quarta-feira, 22 de março de 2017

PREGADORES MIRINS. BENÇÃO OU EXPLORAÇÃO?


Em quero confessar aos irmãos que fui fortemente motivado a trazer esta pauta para nossa apreciação depois que assisti uma matéria veiculada por um famoso canal de tv fechada acerca do menino de 11 anos, chamado Terry Durham, que foi ordenado a pastor pela própria avó e prega todos os domingos para os membros da sua comunidade. Além de fazer preleções em sua igreja na Flórida, o menino também aceita convites para pregar em outras igrejas.

Casos como os de Terry são muito mais comuns do que se imagina por todo o mundo, principalmente em igrejas recém formadas e sem uma base doutrinal sólida. No Brasil, tenho conhecimento de várias crianças que são lançadas ao púlpito com a responsabilidade de ministrarem pregações em suas igrejas. Temos até mesmo uma menina (uma criança) também ordenada pastora e que, inclusive, já pregou no famoso e polêmico congresso pentecostal Gideões Missionários de Camboriú. Recentemente eu obtive uma mensagem enviada por um missionário amigo no Peru, o qual me disse que por lá não é diferente. Ele me falou de Narareth Castillo, hoje com 13 anos de idade, mas que iniciou no “ministério” aos 3 anos e que brilha como uma estrela pentecostal naquele país! Recentemente tive a oportunidade de ouvir a respeito de outro menino peruano, de 09 anos. Infelizmente não pude gravar o seu nome, mas segundo consta, o nome nesse caso é um fator irrelevante, porque ele é conhecido na verdade não pelo seu nome mas pela alcunha: Niño predicador.
Muito diferente de uma situação espontânea e natural, a “decoreba”, em todos esses casos, pode ser detectada facilmente. O uso de palavras empoladas e de jargões enciclopédicos, evidenciam a falta de naturalidade e desmascaram o adulto manipulador (geralmente um dos pais), que faz da criança um mero boneco de ventríloquo ou um papagaio ensaiado. As razões são muitas, e variam desde a vaidade paterna até a cobiça de ganho material com as “pregações” dos pequeninos, e geralmente o segundo fator tem preponderância sobre o primeiro.
Eu fico indignado ao extremo quando vejo a tremenda publicidade que os pastores fazem às custas dos pregadores mirins, dando muito mais ênfase a quem eles são do que ao que eles pregam. Na verdade, trata-se apenas de entretenimento, de uma tentativa desesperada de aglomerar as gentes usando como isca algo fora do comum, de modo que já não é mais Cristo ou o seu evangelho que atrai os pecadores, e sim o ídolo infantil. Por mais que essa verdade doa a alguns, este é um fato incontestável – pelo menos na maioria esmagadora dos casos.
Vejo um triste fenômeno acontecendo nas igrejas hoje: em geral, a pregação de um adulto está fora de moda porque não é engraçada, não é fora do comum, não possui apetrechos circenses, e não atrai multidões. Trata-se de simples preleção. Já quando a criança assume o posto do pregador, aí é diferente: é muito mais engraçado, é bonitinho, é diferente e legal…
Em uma dessas cruzadas promovidas às custas das crianças, o folheto-convite dizia: “Venha ver o menino que só tem “xis” anos e já prega! Se você tem depressão angústia, insônia, problemas famíliares ou qualquer outro problema, venha hoje às “xis” horas que o menino pregador estará orando por você, e todos os seus problemas se solucionarão!”. Está surpreso? Pois assim é a religião do frenesí, do entretenimento, do espetáculo e do anormal. Hoje descobriu-se que o povo gosta de euforia, de forma que na “igreja” já não há espaço para pregadores comuns. E não importa se essa criança está perdendo aulas para pregar, se a pregação foi decorada à força e debaixo de correia, e se toda essa pressão e responsabilidade ocasionarão danos psicológicos terríveis no futuro; o negócio é fazer o circo pegar girar e o cassino render!
Jesus, o Filho de Deus, aparece pela primeira vez falando em público no Templo aos 12 anos de idade, mas as estrelinhas mirins de nossos dias começam a pregar com 3 anos! (vide caso Nazareth Castillo). E assim, adultos espertalhões e pastores ambiciosos roubam-lhes a infância e enchem-nas de responsabilidades tão árduas, que muitas vezes nem mesmo adultos conseguem aguentar.
Ainda falando na religião do espetáculo, não posso deixar de mencionar a passagem de Mateus cap. 4, onde o Diabo sugere que Jesus pule do pináculo do templo. “É simples, Jesus: o senhor pula lá em baixo e quando estiver quase se estabacando no chão, aí aparecerão os anjos que, de um modo incrivelmente espetacular, te salvarão no ultimo instante. Assim todo mundo vai crer em ti”. Não há dúvida de que este grande espetáculo da fé atrairia multidões, dando o maior IBOPE para o ministério do Rabí. Contudo, contrariando a tendência evangelicista marqueteira, Jesus não aceitou a proposta diabólica: não era através do pináculo que Jesus pretendia atrair as multidões, mas através do sofrimento na cruz.
Infelizmente, os líderes cristãos de hoje estão promovendo um cristianismo diferente, onde a cruz é substituída por um pináculo, de onde os adultos arremessam crianças indefesas. No afã de reunir multidões, renuncia-se à cruz e apregoa-se o espetáculo. De cima do pináculo, apresentam os pequeninos como oferenda não à Deus, e sim como oferta de sacrifício para uma turba envaidecida e viciada em tudo que é anormal.
Que o Espírito Santo nos encha de Bíblia no coração e de vergonha na cara. Quem deseja ver seus filhos no caminho do evangelho, ore por elas, ensine-as a Palavra e acima de tudo lhes dê exemplo dentro de casa. É isso que torna uma criança encaminhada a Cristo e não fazendo-a de atração circense dentro da Igreja. Que Deus tenha misericórdia desta geração!

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