quinta-feira, 2 de março de 2017

O CRISTÃO E AS ARMAS DE FOGO. DIREITO OU PECADO




Amados, a minha fala acerca deste tema tão delicado não tem o objetivo de fazer apologia ao uso de armas, mas de refletirmos sobre o direito de cada cidadão a ter a sua legítima defesa. Quero deixar bem claro a todos os meus amados irmãos em Cristo que, como pastor, jamais defenderei o "andar armado" pelas ruas. Até porque se você não é alguém autorizado pelas leis do nosso país para tal, estará totalmente errado. Nossa segurança está em DEUS! Porém, faço apenas uma pergunta: se trancamos as portas de casa, se colocamos alarmes nas portas, principalmente em comércios, se soltamos cachorros no quintal, e colocamos grades nas janelas, porque é proibido o cristão ter uma arma legalmente em sua residência?


Para se comprar uma arma, é feito um cadastro da pessoa com o número de registro. Ninguém chega numa loja e compra armas como quem compra um quilo de batatas num supermercado. A arma é registrada no nome do comprador, e o exame de balística (feito na bala após o tiro) identifica a arma que efetuou o disparo. Logo, bandido não compra arma em loja. É o cidadão comum que compra na loja, para sua legítima defesa. As armas do crime são comercializadas ilegalmente. O grande problema da violência e crimes com armas de fogo não é o comércio legal das armas, e sim o comércio ilegal. Uma faca também é uma arma, uma arma branca, se o seu intuito for o de tirar a vida de alguém. Muito antes de existir qualquer tipo de arma, Caim matou Abel, e foi o primeiro homicídio sobre a face da terra. Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas.

Um dos discípulos de Jesus, Simão Pedro, carregava sua espada na cintura. Jesus nunca o mandou retirar ou jogar fora. Apenas o reprovou quando ele fez um mau uso, arrancando a orelha do soldado Malco quando este foi prender o Mestre. O Senhor explica a Pedro que aquilo já estava previsto acontecer, e que ele não poderia impedir a profecia do seu cumprimento. Este foi o único momento em que Jesus reprovou o uso da espada por Pedro. Por que o Senhor nunca falou nada com ele antes?! Seria natural que, andando ele o tempo todo ao lado do Senhor Jesus, logo viesse a advertência: "- Pedro, o que você faz com esta espada?...Joga isso fora....Você é meu discípulo". Mas ao invés disso o Senhor apenas disse: "Mas Jesus disse a Pedro: Mete a TUA ESPADA na bainha; não beberei eu do cálice que o Pai me deu?" (João 18:10-11)

Veja bem, Ele não mandou Pedro jogar a espada fora. Apenas disse para Pedro a guardar de volta na bainha, pois Ele tinha que beber daquele cálice. E para Pedro ter a precisão para arrancar a orelha de um soldado, há aqui duas coisas a se reparar: além da espada estar muito bem afiada, Pedro, com certeza, treinava constantemente. O que percebemos é que aquela arma (a espada) parecia impor respeito em outras ocasiões. 

Quantos cristãos, no objetivo de impor algum respeito, selam amizades com autoridades policiais, e fazem questão de deixar explícito, publicamente, afirmando que são amigos de "fulano" e "beltrano"?! O único propósito disso tudo é a intimidação. Com isso deixam subentendido que, se eles não "fizerem" alguma coisa, seus "amigos" podem até tomar as dores, em nome da amizade. Ou seja, fazem o pior, pois ao invés dos seus problemas estarem "nas mãos do Senhor", como tanto aconselham, estão nas mãos de pessoas mundanas, que não tem nenhuma ligação com a obra de Deus. Sou contra isso. Sou o menor dentre os meus irmãos, mas ainda que fosse célebre, jamais me cercaria de amigos poderosos ou mesmo guarda costas, como publicamente fazem alguns pastores-celebridades e sem contar com nenhuma reprovação pública da maioria. Vejo isto como algo bem pior do que portar uma arma legalmente.

A preocupação do ser humano em andar segundo as regras de sua religião, muitas vezes rouba-lhe uma fé mais sincera, mais verdadeira. Na grande maioria das vezes as pessoas mudam de hábitos não porque realmente desejaram, mas porque alguém da igreja assim o aconselhou. Há conselhos que são bons, quando, na incerteza e insegurança, alguém procura dialogar com quem tem mais experiência na jornada cristã, e assim toma uma decisão mais sensata, quando testifica também em seu coração. 

Mas quando estes "conselhos" se transformam em imposições, censuras, proibições, que são empurrados goela abaixo, sem o direito a questionamentos, cria-se então o fanatismo religioso, demagogias, hipocrisias, onde se "coa um mosquito e engole-se um camelo". Resumindo: Muitos não têm mesmo uma arma em casa, mas os seus lábios são um túmulo aberto. A língua, de muitos, é pior do que uma arma de fogo, suas palavras são piores que o disparo de um revólver. E matam muito mais até.

Muitos alegam ainda que "ter arma em casa é um perigo". Isso porque já ocorreram inúmeros casos de jovens que acharam a arma do pai em alguma gaveta, e realizarem peripécias, como levar para a escola, e muitas situações chegaram a ter consequências trágicas. Mas na prática, ter uma arma em casa, exige que se tome os mesmos cuidados para não cair em mãos erradas, ou de crianças, do mesmo modo quanto a produtos químicos, alertados nos comerciais na televisão, os quais registram índices oficiais de acidentes domésticos que resultam em óbito, muito maiores do que no caso da presença de armas de fogo em casa. Não podemos atribuir a irresponsabilidade de alguns ao fato de não poder ter arma em casa, ou então será pecado também comprar cloro, ácidos, pesticidas, inseticidas e outros produtos químicos de limpeza que fiquem ao alcance das crianças e que podem gerar um fim trágico.

O maior problema do Senhor Jesus sobre a terra foi justamente com os religiosos, que ao invés de se preocuparem com o amor ao próximo, em ajudar o semelhante, apregoavam, por conveniência, os dogmas que lhes interessavam. A Bíblia foi escrita muito antes de existirem as armas de fogo, e os homicídios já aconteciam. O que muda uma pessoa, o que a transforma em uma nova criatura, não é o fato de se ter ou não um objeto, uma arma, uma faca, uma espada, uma pedra, mas no que está posto o seu coração. Não são fatores externos que transformam a pessoa em mais ou menos correta que outra. Se um cristão tem consciência que os cães ferozes em seu quintal podem matar um ladrão, qual a diferença de uma arma de fogo, que ele pode, por exemplo, apenas disparar um tiro pra cima? Ele terá mais controle sobre os cães? Que cada irmão venha a tirar as suas conclusões e ter as suas escolhas, daquilo que é melhor para o seu lar, a sua família, a sua segurança, sem que ninguém apenas diga que é errado.

A Bíblia está repleta de passagens e até mesmo de longos contextos que sugerem a legitimidade do uso de armas para defesa da própria integridade física e familiar. Alguns destes textos chegam a ser até mesmo emblemáticos. Cito aqui apenas dois: “E os edificadores cada um trazia a sua espada cingida aos lombos, e edificavam; e o que tocava a trombeta [estava] junto comigo.” (Neemias 4:18)

“Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; o que o fez o proveu da sua (própria. espada” (Jó 40:19 )

Até mesmo a anatomia dos animais é eloqüente a esse respeito, Ela mostra que toda criatura é provida pelo Criador de sua "própria espada", como disse Jó. Isso significa que o direito de defesa é o mais sagrado e inviolável dos direitos. Todo crente tem direito de exercer a opção descrita em Esdras 8:22, mas deve fazê-lo por si mesmo. Ninguém tem o direito de usurpar o direito alheio.  
Como Esdras, eu sempre confiei minha segurança ao meu Senhor e Deus. Trabalhei itinerantemente muitas vezes em minha vida, tanto para O Senhor e Sua Obra, quanto secularmente para o sustento de minha família. Muitas delas em regiões inóspitas, mal afamadas e cercadas de perigos. Um sem número de vezes retornava dessas jornadas chegando em casa pelas altas madrugadas, atravessando ruas desertas e proverbialmente perigosas. A mão do Senhor sempre me guardou. Sempre confiei que cairiam mil a minha direita e dez mil a minha esquerda e que jamais seria atingido, e assim sempre foi. Nunca temi o "espanto noturno, nem seta que voa de dia". Aprendi que os que servissem bem como diáconos alcançariam para si "uma grande confiança da fé que há em Cristo Jesus" (I Tim 3:13). Entretanto,  isso me foi dado por graça, razão pela qual nunca tive e não tenho armas de fogo. Contudo esta não é uma análise que termina em mim, razão pela qual não me dou o direito de exigir a mesma postura dos outros.
Finalizo minha argumentação com I Timóteo 5:8 "Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo". 

Compreendo inteiramente a forma sincera e eloquente com que a grande maioria dos amados pastores e demais teólogos condenaram o porte de armas com fim de defesa aqui no Grupo. Minha expetativa é que haja a mesma postura para com aqueles que enxergam a questão de outro panorama.

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