sábado, 8 de abril de 2017

O CRISTÃO E OS GOVERNOS HUMANOS. O QUE DIZ A BÍBLIA?


Os cristãos estão no mundo, mas não devem ser do mundo (João 15:17). Os cristãos vivem no mundo como peregrinos, considerando-se cidadãos do céu (Filipenses 3:20). Entretanto, os cristãos também têm responsabilidades como cidadãos dos países da terra. Como pode um cristão conciliar os conflitos entre suas duas cidadanias, a terrestre e a celestial? O que as Escrituras ensinam sobre os governos nacionais e a responsabilidade de um cristão para com eles? Este é o desafio que o Espírito Santo nos propõe para entendimento neste presente momento.

A pergunta que pretendiam usar como armadilha deu a Jesus a oportunidade para Ele definir a relação básica de um cristão com o governo humano. Veja a pergunta: "É lícito pagar tributo a César, ou não?" (Mateus 22:17). Os inimigos de Jesus pensaram que tinham maquinado uma armadilha perfeita, uma espécie de dilema sem saída. Se Jesus dissesse para pagar os impostos, Ele não só ficaria impopular (porque os judeus odiavam ter que pagar impostos aos dominadores romanos), mas também poderia ser retratado como sendo contra Deus, uma vez que Deus exige fidelidade exclusiva. Mas, se Jesus dissesse para não pagar, Ele seria preso pelos romanos, por traição. A maneira como Jesus resolveu o dilema foi impressionante. "Jesus, porém, conhecendo-lhes a malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mateus 22:18-21). Jesus pediu uma moeda e perguntou o nome e a imagem de quem estavam nela. É claro, essas moedas eram propriedade de César: Elas tinham sua assinatura e sua imagem nelas. Segundo a lógica administrativa do império, os judeus estavam recebendo os benefícios da dominação romana e tinham obrigação de pagar pelo que eles estavam recebendo e devolver a propriedade de César quando exigida. Ao evitar essa armadilha, Jesus lançou um princípio básico regulando a relação do cristão com o governo: o homem tem uma dupla natureza e uma dupla cidadania. O homem tem responsabilidade para com o governo, no campo civil e para com Deus, no campo espiritual.

Normalmente, é possível dar tanto a Deus como ao governo o que lhes é devido. Em geral, quando alguém se torna um cristão, ele não se retira do mundo nem corta todas as relações terrestres, mas leva os princípios cristãos para cada relacionamento da vida (I Coríntios 7:17-24).

Paulo ampliou estes pontos e deu uma explicação mais completa do papel do governo no plano de Deus. "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores: porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra" (Romanos 13:1-7). Paulo mostrou que as autoridades superiores são estabelecidas por Deus. Deus é o rei e o soberano sobre as nações (Salmo 47; Daniel 4; Jeremias 18:5-10). Deus estabeleceu autoridade em muitas áreas da sociedade. Na família, por exemplo, Deus estabeleceu o esposo e o pai como autoridades. Do mesmo modo, Deus constituiu o governo civil como a autoridade da nação. Deus instituiu o governo civil para servir como seu ministro para o bem: para louvar o que é direito e para vingar o mal. Princípios de justiça e direito são o alicerce do governo do universo, por Deus, e foram planejados por Deus para serem, do mesmo modo, o alicerce dos princípios do governo civil (Salmo 89:14-15; Jeremias 22:1-5; Provérbios 14:34).

O uso que Deus faz do governo para punir o mal é importante. No contexto (Romanos 12:17-21), Deus proibiu os indivíduos de vingar o mal pessoalmente. Deus é o vingador. Então, no capítulo 13, vemos que um dos meios que Deus usa para punir o mal é o governo civil. Este capítulo autoriza o governo a usar a espada, para executar a pena de morte (Romanos 13:4). Isto está de acordo com um princípio básico de justiça e direito revelado por Deus, muito no começo da história humana: "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem" (Gênesis 9:6). Hoje em dia, esta tarefa de executar a justiça por meios de castigar os malfeitores deve ser feita pelo governo (veja também I Pedro 2:13-17). O governo tem o direito dado por Deus para usar os princípios da justiça para punir os malfeitores.
O cristão tem certas responsabilidades em relação ao governo:

1. O cristão deve orar pelos funcionários do governo (1 Timóteo 2:1-2).

2. O cristão deve pagar os impostos (Mateus 22:21; Romanos 13:6-7). É errado o cristão deixar de pagar os impostos que ele legalmente deve. Deus espera que o cristão aja com honestidade e integridade em todas as áreas da vida.

3. O cristão deve obedecer ao governo e suas leis (I Pedro 2:13; Romanos 13:1-2, 5). De fato, Deus espera que o cristão respeite e se submeta à autoridade de todas as formas (Tito 3:1). Uma atitude revolucionária é condenada (Provérbios 24:21-22). Não há, na Bíblia, nenhuma passagem que especifique uma forma particular de governo (democracia, república, monarquia, etc.); o cristão deve submeter a qualquer tipo de governo que tem o poder. Em resumo, os cristãos obedecem à lei.

4. O cristão deve honrar o governo (Romanos 13:7; I Pedro 2:17). Tem que ser cuidadoso para não difamar os funcionários do governo (Judas 8-10).
Perante estes princípios são claros das Escrituras eu particularmente descarto como correto qualquer envolvimento de um filho de Deus em partidos ou ideologias que evoquem desobediência civil ou façam oposição sistemática ao poder constituído. As armas do cristão são espirituais e não políticas.

Todavia, isso não significa que Deus exija uma subserviência cega e covarde ante os poderes constituídos pelos governos humanos. Há um limite básico para a obediência do cristão ao governo: ele tem que obedecer a Deus antes que ao homem (Atos 5:29). O cristão não pode nunca permitir que qualquer autoridade, de qualquer tipo, suplante a autoridade de Cristo. A autoridade de Cristo está acima da autoridade do pai, do esposo, do presbítero da igreja, do chefe no trabalho ou do funcionário do governo. Nunca podemos desculpar a desobediência a Deus baseados em alguma lei ou decisão do governo. Temos que obedecer a Deus antes que ao homem!

Pense numa ilustração moderna. Algumas vezes, as pessoas se valem das leis liberais do governo, a respeito do divórcio, para desculpar sua ignorância do que Deus disse. Basicamente a Bíblia condena o divórcio (Mateus 19:6) e diz que as pessoas que estão casadas segunda vez por razões meramente carnais, estão cometendo adultério (Mateus 5:32; Marcos 10:11-12; Lucas 16:18; Romanos 7:2-3). Uma exceção é dada: aqueles que se divorciam de seus cônjuges por infidelidade sexual podem tornar a se casar (Mateus 19:9). Frequentemente, o governo permite o divórcio e novo casamento por outras razões. Não podemos nunca pensar que a permissão do governo, automaticamente, significa a aprovação de Deus. Historicamente, os governos têm aprovado tudo, desde a idolatria até o assassinato. Mas, com permissão do governo ou não, um cristão jamais tem o direito de desobedecer a Deus nestas e em outras matérias.

Deus autoriza a existência do governo civil e manda os cristãos obedecerem. Mas, como em qualquer relacionamento humano, as expressas ordenanças de Cristo têm mais autoridade do que as ordens de qualquer homem ou instituição.

E, para finalizar, uma importante pergunta: O cristão deve ser político ou apolítico? 

Na minha mais sincera opinião o cristão informado deve se envolver em política. Política no sentido geral é trabalhar para o bem comum da sociedade. Política pode envolver ajudar pessoas em necessidade, alertar as autoridades e ajudar a resolver problemas ou até trabalhar no governo. A Bíblia nos chama a cuidar dos outros e a ser uma bênção em tudo o que fazemos (Tiago 1:27).

Todo o crente pertence ao Reino dos Céus. Mas isso não significa que não pode se envolver na política do seu país. O cristão, enquanto vive aqui na terra, tem dupla nacionalidade. Isso significa que tem direitos e deveres para com o seu país terrestre e com o seu país eterno.

Ignorar a política numa sociedade democrática é uma postura irresponsável. Como cidadãos temos o poder para escolher quem vai governar. Se não o fizermos também não temos direito de nos queixar quando um governador ruim é eleito, porque o nosso voto podia ter colocado uma pessoa mais honesta e competente no seu lugar. É também o dever de todo o cidadão crente exigir que seus governantes sejam íntegros e cooperar com eles para melhorar a sociedade (I Pedro 2:13-14).

Em quem o cristão deve votar?

O cristão deve votar em quem ele acredita que vai fazer o melhor para a sua sociedade e essa é uma decisão soberana da sua própria consciência. A Igreja jamais deve impor a postura política de suas ovelhas. Isso é crime eleitoral e uma transgressão aos princípios morais e éticos estabelecidos pela Palavra de Deus. Antes de votar, porém, é muito importante analisar com cuidado as opções e o que cada candidato pretende fazer, não só a sua propaganda e nem o fato deste ser crente. Aliás, quero deixar bem claro aqui que crente não vota em crente – crente em vota em pessoas competentes e que no seu julgamento sejam honestas. Um candidato pode ser muito carismático, mas seus planos podem estar completamente desajustados com as necessidades do povo. Também é muito importante orar e pedir orientação a Deus na sua escolha. E mesmo que seu candidato não ganhe, ore pelo governo, para que seja sábio e traga paz (I Timóteo 2:1-2). Foi Deus que deu autoridade ao governo, mas se deixarmos Deus de fora, quem assume o comando é o diabo.

O cristão pode ser político?

Sim, um cristão pode ser político, se esse for o seu chamado. Tal como qualquer outra profissão, a política tem muita corrupção. Mas o cristão que entra nesse meio precisa ser um exemplo de integridade, pedindo sempre forças a Deus para fazer o que é correto. Como crente você também pode fazer campanha de maneira honesta, sem mentir, sem comprar votos e sem fazer luta suja contra outros candidatos. Não podemos esperar que ímpios sigam a vontade de Deus, por isso é muito importante formar crentes fortes e prontos para fazer a diferença na política.

Temos vários casos na Bíblia de homens de Deus envolvidos na política, até mesmo em países ímpios como o Egito (José) e a Babilônia (Daniel, Neemias). Esses homens tinham um dom para governar e foram usados de maneira poderosa por Deus. Também na História temos casos de bons políticos cristãos. Dois exemplos foram Abraham Lincoln dos Estados Unidos e William Wilberforce na Inglaterra, que aboliram a escravatura em seus países.
Se você tem um dom para esta área e sua comunidade está em crise, porquê não servir como um bom político? O mesmo se aplica a qualquer outra atividade ou dom. Deus recompensa os íntegros, que fazem um bom trabalho (Salmos 37:37).

Mas atenção! Ser cristão não qualifica ninguém para ser político, tal como não qualifica para ser arquiteto ou qualquer outra coisa. É preciso formação adequada. Também não é correto a meu ver que um pastor ocupe cargos políticos ou se lance candidato. Essas são duas atividades incompatíveis. É melhor servir ao ministério, a não ser que o chamado jamais tenha ocorrido. A Igreja pode ensinar sobre a importância da política, mas não deve apoiar candidatura de ninguém e muito menos admitir seu púlpito sendo ocupado para outro propósito que não seja a pregação da Palavra. A escolha é individual, de acordo com a consciência de cada um. Pastores que se candidatam dão indício de que não têm chamado de Deus nem para o ministério e nem para a política. Igrejas que se corrompem nas eleições se tornam prostitutas da fé e lançam na indecência a pureza do evangelho.

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