretendem adorar o Senhor do modo que lhes convenha. Eles até admitem que procuram uma igreja onde possam sentir-se confortáveis, uma na qual sintam que se ajustam perfeitamente. Alguns se afogam em ódio, com pedras na língua e conceitos generalizados, pensam que adoram ao Senhor atacando igrejas e seus líderes, sem importar-se com a necessária distinção entre joio e trigo. Outros buscam formas de adoração que pareçam estimulantes e que lhes deem satisfação. As igrejas, já em sua triste maioria, se acomodam buscando satisfazer os desejos dos supostos adoradores. Assim são feitas programações, eventos e formatos são criados ou adaptados do mundo, visando agradar ao homem, que se diz adorador de Deus, mas em verdade adora a si próprio. Mas onde está o Senhor em tudo isto? Por definição, a meta da adoração é agradá-lo e biblicamente não faz pouca diferença quão satisfeitos possam estar Seus adoradores, porque Ele é o alvo da adoração e não quem o adora.

Amós enfrentou o mesmo problema que tanto vemos em nossos dias: "Vinde a Betel e transgredi, a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e, cada manhã, trazei os vossos sacrifícios e, de três em três dias, os vossos dízimos; e oferecei sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai ofertas voluntárias, e publicai-as, porque disto gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor Deus" (Amós 4:4-5). Betel e Gilgal eram os dois mais sagrados locais de adoração. Eles estavam oferecendo mais adoração do que o Senhor exigia. Em vez de sacrificar uma vez por ano, eles sacrificavam todas as manhãs. Em vez de trazer o dízimo de três em três anos, eles o traziam de três em três dias. Não obstante, Deus rejeitava a adoração deles dizendo que quando vinham a esses lugares, eles multiplicavam as transgressões. Por quê? O problema deles é que estavam fazendo o que queriam fazer. A adoração, e não o Senhor, se tornara o objeto da sua veneração deles. Sua adoração nada tinha a ver com Deus, Sua vontade ou Seu reino. Eles estavam fazendo o que lhes agradava.
Uma vez que os adoradores comiam uma porção da oferta de agradecimento e da oferenda voluntária, eles apreciavam ir ao templo e partilhar do que não passava de um piquenique religioso familiar. Mas tinham esquecido o objeto de sua adoração: o Senhor. Quantos hoje em dia não fazem o mesmo? Vão á igreja quase toda semana, mas nunca estiveram dentro da igreja na inteireza de seu coração. Participam de cultos, eventos, solenidades com o mesmo sentimento de quem optou por um programa de fim de semana. Para muitos, Deus virou apenas um item em sua agenda de compromissos, mesmo que vivam espiritualmente no mais flagrante descompromisso com o evangelho.

Não é errado gostar de adorar o Senhor. Pelo contrário, isso é ótimo. Mas é errado quando nossas predileções na adoração têm precedência sobre a vontade do Senhor ou quando o foco da adoração está em nós mesmos. É errado quando "adoramos" com música de que gostamos, com ritmos que apreciamos, com artistas que idolatramos em vez de cantar louvor a Deus como Ele nos instruiu em Sua Palavra. Deus é adorado em espírito e em verdade e não em carne e em mentira, como se dá na nojenta música gospel de nossos dias. É errado também quando os sermões tratam dos nossos gostos em vez de refletirem a pura mensagem do evangelho de Cristo. Nenhum pregador está autorizado a falar segundo suas impressões, a mandar recados ou indiretas para terceiros ou mesmo a confeccionar discursos agradáveis aos ouvidos de sua plateia. Aqueles que pregam são os profetas da atualidade e sua profecia é a Palavra de Deus. É errado quando nossa adoração apresenta numerosas atividades que praticamos sem a autorização do Senhor simplesmente porque agradam a nós ou aos nossos amigos. Pense um pouco agora na adoração na congregação à qual você pertence. Ela está formatada para agradar primeiramente à sua clientela religiosa ou verdadeiramente honra ao Senhor?

Adoração não autorizada

Quando o reino de Israel se dividiu em 1 Reis 12, Jeroboão inventou sua própria religião. Ele estabeleceu novos centros de adoração em Dã e Betel, em lugar de Jerusalém. Ele estabeleceu novos objetos de adoração, bezerros de ouro, em vez do Deus vivo. Ele concebeu sua própria festa no décimo quinto dia do oitavo mês, parodiando a verdadeira festa dos tabernáculos que Deus tinha ordenado para o sétimo mês. E ele consagrou os seus próprios sacerdotes, ignorando o desejo de Deus de que os sacerdotes fossem da tribo de Levi. Jeroboão era uma pessoa altamente religiosa, mas sua religião foi baseada em suas próprias ideias visões e revelações e não se apoiou na vontade revelada do Senhor. Alguma semelhança com o farto cardápio de profetas, apóstolos, patriarcas de hoje, com suas visões e revelações repletas de misticismo e sincretismo religioso e suas igrejas lotadas de crentes vazios de Deus, não é mera coincidência – é a história da falsa adoração mais uma vez se repetindo.

Nos dias de Amós, o povo ainda estava seguindo a adoração de Jeroboão em Betel: "Pois assim diz o Senhor à casa de Israel, "Buscai-me e vivei. Porém não busqueis a Betel nem venhais a Gilgal, nem passeis a Berseba, porque Gilgal, certamente, será levada cativa, e Betel será desfeita em nada. Buscai ao Senhor e vivei, para que não irrompa na casa de José como um fogo que a consuma, e não haja em Betel quem o apague" (Amós 5:4-6). Para muitos dos ouvintes de Amós esta mensagem deve ter sido desconcertante. Ele estava dizendo-lhes que buscassem a Deus, mas proibindo-os de ir aos próprios santuários onde eles acreditavam que o Senhor poderia ser encontrado. Depois de gerações adorando erroneamente, o povo tinha ficado acostumado às suas formas tradicionais e nunca tinham pensado na possibilidade de que o Senhor os rejeitasse. Mas Deus disse que Ele rejeitava sua adoração não autorizada. Você já parou pra pensar que talvez tenha sido enganado até aqui e que o ensino que lhe deram e a adoração que lhe ensinaram são reprovadas pelo Senhor?
Hoje em dia muitas pessoas adoram o Senhor de um modo que Ele nunca autorizou. Elas aceitam as mudanças que penetraram através dos séculos, sem voltar à revelação original para encontrar o que agrada ao Pai. Hoje em dia as pessoas precisam ser exortadas a buscar o Senhor, porém não indo aos lugares de costume para fazer isso. Não se perturbariam as pessoas se hoje o Senhor voltasse e lhes dissesse que o buscassem, mas que não fossem a esta igreja ou aquela denominação para fazer isso? Contudo, muitas igrejas modernas praticam dúzias, talvez centenas, de coisas para as quais nenhuma permissão foi dada nas Escrituras. Veja você mesmo na Bíblia o quanto isto é verdade. Onde você encontra autorização para batizar recém-nascidos, ou para alguém ser ungido apóstolo? Onde você encontra aprovação para mulheres servirem como pastoras? Onde, no novo testamento você encontra permissão para igrejas cobrarem ingressos, patrocinarem shows, fizessem uso de música inspirada no mundo ou para exigir dízimos de forma obrigatória e com o tom de terrorismo e barganha? Onde Deus indica na Bíblia que Ele instituiu igrejas que têm cultos devotados a prosperidade ou supostas libertações de demônios? O homem pode ser o criador de muitas igrejas, mas Deus rejeita toda adoração não autorizada.

Contudo, o povo não quis ouvir as repreensões dos profetas. Israel queria continuar adorando a Deus da maneira que escolheu. Até mesmo disseram aos profetas que não profetizassem: "Mas vós aos nazireus destes a beber vinho e aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis" (Amós 2:12).

Amazias, sacerdote de Betel, ordenou a Amós que saísse e não falasse contra Betel: "Então, Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza; mas em Betel, daqui por diante, já não profetizarás, porque é o santuário do rei e o templo do reino" (Amós 7:12-13). As pessoas hoje em dia, especialmente os chefes religiosos, não querem ouvir críticas às suas práticas de adoração estabelecidas. Será que ouviriam a Amós, ou teriam continuado adorando em Betel mesmo sem aprovação de Deus?

Adoração Exterior

O povo na época de Amós apenas executava alguns rituais de adoração, porém não mudava suas vidas: "Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembleias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. Antes corra o juízo como as águas; e a justiça, como o ribeiro perene" (Amós 5:21-24). Aqui Amós considerou cada um dos elementos essenciais da adoração israelita: festivais, sacrifícios e louvor. Deus rejeitou todos eles e indicou seu desprazer referindo-se aos festivais, assembleias e oferendas deles.

Por que Deus rejeitou sua adoração? Porque suas vidas eram corruptas. Deus queria um compromisso sem esmorecimento com a justiça e a retidão. O terreno de Israel era cheio de correntes de água intermitentes. Deus não queria uma justiça intermitente, mas um firme e contínuo transbordamento de obediência na vida. Quando eles adoravam no sábado, mas tratavam mal os outros durante a semana (veja 2:6-8; 8:4-6), Deus rejeitava até a adoração que eles ofereciam no sábado. Para o Senhor, a fidelidade era uma exigência diária. Um homem não pode cometer adultério de vez em quando e declarar que o resto do tempo é fiel a sua esposa. Assim também um homem não pode ser infiel ao Senhor de vez em quando e adorá-lo no fim de semana como se nunca pecasse.

Jamais imaginemos que o Senhor aceitará automaticamente nossa adoração, não importa como ela seja oferecida. Adoração interesseira, não autorizada ou meramente exterior Ele rejeitará, porque essa adoração é falsa e diabólica.

2 comentários:

  1. Como essa verdade se choca com o mundo cristão atual, hein? Deus tenha misericórdia das pessoas que estão sendo enganadas! Obrigado pela mensagem, irmão!

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Obrigado por seu comentário. Breve iremos analisá-lo com todo carinho. Que Deus lhe abençoe!

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