segunda-feira, 27 de março de 2017

O QUE SIGNIFICA USAR A VARA PARA INSTRUIR OS FILHOS?


“A tolice está ligada ao coração do rapaz; a vara da disciplina é a que a removerá para longe dele.” (Provérbios 22:15)


Eu me sinto sempre muito a vontade para falar daquilo que eu entendo como sendo a maior conquista e a maior riqueza que eu possuo neste mundo: Minha família. Quando tive a confirmação do meu chamado para o ministério há mais de 20 anos eu já entendia pelas Escrituras que eu jamais seria um pastor aprovado na Obra se eu não fosse um sacerdote e pai bem sucedido dentro do meu lar. Por isso, minha experiência como pai, que já dura 20 anos, sempre foi uma prioridade e nesta prioridade meu empenhei mais até do que nos exaustivos estudos teológicos que me trouxeram até aqui.

Não posso deixar de reconhecer e admitir que a criação de um casal de filhos para duas pessoas tão jovens como éramos eu e minha esposa naquela ocasião, seria um experiência extremamente desafiadora. Muitas vezes nos deparávamos com situações conflitantes e as dificuldades se apresentavam a cada dia. Mas ao longo de todos esses anos, três práticas jamais faltaram todos os dias em meu lar: Oração, Bíblia e Testemunho. Se existe uma estratégia eficaz para a criação de filhos, ela perpassa por orar diariamente com eles e por eles, ensiná-los incansavelmente o temor do Senhor e as verdades das Escrituras e o mais importante – jamais praticar nada que contradiga aquilo que lhes foi ensinado.

Por isso, eu repito que me sinto muito confortável para falar no assunto por um motivo bastante claro. Sei que há muitas interpretações para o que seja o termo “Vara” citado em provérbios, mas a verdade é que eu nunca levantei a mão para agredir fisicamente meus filhos, como forma pedagógica ou disciplinar. Hoje, 27/03/2017, meu filho mais velho está com 20 anos, cursando a faculdade de Direito; minha filha mais jovem aos 17 anos está dando os primeiros passos na faculdade de Arquitetura, ambos são crentes legítimos em Jesus, e eu sou um pai profundamente orgulhoso e imensamente feliz por esta conquista. Meus filhos são meu maior tesouro e por isso eu tenho muito interesse em ajudar outros pais que me ouvem e obterem esta mesma felicidade.

Mas será que a Bíblia Endossa a punição física? O que você acharia se alguém lhe desse os seguintes conselhos:

• “Não trate os seus filhos de tal maneira que eles fiquem irritados.”
• “Não irrite os seus filhos para que não caiam em desânimo.”

Certa vez fiz essa pergunta a um pai e ele me disse que isto é muito mais razoável do que o conselho da Bíblia, de usar a vara. Mas o que ele não sabia é que estes são conselhos que estão na Bíblia. Eles estão registrados em Efésios 6:4 e Colossenses 3:21.

Sim, o ponto de vista da Bíblia é razoável. Ela reconhece que a punição física em geral não é o método mais eficaz de ensino. Provérbios 8:33 diz: “Escutai a disciplina”, não diz: ‘Senti a disciplina.’ E Provérbios 17:10 salienta que “uma censura penetra mais em quem tem entendimento do que golpear cem vezes um estúpido”. Ademais, Deuteronômio 11:19 recomenda a disciplina preventiva, aproveitar momentos informais para incutir valores morais nos filhos. Portanto, o conceito bíblico sobre disciplina é equilibrado e não violento.

Mas o que a Bíblia quer dizer com essa expressão “Vara”?

A Bíblia realmente menciona “a vara” da disciplina. (Provérbios 13:24; 22:15; 23:13; 29:15) Mas como devemos entender isto?

A palavra “vara” é tradução da palavra hebraica shévet, que para os hebreus, significava cajado ou bastão, como o que era usado por pastores. Neste contexto, a vara de autoridade sugere orientação amorosa e não cruel brutalidade. — Veja em Salmos 23:4 tua vara e teu cajado me consolam.

Shévet muitas vezes é também usada simbolicamente na Bíblia, para representar autoridade. (II Samuel 7:14; Isaías 14:5) Quando diz respeito à autoridade parental, “a vara” não se refere exclusivamente a punição física. 

Na verdade, este termo abrange todas as formas de disciplina, que na maioria das vezes não precisa ser física. E, quando se recorre a disciplina física, em geral é porque outros métodos falharam. Provérbios 22:15 diz que a tolice está “ligada” (“agarrada”) ao coração da pessoa que recebe disciplina física. Nisto está envolvido mais do que mera frivolidade infantil.

Como se deve administrar a disciplina? Na Bíblia, a disciplina está coerentemente ligada ao amor e à brandura, não à ira e à brutalidade. O conselheiro habilidoso deve ser “meigo para com todos, . . . restringindo-se sob o mal, instruindo com brandura os que não estiverem favoravelmente dispostos”. — II Timóteo 2:24-25.

Portanto, a disciplina não é uma via de escape para as emoções do pai ou da mãe. Antes, é um método de instrução. Sendo assim, os pais devem não bater, mas ensinar a criança que errou. Quando administrada em ira, a disciplina física ensina a lição errada. Atende à necessidade do pai, não à da criança.
Ademais, a disciplina eficaz tem limites. “Terei de castigar-te no devido grau”, diz o Senhor a seu povo, em Jeremias 46:28. É especialmente vital lembrar disso ao se administrar disciplina física. Bater ou sacudir uma criança pode causar danos cerebrais ou até mesmo a morte. Ir além do objetivo da disciplina — corrigir e ensinar — pode levar ao abuso da criança, configurando violência e, portanto, crime.

Há muitas pessoas que se referem ao seu passado de violência na infância como algo cômico e fazem até mesmo anedotas que os abusos físicos sofridos. Outras afirmam que apanharam brutalmente de seus pais e mesmo assim se tornaram pessoas de bem. Eu não entro no mérito conceitual de cada um. Quando trago um parecer aqui, deixo sempre muito bem claro que falo como homem e não como profeta infalível. Todavia, meu referencial é sempre a Bíblia e esta é infalível, perfeita e inerrante. Não vejo nas páginas das Escrituras respaldo para que um pai e uma mãe agridam seus filhos fisicamente.

Não concordo que o sofrimento, a tortura e o terror sejam preços exigidos por Deus para que um ser humano cresça com boa índole e vejo na própria maneira amorosa, paciente e bondosa com que Deus se relaciona com Seus filhos (os quais estão sempre caindo), o exemplo maior a ser seguido por todos aqueles que recebem neste mundo a missão de gerar e criar filhos.

Antes de corrigir seu povo, Deus disse: “Não tenhas medo, . . . pois eu estou contigo.” (Jeremias 46:28) A disciplina não deve fazer a criança sentir-se abandonada. Em vez disso, a criança deve sentir que o pai ou a mãe está ‘com ela’ como encorajamento amoroso e sustentador. Caso se ache necessário dar disciplina física, a criança deve entender por quê. Provérbios 29:15 diz que “a vara e a repreensão é que dão sabedoria”.

Infelizmente, muitos hoje usam “a vara” da autoridade parental de modo abusivo. No entanto, não se pode achar falha nos princípios equilibrados da Bíblia. (Veja Deuteronômio 32:5.) Ao considerarmos “a vara” no contexto, vemos que serve para ensinar crianças, não para abusar delas. Como em outros assuntos, a Bíblia se mostra “proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça”. — II Timóteo 3:16.

Baseado nisto, deixo aqui palavras de alerta a todo povo de Deus neste sentido. Bater em crianças é um crime hediondo e inaceitável sob todos os aspectos.

Que ninguém se arvore de uma suposta base bíblica para praticar um ato tão cruel e diabólico e que todos os rigores da lei possam recair sobre os tais, principalmente sobre aqueles que se abrigam debaixo das placas de uma igreja, aos quais muito mais se espera e se cobra em termos de amor e proteção aos seus filhos.

“Instrui o menino no caminho em que deve andar,
e até quando envelhecer não se desviará dele.”
(Provérbios 22.6)

Esse é um texto clássico. Sua exegese gera controvérsias. Alguns o veem como uma exigência com peso doutrinário. Outros o recebem apenas como um provérbio, ou seja, um dito popular. Eu o acato como uma missão. Duas palavras são marcantes a meu ver nesta passagem: Instruir e Desviar.

Não podemos entender que esse instruir seja algo tecnicamente pedagógico. Não se aprende a servir a Deus através de tratados, teses ou imposições doutrinárias. Instruir é uma missão diária, que naturalmente envolve o aspecto formal, presente no estudo da Palavra e no hábito salutar do ambiente eclesiástico. Mas isso não cria raízes quando não há um referencial, o exemplo, o espelho. Todo filho observa seus pais. Pregar o que não se vive é a melhor forma de garantir que esse filho se desviará mais adiante. O rigor religioso não será suficiente, a obrigatoriedade da frequência aos cultos não criará um ser nascido de novo e assim um dia perde-se o controle da situação.

A única forma do menino não se desviar é fazendo-o conhecer a mesma forma que impede qualquer cristão de almejar o desvio, que é lhe fazendo conhecer, amar e servir a Cristo de livre vontade e sincero coração.

Não há métodos humanos que garantam isso. Tal milagre é obra do Espírito Santo. Mas uma verdade é inegável – um pai e uma mãe que são dentro de casa o mesmo que demonstram ser na igreja, estarão contribuindo decisivamente para que este filho siga o mesmo caminho de seus genitores: o caminho da fé sincera e do novo nascimento; caminho esse do qual ninguém jamais deseja se desviar!

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