quarta-feira, 12 de abril de 2017

CRISTÃOS EM CIMA DO MURO. A JORNADA DOS INCECISOS


Está escrito em I Coríntios 1:18 que a Palavra da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para nós que somos salvos é poder de Deus. Ser um seguidor de Jesus é ser um “maluco”, alguém que é diferente do padrão do mundo. Se dissemos que somos cristãos, mas ninguém que convive ao nosso redor percebe que somos cristãos, então há algum problema. O cristão é alguém que vive de maneira diferente, que anda na contramão, e as pessoas percebem. 

Pensando nisso, eu gostaria de trabalhar três perguntas.
1. Por que o cristão anda na contramão?
2. Será que as pessoas sabem que você é um cristão? Será que as nossas atitudes são típicas de alguém que se diz cristão?
3. Será que você tem medo do que as pessoas vão pensar a seu respeito por ser um seguidor de Jesus? 
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1. POR QUE O CRISTÃO ANDA NA CONTRAMÃO?

Dizemos que somos seguidores de Jesus, mas Jesus é invisível e impopular. Jesus não é um tipo de celebridade que podemos seguir no Twitter e, além disso, Ele ensinou coisas bastante difíceis de serem cumpridas. Por exemplo:
“Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mateus 5:28).
“Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mateus 5:44-45).
Muita gente acha os ensinamentos de Jesus e os demais ensinamentos da Bíblia bonitos, até terem que colocá-los em prática. A verdade, porém, é que os ensinamentos da Bíblia contrariam a nossa natureza pecaminosa, desagradam a nossa carne. Então, muita gente prefere continuar vivendo sem a interferência de Jesus em suas vidas. Se de fato somos seguidores de Jesus, a Bíblia é o nosso manual de vida e, quando vivemos o que esse manual de vida nos ensina, nosso estilo de vida nos faz diferentes do mundo. A Bíblia nos ensina que a nossa identidade não pode ser confundida com a do mundo.
Romanos 12.2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Existe uma filosofia de vida no mundo que é destruidora e não podemos nos submeter a ela (o mundo jaz no maligno). Nosso estilo de vida não pode ser confundido com as práticas do mundo. Existe um contraste muito grande entre o filho de Deus e o ímpio. No próprio texto de Romanos, Paulo nos mostra isto. Há um contraste entre as palavras “conformar” e “renovar”. A mente conformada é uma mente obscurecida pela filosofia do mundo. O conformismo nos faz aprovar e praticar as ações do mundo. Começamos a pensar que nosso estilo de vida é aceitável, normal. Isso nos impede de vivermos a boa vontade de Deus. Uma mente mundana, conformada, é como um espelho empoeirado: enquanto ele não for limpo de toda a sujeira, não poderá refletir a luz do sol. Se você possui vida dupla, um crente na igreja e um mundano em casa ou na rua, então seu espelho está sujo e o pecado não lhe mostra sua verdadeira face. Então, um cristão não se adequa aos padrões deste mundo. Este mundo, na verdade, é apenas nossa seara de trabalho, pois nas demais coisas nele somos forasteiros.
2. SERÁ QUE AS PESSOAS SABEM QUE VOCÊ É UM CRISTÃO? SERÁ QUE SUAS ATITUDES SÃO TÍPICAS DE ALGUÉM QUE SE DIZ CRISTÃO?

Um exemplo de homem temente a Deus e que não se conformou com este mundo é Daniel. No capítulo 1 de Daniel, vemos que o rei Nabucodonosor estava à procura dos melhores homens para servirem na Corte. Daniel, Hananias, Misael e Mesaque foram escolhidos.
Daniel 1.8: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”.
A comida e a bebida que Daniel recusou não eram preparadas de acordo com a lei e, provavelmente, eram consagradas a ídolos. Daniel decidiu não se envolver com o mundo. Daniel foi ousado e andou na contramão. Ele foi fiel a Deus.
Será que faríamos a mesma coisa no lugar de Daniel? Honraríamos a Deus? Ficaria claro para o rei que somos tementes a Deus? Imagine se seu patrão pedisse para você fraudar alguém, um cliente. Ou então se um colega de classe deixasse você colar na prova ludibriando seu professor. Qual seria a sua reação? E quanto ao seu comportamento em casa? Que tipo de sacerdote você é em seu lar e que exemplos espirituais passa à sua família? Sua conduta é bíblica ou mundana? Você dedica mais tempo à Bíblia ou se empanturrando de imundícies nas redes sociais e na tv? Quais são as canções que deleitam sua alma: cânticos espirituais de adoração, lixo gospel ou você já alcançou o mais alto degrau de carnalidade a ponto de mesmo sendo crente e talvez até batizado, aprecie músicas mundanas, repletas de princípios anticristãos e ritmos carnais? Afinal de contas, quem realmente é você? O ator que encena seu teatro religioso na igreja ou o hipócrita da sociedade, que escandaliza o evangelho carregando o nome de Cristo na aparência e fazendo a vontade do diabo no modo de agir?
1 João 2.15 diz: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”.
Deus quer que sejamos santos, que sejamos separados do mundo. As pessoas saberão que somos cristãos com a nossa santidade e piedade.
Que sentido faz eu dizer que sirvo a Deus se meu modo de agir, de falar e minhas predileções são iguais às daqueles que não servem a Deus? Se sou cristão, essa minha identidade deve ficar clara a todos. Se somos filhos de Deus, temos que vestir a camisa de Cristo e não a do mundo. De nada adianta dizermos que somos cristãos se nossas atitudes não demonstram isso.
Deus é glorificado em nossas vidas quando nossas atitudes, nossa identidade, influenciam outras pessoas e a nossa cultura. Jesus disse que devemos ser sal. O sal dá sabor ao alimento. Sem sal, o alimento fica sem graça, sem sabor.
 O que será do mundo sem nós? Nós, por meio da capacitação do Espírito Santo, somos os responsáveis em dar algum equilíbrio a este mundo caído e isso acontece ao andarmos na contramão. Não é fácil andar na contramão, mas essa é a prova de que morremos de fato para o mundo. Uma coisa morta pode seguir arrastada pela correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la e nadar contra ela. Você está vivo ou morto?
Andar na contramão indica que estamos vivos, que estamos lutando. Ao andarmos na contramão, pessoas se conflitam conosco, mas é nessa circunstância que devemos deixar a marca de Cristo nestas mesmas pessoas. Nadar contra a correnteza impede que a correnteza cresça. Traz um equilíbrio.
3. SERÁ QUE VOCÊ TEM MEDO DO QUE AS PESSOAS VÃO PENSAR A SEU RESPEITO POR SER UM SEGUIDOR DE JESUS?

Muitas vezes no inicio de minha caminhada, no bairro onde morava e na escola eu tive vergonha de dizer que era cristão. Por que será que fazemos isso? Paulo escreve em Romanos 1.16-17: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá pela fé”.
Se realmente entendemos quem é Jesus e o que Ele fez por nossas vidas, não devemos nos envergonhar do evangelho e muito vemos envergonhar o evangelho por meio de uma vida e um testemunho que não lhe sejam condizentes.
Em Atos, vemos que os apóstolos tinham tanto orgulho de serem cristãos que estavam prontos a sofrerem grande violência por causa disso.
Atos 5.40-42: “Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome”.
Em contraste com essa cena de Atos, nós também nos deparamos com Pedro que negou a Jesus por três vezes. Pedro, porém, foi restaurado e se tornou um grande apóstolo. Se realmente entendemos quem é Jesus e o que Ele fez por nossas vidas, não devemos nos envergonhar do evangelho. Isso faz parte de andarmos na contramão.
Muitas pessoas dizem que não se adequam aos padrões do mundo moderno e se revoltam, criando suas ideologias. Quando essas pessoas fazem isso, porém, estão fazendo por motivos que pertencem a este mundo. Com os cristãos é diferente. Dizemos que não nos adequamos aos padrões do mundo moderno porque sequer pertencemos a este mundo. Somos apenas forasteiros e peregrinos por aqui.
Devemos olhar para o eterno, para a cruz de Cristo. Cristo entregou sua vida por nós, pagou um alto preço, para que vivêssemos de um modo digno daquilo que Ele nos ensinou (Ef 4.1), para que não nos conformássemos com este mundo, mas que fôssemos sal, o tempero dele. É fácil fazer isto? Claro que não é. Se eu fosse te recomendar uma religião para lhe fazer sentir confortável certamente não lhe recomendaria o Cristianismo. A verdade nem sempre é fácil. Por isso a fé cristã não cabe em covardes e hipócritas. Ela é uma prerrogativa de pessoas honestas consigo mesmas e com Deus. Há uma oportunidade de restauração para todos que arrancam suas máscaras e assumem sua verdadeira natureza, mostrando seu caráter. Mas aqueles que vivem como se não tivessem caráter, em cima do muro, tentando conciliar o irreconciliável, tentando unir luz e trevas, são como a igreja de Laodiceia e estão a ponto de serem vomitados pelo reto juízo de Deus. Tome cuidado se esta for a sua situação.

Seja sal na sua escola, no seu trabalho, na sua família. Viva uma vida santa para Deus e não deixe sua identidade ser confundida com a do mundo. Ser cristão é andar na contramão.

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