terça-feira, 21 de março de 2017

O ESPINHO NA CARNE DE PAULO E A FORÇA DA FRAQUEZA

Paulo fez uma afirmação difícil de entender, e mais difícil ainda de aplicar na nossa vida: "Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte" (II Coríntios 12:10). Atrás dessas palavras enigmáticas encontramos algumas lições importantes e edificantes. Precisamos entender o que Paulo disse e como aplicar esse ensinamento quando enfrentamos dificuldades.

Ele disse: "E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim." (II Coríntios 12:7-8).

Algumas pessoas gastam muito tempo especulando sobre o espinho na carne. O fato é que Paulo não revelou o que foi, e ninguém até hoje sabe exatamente a que ele estava se referindo. Eu, particularmente, por conta de uma análise de contexto muito profunda, creio que o espinho na carne se tratava de perseguição ao seu apostolado e o emissário de satanás mencionado por ele, seria alguém que estava fortemente empenhado (e coonsequentemente usado pelo inimigo) no intuito de deter o seu avanço ministerial. Mas na verdade o que importa não é a natureza do espinho ou sua explicação, mas a maneira que Paulo o encarou. Paulo não era um fanfarrão oportunista, como muitos que nós temos em dias atuais, que saem pelas igrejas dando testemunhos fantásticos de auto exaltação, arrancando aplausos e olhares admirados e dinheiro dos incautos, narrando supostas experiências espetaculares no mundo do crime ou com satanismo, com a finalidade última de lucrarem e serem admirados. É a indústria do testemunho, com a qual nenhum pastor honesto e que tenha vergonha na cara deveria se envolver ou apoiar. Este não era o objetivo de Paulo ao narrar seu problema. Havia uma particularidade que ele preferia manter entre ele e Deus. Para a Igreja, ele entendia que apenas o princípio e a lição deveriam ser ministrados por meio deste relato em sua epístola.

Observe os fatos relatados em II Coríntios 12:7-9: Paulo reconheceu Satanás como a fonte do problema. Ele disse que o espinho era um "mensageiro de Satanás". Por que Satanás mandaria um mensageiro a Paulo? Sabemos muito bem que o diabo quer a nossa ruína. Ele quer nos devorar como leão que ruge (I Pedro 5:8). Na vida de Paulo, como na vida de bilhões de outras pessoas, Satanás usou o sofrimento e a perseguição para tentar derrotá-lo.

Deus usou aquele espinho e recusou tirá-lo da vida de Paulo. Aqui aprendemos uma lição importante sobre os males da vida. Deus não causou o sofrimento no mundo, e Ele não nos tenta (Tiago 1:13). Todavia, muitas vezes, ao invés de tirar os problemas das nossas vidas, Ele os utiliza para o nosso bem. Deus amou Paulo, mas não o poupou de tamanho sofrimento. Aquilo era necessário. E Paulo, grande homem de Deus que era, reconheceu isto. Jamais devemos interpretar problemas como sinais do desprezo de Deus. Ele pode usar calamidades para castigar os ímpios, pode usar a maldade dos ímpios para nos aperfeiçoar e também permite tribulações na vida de seus filhos (Hebreus 12:5-11).

Como Deus usou o sofrimento de Paulo?

Quando Deus recusou tirar o espinho da vida de Paulo, Ele ofereceu esta explicação: "A minha graça te basta, porque o poder se  aperfeiçoa na fraqueza" (II Coríntios 12:9). A graça contradiz o merecimento. Se Paulo, no passado, se julgou autosuficiente, ele não continuou assim (veja Filipenses 3:4-11). Nas tribulações, ele aprendeu a depender da graça do Senhor. Quando sentimos que temos tudo sob controle por causa da nossa própria capacidade, facilmente esquecemos de Deus. Nas horas de maior fraqueza, quando nos sentimos incapazes de resolver os nossos problemas sozinhos, tendemos a voltar para Deus e nos entregar à poderosa mão dEle. Nossa inteligência não nos basta. Nossos recursos financeiros não nos bastam. Nossos amigos não conseguem preencher as nossas necessidades. Apenas a graça de Deus nos basta, e o poder dEle se manifesta através da nossa fraqueza.

Foi exatamente isso que Paulo entendeu: "De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (II Coríntios 12:9).

Como Paulo usou seu próprio sofrimento?

As palavras de Paulo em II Coríntios 12:10 são impressionantes,  refletem uma maturidade espiritual que poucos alcançam: "Pelo   que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte." Ele sentia prazer no sofrimento! Que declaração tremenda! Será que nós sentimos a mesma coisa? É comum nos momentos atribulados você sentir pena de si, ou amargura, ou profunda depressão, ou você sente prazer por ser forte em sua fraqueza ao depender da graça de Deus?

O comentário de Paulo não trata de alguma prática louca de autoflagelação, mas de sua capacidade de confiar plenamente no Senhor. Ele entendeu que o sofrimento nos oferece oportunidades para nos aproximar mais de Deus, e Paulo aproveitou tais oportunidades ao máximo. Da mesma forma que a pessoa que pratica atividade física ou musculação pode sentir prazer no esforço e sofrimento desta prática, visando os resultados em termos da saúde física, Paulo sentia prazer nas angústias da vida, tendo em vista os resultados de crescimento espiritual e do galardão eterno. Tiago falou a mesma coisa: "Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes" (Tiago 1:2-4).

Paulo explica seu prazer em dois sentidos: 1."...por amor de Cristo". Quando admitiu sua própria incapacidade, ele deixou Cristo tomar conta da sua vida. Como Cristo morreu para nos dar vida, nosso velho homem morre para dar lugar para Jesus viver: "Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gálatas 2:19-20). Jesus aceitou a "fraqueza" da sua forma humana para se entregar por nós. É somente quando aceitamos a nossa própria inadequação que temos condições de nos entregar a Cristo. 2."Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte". Quando Paulo confiou plenamente em Cristo, se esvaziando do orgulho e da ideia de ser autônomo, ele ganhou força bem maior. Cristo vivendo em Paulo era infinitamente mais forte do que Paulo vivendo para si mesmo.

Como nós usamos o sofrimento?

Considere as palavras que Paulo usa em II Coríntios 12:10. Como você reage aos mesmos desafios na sua vida? Paulo enfrentou:
Fraquezas. Você se sente incapaz de enfrentar algumas fraquezas (problemas, enfermidades, tentações vícios, etc.)? Qual é o espinho na sua carne? Lembre-se: Essas fraquezas devem servir de convite para permitir Jesus reinar na sua vida.
Injúrias. Você foi maltratado ou ofendido por outros? O diabo quer usar essas injúrias como motivo de ódio, vingança e blasfêmia. Mas Deus quer que você fique forte, usando essas injúrias como oportunidade para amar e crescer.

Necessidades. Você enfrenta grandes dificuldades financeiras? Não sabe como resolvê-las? Nada melhor que a fome para tornar o homem dependente de Deus. Jesus deu este desafio: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal" (Mateus 6:33-34). Pessoas que nunca conheceram a pobreza têm dificuldade em entender esse princípio. Quando temos geladeiras abastecidas e armários cheios de alimentos, é difícil imaginar a circunstância que Jesus descreve. Esse é, sem dúvida, um dos motivos de poucos ricos serem convertidos a Cristo (I Coríntios 1:26-29; Marcos 10:23-25).

Perseguições. Quando sofremos por causa de Cristo, é o momento de desistir ou de ficar mais firmes que nunca? Muitas pessoas egoístas justificam sua desistência porque não querem sofrer. Muitos abandonam a igreja porque não suportam erros, maus exemplos ou falsos ensinos e depois fazem disso uma bandeira justificadora para uma vida fora da igreja. Mas os discípulos verdadeiros imitam o exemplo dos cristãos hebreus: "Lembrai_vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos; ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando vos coparticipantes com aqueles que desse modo foram tratados. Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável.... Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma" (Hebreus 10:32-34,39). Falando de perseguições, devemos lembrar que fazem parte da vida do cristão. Paulo usou uma palavra bem abrangente para frisar esse fato: "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (II Timóteo 3:12). Nenhum servo do Senhor tem imunidade à perseguição.

Angústias. A palavra usada aqui vem de uma raiz que descreve lugares estreitos ou apertados. Muitas pessoas sofrem de claustrofobia. Quando se encontram em lugares apertados e fechados sentem-se desesperadas. Espiritualmente, muitos reagem da mesma forma. Quando se vê em apuros, como você reage? Abandona os princípios de Deus e age de uma forma errada no desespero? A única saída é aceitar o fato que você é incapaz de sair do problema sozinho. Temos que reconhecer a necessidade da graça de Deus, para aceitar o resgate que Ele nos oferece. "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus" (Filipenses 4:6-7).
Por favor meu irmão e minha irmã, me permita uma vez mais lhe perguntar: Qual é o espinho na sua carne? O que aconteceu com Paulo, em menor ou igual proporção ocorre com todos os autênticos cristãos que ainda estão nesta terra. Os servos do Senhor sofrem nessa vida. Enfrentamos perseguições, angústias, fraquezas, necessidades, etc. Deus nunca prometeu riquezas e deleites neste mundo para Seu povo. Quem prometeu isso foi Satanás, tentando a Jesus no deserto. E é Satanás o autor de toda falsa doutrina que tenta associar fé cristã a prosperidade, saúde perfeita e vida regalada neste mundo sem Deus. A grande verdade é que Deus recusou tirar o espinho de Paulo e da mesma forma Ele pode deixar qualquer um de nós em circunstâncias difíceis e desagradáveis. Quando nos encontrarmos nessas situações, vamos ter a fé e a coragem que Paulo mostrou para aproveitar a oportunidade e crescer espiritualmente?

Quando nos entregamos a Cristo, encontramos a graça e a força verdadeira. Essa força vinda de Deus é tudo de que precisamos, pois a Sua graça nos basta!

Um comentário:

  1. Excelente explicação sobre o"Espinho na carne" de Paulo.Que o Senhor continue iluminando sua mente e conhecimentos a fim de nos brindar com excelentes estudos.

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Obrigado por seu comentário. Breve iremos analisá-lo com todo carinho. Que Deus lhe abençoe!

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