quarta-feira, 17 de maio de 2017

A BÍBLIA CONDENA O ATO DE BEBER OU APENAS A EMBRIAGUEZ?


A questão do consumo de álcool por parte dos filhos de Deus desde os fins da era medieval até o século XX nunca representou um problema para as igrejas e nunca foi fonte de polêmicas. Isto porque, com exceção da teologia liberal que nunca foi vista como teologia aceitável pela esmagadora maioria das denominações, mesmo as mais opostas e diferentes tradições protestantes sempre concordaram na proibição absoluta desta prática sob os mais diversos argumentos e o mais forte dele dizia respeito ao testemunho cristão perante a sociedade. O uso de álcool está associado a uma série de práticas que afrontam princípios e valores cristãos largamente registrados nas Escrituras e por conta desta inegável verdade, eu mesmo, passei toda minha mocidade na igreja sem nunca sequer ter ouvido falar que haveria um líder cristão que fosse capaz de defender tal coisa. Eram tempos bons, onde o martelo da verdade bíblica era batido e nenhuma ousadia relativista era capaz de ameaçar ou mesmo contradizer aquilo que todos na igreja viam com tamanha clareza e convicção.

Só que eu permaneci neste mundo até aqui e também presenciei uma transição generalizada que se instalou na teologia cristã, que muito rapidamente migrou do absolutismo bíblico (que eu chamo de santo fundamentalismo bíblico) para o relativismo pós moderno, surgindo assim essa imagem caricata, tacanha, deformada e secularizada de uma igreja que a cada dia perde sua própria identidade e absorve contornos e desenhos do mundo que lhe rodeia.
O álcool está inserido neste contexto. De repente a Bíblia deixou de ser regra para se abordar essa questão e surgiram os argumentos médicos, psicoterapêuticos, sociológicos, todos eles apoiados por uma falsa teologia que caminha a quilômetros de distância do que seja uma verdadeira exegese e pratica tão somente contextualizações e adaptações que tornem o evangelho agradável a todos e mantenham as igrejas lotadas. O marketing do sucesso empresarial entrou nas igrejas e junto com ele o cálice transbordante da tolerância ao álcool e seus devastadores efeitos.

Muito se tem falado sobre o uso de bebidas alcoólicas por parte dos cristãos. Alguns têm defendido ardorosamente que "um pouco" de álcool de modo algum é prejudicial, e que beber com moderação é recomendado pelas escrituras. Já outros se posicionam em campo oposto, rejeitando completamente o uso de bebidas alcoólicas, mas por vezes ficam desarmados frente a várias passagens bíblicas que, frente a um exame superficial, autorizariam o uso do vinho.
Este grave problema que se põe: a aparente contradição das escrituras que ora repudiam e ora enaltecem o uso do vinho, faz com que passagens bíblicas possam ser interpretadas de acordo com propósitos colocados nos corações daqueles que as leem, não levando em conta o propósito divino com que foram escritas, propósito este que deve ser devidamente obtido através do contexto teológico, histórico, gramatical, usando-se assim de perfeita exegese bíblica. Frente a esta caótica situação, nos sentimos na obrigação de propor e analisar profundamente a questão do vinho nas Escrituras Sagradas e sua influência na vida dos cristãos.

Inúmeros são os problemas causados na vida das pessoas pela ingestão de bebidas alcoólicas. Estes problemas afetam desde o convívio social do indivíduo até a manutenção de sua vida e de pessoas próximas. Existem estatísticas alarmantes sobre o desastre causado na vida das pessoas pelo consumo do álcool, que o tornam o inimigo público número um, chegando a matar 25 vezes mais que todas as drogas ilegais juntas!

O álcool pode atingir todos os tecidos do organismo célula por célula, pelo fato de ser completamente miscível em água, causando com isto inúmeras desordens físicas e psíquicas. O uso do álcool pode provocar aumento de peso, dependência química, impotência sexual, vários tipos de câncer e pode estimular o surgimento de outras doenças físicas graves, como por exemplo, úlceras, cirrose hepática, hepatite alcoólica e a esteatose hepática.

Foi comprovada uma relação direta entre o aumento do número de homicídios e o aumento do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil. Segundo o IBGE, o consumo de cerveja passou de 25 litros por habitante para 48,4 litros por habitante entre 1979 e 1999, havendo um aumento do número de homicídios por 100.000 habitantes em quantidade proporcionalmente equivalente. Segundo o Núcleo de Estudos da Violência da USP a receita mais comum para um assassinato é uma arma na mão e alguns goles de qualquer bebida alcoólica na cabeça. Segundo o mesmo estudo, 40% dos assassinatos ocorrem sob a influência de bebidas alcoólicas.

Além disto, o álcool está envolvido em 65% dos afogamentos, 22% dos acidentes domésticos, 77% das quedas, 40% dos assaltos, 35% dos crimes sexuais e em 30% dos suicídios. O uso de álcool está também estreitamente ligado às mortes por acidentes de trânsito. Dados indicam também que uma em cada quatro famílias tem em seu seio problemas relacionados ao uso do álcool, como crianças com deficiências mentais, divórcios, violência no lar, doenças, crimes e mortes. São números impressionantes, e levam à conclusão que a ingestão de bebidas alcoólicas é um dos mais sérios problemas da humanidade e tem causado o infortúnio e a derrota de milhões de pessoas.

Portanto, quando levantamos este tema não estamos trazendo à pauta uma polêmica qualquer. Falamos de algo que nitidamente é um instrumento diabólico para a destruição do homem e esta reflexão é necessária antes de constituirmos a ideia de que em poucas quantidades ou para uso medicinal se pode defender alguma relação entre o cristão e o álcool.

Apesar da insistência de alguns em tentarem reduzir o conceito de vinho a essa ideia moderna que temos de suco de uva fermentado e etílico, na Bíblia nós temos duas claras classes de vinho: um fermentado e outro não fermentado. Ou seja, há um vinho alcoólico na Bíblia e outro que não passa de mosto, de suco da vide.

Os termos mais comuns para “vinho” no Antigo Testamento são: em hebraico, yayin e tirosh em aramaico. O termo yayin é a palavra comum para vinho envelhecido e, portanto, intoxicante (Gênesis 14:18; Levítico 10:9; 23:13), e tirosh é usado em várias passagens para designar o suco de uva fresco ou o vinho ainda não completamente envelhecido mas já intoxicante (Gênesis 27:37; Números 18:12; Deuteronômio 12:17; Juízes 9:13; Provérbios 3:10; Oséias 4:11). Ambos os termos hebraicos são traduzidos na Septuaginta (a clássica tradução do Antigo Testamento para a língua grega) pela palavra oînos. Já no Novo Testamento a palavra comum para “vinho” é o mesmo termo oînos, que pode designar tanto o suco de uva não fermentado (João 2:9-10) como o vinho fermentado (Apocalipse 14:8). Por sua ambiguidade, o termo deve ser interpretado à luz do contexto em que aparece inserido e do seu significado teológico mais amplo. Portanto, o problema surge quando não compreendemos essa origem etimológica da palavra e achamos que todo vinho citado na Bíblia seja vinho etílico, isto é, alcoólico.

Um claro exemplo de vinho alcoólico na Bíblia está em (Isaías 5:11-13) "Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedice; e continuam até à noite, até que o vinho os esquente! E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos. Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede." Também em Isaías, agora no capítulo 28:7 nós lemos: “Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo.”

Referências ao vinho não fermentado não são tão claramente documentadas na Bíblia como as condenações ao intoxicante vinho fermentado. Mas, é sempre possível chegar-se ao verdadeiro significado das palavras utilizadas através do contexto em que se encontram. Quero citar para os amados alguns poucos exemplos: "Naquele dia haverá uma vinha de vinho tinto; cantai-lhe. Eu, o SENHOR, a guardo, e cada momento a regarei; para que ninguém lhe faça dano, de noite e de dia a guardarei." (Isaías 27:2-3)

Esta é uma passagem profética, sobre uma vinha cuidada diretamente pelo Senhor. A palavra hebraica traduzida aqui como vinho tinto significa literalmente vinho puro ou vinho ainda por ser fervido, numa clara referência ao suco fresco de uvas.

"Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; e se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares." (Provérbios 3:9-10)
Nesta passagem o vinho é claramente um produto da terra e uma benção dada àqueles que servem a Deus. É interessante notar que os lagares, que são tanques nos quais se espremem e reduzem a líquido as uvas, venham a transbordar de vinho, que sendo suco de uvas recém espremidas é por conseguinte vinho não fermentado. O Velho Testamento coloca o vinho não fermentado, seja o suco concentrado de uvas, seja o suco fresco de uvas, como uma bênção aos que temem a Deus e fazem a Sua vontade. Portanto, é muito claro que a Bíblia usa a palavra vinho com dois significados. Um alcoólico ou fermentado e outro puro, sem nenhuma medida de fermentação ou álcool.

Vou explicar porque é tão importante termos esta convicção antes de partirmos para uma discussão se é aceitável ou não que o cristão faça uso de vinho alcoólico ou demais bebidas etílicas, mesmo que sob pequenas quantidades ou para uso medicinal.

A crença popular de que Jesus Cristo, apesar de não ter sido um beberrão, tinha o hábito de beber moderadamente vinho alcoólico, e não só isto, mas que tenha também produzido deste vinho em grande quantidade nas bodas de Caná, tem moldado a opinião e a forma de agir de muitos cristãos quanto ao hábito de tomar bebidas fermentadas ou destiladas. A posição é esta: - "Se Cristo fez, recomendou e tomou vinho alcoólico, por que os cristãos não devem seguir o Seu exemplo?". É uma bela pergunta e que merece uma boa resposta.

Falemos então para começar sobre as Bodas de Caná na Galileia (João 2)

Ao analisar esta passagem é importante ter em mente qual o objetivo de Jesus ao realizar o milagre da transformação de água em vinho, que era manifestar a Sua glória como Filho de Deus e despertar a confiança dos seus discípulos na Sua capacidade de salvar o seu povo do pecado: "Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele." (João 2:11 )

Partindo deste princípio, crer que Jesus, sabendo que os convidados já "haviam bebido muito" (v.10), criou vários litros de vinho alcoólico (acredita-se que seria algo entre 500 e 700 litros) desrespeitando desta forma a clara vontade de Deus, para mim é uma ideia que vai além da mais desvairada imaginação. Senão, acompanhe comigo as seguintes passagens das Escrituras:

"Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações; e para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, e para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por meio de Moisés." (Levítico 10:9-11)

"O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio." (Provérbios 20:1)

"Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente" (Provérbios 23:31)

É inimaginável o Senhor Jesus iniciar seu ministério contrariando de tal forma a vontade do Pai, e contribuindo decisivamente para a embriaguez das pessoas presentes àquela festa:
"Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro! Ai de ti, que adiciona à bebida o teu furor, e o embebedas para ver a sua nudez!" (Habacuque 2:15)
E sendo Jesus Cristo o Filho de Deus, não seria questionar sua divindade, sabedoria e discernimento entre o bem e o mal afirmar que Ele teria servido vinho intoxicante em uma festa de casamento?

Falem o que quiser os defensores do álcool. Mas o que fica claro aqui é que Cristo jamais produziu por milagre um vinho maligno e destruidor, mas sim o bom e puro vinho, isto é, o natural e saudável suco de uvas.

E quanto à Santa Ceia do Senhor? Devemos usar vinho etílico ou suco de uva?

"Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma." (Levítico 17:11)

No Velho Testamento os pecados do povo de Israel eram expiados através de um sistema de sacrifícios onde o sangue de animais era vertido com esta finalidade. Porém, ao contrário do que muitos pensam, o sistema de sacrifícios não foi abolido no Novo Testamento, o que ocorreu foi uma alteração neste sistema. Ao invés do sacrifício de animais, tem-se agora um sacrifício muito mais excelente, um sacrifício definitivo, um sacrifício capaz de remir os pecados não apenas do povo de Israel, mas de toda a humanidade: O sacrifício de Jesus, o Cordeiro sem mácula, o Filho de Deus, que verteu o seu sangue como expiação pelos pecados do mundo. A Santa Ceia foi instituída por Jesus Cristo como um memorial a este sacrifício definitivo, e neste cerimonial foram instituídas as figuras do pão e do cálice.

Na instituição do cerimonial, Jesus nos informa que o conteúdo do cálice é o fruto da vide: "E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue; o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de meu Pai." (Mateus 26:27-29)

O problema posto aqui é: Qual é na verdade o fruto da vide ao qual Jesus se referiu? Vinho fermentado ou vinho não fermentado?

A Palavra de Deus nos dá as indicações necessárias para que saibamos, sem sombra de dúvidas, qual foi a bebida utilizada por Jesus na última ceia.

Moisés, sobre a comemoração da Páscoa, instrui o seguinte: "Sete dias comereis pães ázimos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao sétimo dia, aquela alma será cortada de Israel." (Êxodo 12:15)

O fermento, nas escrituras, está associado ao pecado e às falsas doutrinas: "Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós." (I Coríntios 5:6-7) "E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus." (Mateus 16:6) "Então compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus." (Mateus 16:12)

 O vinho fermentado e alcoólico não condiz com o pão ázimo (não fermentado), e não condiz com a instrução de Moisés sobre o fermento, e não condiz com a pureza necessária para que simbolizasse o sangue de Cristo. O vinho fermentado não é um fruto da vide. É um subproduto obtido através de um processo químico de fermentação que atua sobre as moléculas de açúcar do suco, alterando suas propriedades e gerando álcool etílico e dióxido de carbono. Assim o vinho fermentado não é mais o fruto da vide, é agora o fruto modificado em algo diferente, um subproduto. E como símbolo do puro e incorrupto sangue de Cristo um subproduto modificado não seria a melhor escolha, e certamente não foi a opção de Jesus em momento algum.
Desta forma chega-se à seguinte conclusão: O puro e natural suco de uvas, este sim um fruto da vide, foi o líquido utilizado para representar o sangue do Nosso Senhor na instituição da Santa Ceia.

Paulo deixa claro que a ceia do Senhor não é um momento festivo, mas um momento de séria reflexão, um momento solene no qual se faz necessária sóbria introspecção. Não cabem nesta hora a glutonaria e a bebedice que estavam ocorrendo na igreja de Corinto. Por esta razão o apóstolo Paulo coloca a ceia do Senhor em sua real perspectiva, ou seja, um memorial em que cada pessoa deve examinar-se frente ao sacrifício que o Filho de Deus fez na cruz como paga por nossos pecados. Em um momento como este o vinho fermentado, intoxicante e alucinógeno não é uma opção aceitável. Por todas estas inequívocas indicações dadas pela Palavra de Deus, eu defendo com toda veemência e convicção que o fruto da vide ao qual o Senhor se referiu é o próprio fruto espremido, o puro suco de uvas, o vinho não fermentado. Este é o cálice da ceia do Senhor e não um produto químico, que mesmo em poucas quantidades gera efeitos físicos e também pode suscitar um desejo de regresso ao vício para aqueles que estão na igreja justamente para se libertar de tal coisa. Assim, até mesmo por pura responsabilidade, nenhum pastor jamais deveria autorizar uso de vinho alcoólico na Santa Ceia.

E quanto ao argumento de que Paulo instruiu Timóteo a beber vinho por motivos medicinais? Este mesmo me parece o mais fraco dos argumentos levantados por seus defensores.
Comecemos pelo texto: "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro. Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades." (I Timóteo 5:22-23 )
Paulo instrui a Timóteo que não beba somente água, mas acrescente um pouco de vinho, por razões de saúde.

Alguns pontos devem chamar a atenção: Timóteo era abstêmio, pois tomava somente água. Paulo o instrui no verso 22 a conservar-se puro. A palavra "vinho", como já dissemos aqui, na Bíblia pode significar tanto o vinho alcoólico como o vinho não fermentado (suco de uvas). Paulo em I Timóteo 3:3, diz que o bispo (Timóteo era bispo), deve ser sóbrio. Somando-se todas estas informações a conclusão é direta: - O vinho recomendado por Paulo a Timóteo era o vinho não fermentado. E como pode ser comprovado por qualquer profissional sério da área médica, o vinho não fermentado tem muito mais valor medicinal que o vinho alcoólico. Ou alguém que me escuta neste momento seria capaz de defender que o álcool seja mais saudável que a poupa pura de uma fruta?

E se ainda assim houver insistência, eu lhes pergunto? Quantas pesquisas existem comprovando a presença de elementos medicinais na erva canabis e na própria folha de coca? Muitas, com toda certeza. Abriria isto um precedente para que o povo de Deus passasse a fumar maconha e cheirar cocaína? Logo, se houver qualquer benefício na presença do álcool, nenhum deles suplanta seus malefícios. E estes benefícios que houverem não estão presentes apenas no álcool, podendo, portanto, ser encontrados e usufruídos por outros meios mais saudáveis e lícitos.

Quero fazer aqui um alerta baseado na mais pura reflexão bíblica, teológica e exegética, pois é disso que nos propomos aqui. Não estamos em meio a um ringue de ideias que conflitam, mas somos uma família de cristãos em busca de uma verdade. Por isso, peço que acompanhem comigo algumas leituras.

"Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado. Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá. Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração falará perversidades. E serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro. E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez." (Provérbios 23:29-35)

Este texto é direto e incisivo: Não olhes, e obviamente não bebas, o vinho quando se mostra vermelho, resplandecente no copo e escoando-se suavemente.

"Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus." (Gálatas 5:19-21)

A bebedice é condenada como uma obra da carne e quem a comete vai para o inferno. Muitos entendem como bebedice, que é sinônimo de embriaguez, somente o estado de depravação completa causado pelo álcool, mas a própria medicina demonstra que o significado de embriaguez está muito além daquilo que imaginamos e o primeiro gole de qualquer bebida alcoólica é bebedice já em andamento, pois ninguém fica embriagado sem o primeiro gole.

"E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;" (Efésios 5:18) A passagem é translúcida: Não vos embriagueis com vinho. E novamente entra aqui o que se entende por embriaguez, e que como acabamos de falar, não se trata somente dos terríveis estados finais de intoxicação com álcool, mas todo o processo, iniciando-se pelo o primeiro gole.

"Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia" (I Timóteo 3:2-4 ACF)

Nesta passagem a expressão "dado ao vinho", quer dizer não obcecado pelo vinho, que não o procura com insistência. Como já foi demonstrado existem dois tipos de vinho, o fermentado e intoxicante e o não fermentado. Como no texto a palavra sóbrio foi traduzida da palavra grega nephaleos que tem dois significados: comedido e em ausência de álcool, fica claro que o pastor (que deve ser exemplo para o rebanho) não deve tomar qualquer quantidade de bebida alcoólica e ainda procurar ser comedido, não dado ao vinho não fermentado, evitando assim a glutonaria, pois naquele contexto haviam grandes banquetes regados a suco de uva. Apesar do texto ser específico ao referir-se diretamente ao pastor, as características expostas são esperadas de qualquer cristão. Seria de se admitir que um cristão fosse repreensível, polígamo, desatento, desonesto, inóspito, inapto para ensinar, espancador e cobiçoso de torpe ganância? A resposta é não. E porque então a resposta seria sim ao se tratar a questão da bebida e de ser dado ao vinho? A resposta continua sendo não. O cristão deve ser sóbrio e não deve ser dado ao vinho, assim como o pastor.
"Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;" (I Pedro 5:8)

Esta passagem a exemplo da anterior instrui o cristão a ser sóbrio. Mas, além disto instrui o cristão a vigiar, porque o diabo está atento e pronto a tragar a quem possa. A embriaguez se estabelece com o primeiro gole de uma bebida alcoólica, pois já compromete as funções mentais. Como, pois manter-se vigilante com as funções mentais comprometidas?
"Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus." (I Coríntios 6:19-20)

Cada um é mordomo de seu próprio corpo, não o dono, mas simplesmente o mordomo. Deve-se então ter grande cuidado para com sua manutenção. Já que este corpo pertence a Deus aquele que o alcooliza é contrário à instrução divina. Não está, portanto, sendo um mordomo fiel deste valioso bem que Deus lhe confiou.

Àquele que foi resgatado pelo sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo é exigido que não se contamine com nenhuma substância alcoólica, mesmo que em pequena quantidade. Não é moderação, é repúdio. A tolerância da Palavra de Deus para este tipo de bebida é nenhuma. As pessoas que tentam encontrar base bíblica para a ingestão de bebidas alcoólicas, seja em que quantidade for, estão apenas tentando encontrar base para a satisfação de seu desejo carnal ou de seu vício, e de forma alguma estão fazendo a verdadeira vontade de Deus. Fuja do álcool como José fugiu da mulher de Potifar.

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