terça-feira, 28 de março de 2017

TODOS OS RITMOS MUSICAIS SÃO ACEITÁVEIS NO CULTO CRISTÃO?

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores

adorarão o Pai em espírito e em verdade;

porque o Pai procura a tais que assim o adorem.”

(João 4:23)



Não é de hoje que eu tenho me preocupado e venho alertando o povo de Deus acerca dos efeitos fisiológicos e psicológicos da música. E, em razão de sempre receber, via e-mail, toda semana, dezenas de perguntas sobre o assunto, tomei a decisão, após consultar ao Senhor em oração, de voltar a abordar o tema ritmos música e louvor aqui no Grupo Teólogos da Verdade.

Nesta minha humilde e sincera fala eu reitero o que já tenho afirmado há mais de 25 anos: que nem todos os estilos musicais são saudáveis e servem para o louvor, que há uma perigosa mentira nascida no inferno e com a qual satanás ilude muitos cristãos, a saber, a afirmação de que Deus é o criador de todos os ritmos musicais. E que somente a ausência do conhecimento dos efeitos da música, atrelada à falta de fundamentação bíblica e temor de Deus, podem levar alguém a acreditar que é possível louvar a Deus com todo e qualquer estilo musical, como rock, funk, forró, lambada, danças coreografadas, samba, pagode, axé, etc.

No mundo, a música é usada como ferramenta ampla de conhecimento e de transformação do homem. Mas não podemos descartar a possibilidade inversa. A música pode sim alterar a consciência e levar ao sentimento de êxtase, independentemente de a letra ser cristã ou mundana. Ela, em si, tem poder. E, de modo nenhum, pode ser considerada neutra.

Longe de ser apenas uma experiência estética, o exercício da música é também uma experiência fisiológica, biológica, psicológica e mental, com o poder de fazer o ser humano experimentar estímulos e sensações. Nesse caso, como descartar os seus efeitos negativos? É ingenuidade pensar que letras cristãs anulam o poder da música ou simplesmente santificam todos os ritmos.
À luz da ciência contemporânea, a música é considerada uma força capaz de exercer ação psicofisiológica. Agindo através de seus elementos constitutivos — ritmo (elemento ativo), melodia (elemento afetivo) e harmonia (elemento intelectual) —, a música tem sempre o poder de nos alcançar, e contra isso somos relativamente indefesos. Ela se constitui verdadeiro objeto material que, ao entrar pelo ouvido, enraíza-se no “eu”, inserindo-se num esquema afetivo e estimulando atividades emocionais e corporais.

A música permite que o ouvinte se revele na escuta sem que ele mesmo se dê conta. São três os sistemas que possibilitam a percepção do som: o sistema de percepção interna, o sistema visual e o sistema tátil (ou sensório-tátil), este último, o mais importante dos três.  Resumindo, pode-se afirmar que os sons entram no “eu” não apenas pelo ouvido, mas também pela pele, pelos músculos, ossos e sistema nervoso autônomo.

Diante do exposto, não existe música inocente ou neutra! Ela é o resultado da combinação e sucessão de sons simultâneos de tal forma organizados, que a impressão causada sobre o ouvido seja agradável ou desagradável, e a impressão sobre a inteligência seja compreensível, e que tais impressões tenham o poder de influenciar os recantos ocultos da alma humana e de suas esferas sentimentais, e que esta influência transporte o ouvinte para uma terra de sonhos, de desejos latentes, ou para um pesadelo infernal. Aliás, o uso de determinadas músicas é uma das causas para o chamado “cair no Espírito”, empregado por animadores de auditório, que se fingem de pastores, e pelos seus discípulos espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

Muitos afirmam que não importa o estilo musical, e sim a letra. São pessoas mal intencionadas ou desinformadas, pois negam ou ignoram que a música é polissêmica; tem sentidos plurais. Ela é uma ferramenta valiosa no campo da saúde (musicoterapia) e também no âmbito da educação, porque é dotada de uma dimensão alucinógena, inconsciente e sexual, o que possibilita acesso ao nosso “eu”. Com essas considerações podemos sugerir que a música não é marcada pela neutralidade ou irracionalidade. Ela, em si mesma, é um discurso orgânico, lúdico, lógico e com sentido.
De posse desses conhecimentos, uma poderosa indústria fatura milhões, fabricando falsos artistas, manipulando e enganando as emoções de pessoas vazias, levando-as á histeria e à idolatria consumista. Os ritmos fazem parte dessa estratégia de escravidão capitalista. Com o chamado “mercado da música gospel” não é diferente. A adaptação de ritmos mundanos com inserção de letras supostamente cristãs são apenas a isca para faturar à custa de crentes enganados e desprovidos de entendimento bíblico. Não é a toa que são os mesmos ritmos que fazem sucesso no mundo. A estratégia e a finalidade são as mesmas. Só os métodos mudam.

Como, pois, afirmar que todos os estilos servem para o louvor? Diante de tantos fatos científicos, como cantores, pastores e escritores evangélicos podem continuar abraçando essa falácia de que as letras cristãs neutralizam os efeitos da música? Tudo isso deve nos fazer lembrar, mais uma vez, do crivo mencionado em Filipenses 4.8: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

A verdadeira música cristã não é rotulada por um ritmo. Aliás, ela costuma ser indefinível nesse aspecto. Ela é caracterizada por seus efeitos interiores: fé, quebrantamento, arrependimento de pecados, adoração e estímulo para as práticas que agradam a Deus. É algo muito diferente de qualquer coisa que se assemelhe a essa verdadeira farra mundana, que  torna rádios evangélicas iguais às do mundo, que transforma a igreja num palco e shows que em nada deixa a desejar perante aquilo que o mundo pratica e aplaude. Algo que em vez de aceitação, deveria suscitar vergonha em todos nós.

Que Deus levante músicos e líderes de louvor compromissados com a Palavra de Deus e dispostos a usar a boa música, apropriada para o louvor, na casa de Deus. Só assim ficaremos livres dos efeitos de estilos mundanos e diabólicos, como funk, heavy metal, axé, forró, entre outros, que aos poucos — em razão das influências do secularismo — vêm invadindo os templos evangélicos.

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