sexta-feira, 17 de março de 2017

MT 24:19 - O QUE ACONTECERÁ COM OS FILHOS DAS GRÁVIDAS ÍMPIAS?


O que Jesus quis dizer com a frase “Ai das grávidas”, em Mateus 24:19?
Como ponto de partida desta análise, eu considero fundamental estabelecermos claras diferenças entre as crianças intrauterinas do período aludido pelo texto de Mateus e as crianças dos dias de Noé ou mesmo de Sodoma e Gomorra, as quais não foram poupadas por Deus e destruídas pelas águas ou pelo fogo do juízo Divino. Essa distinção é necessária porque muito naturalmente costuma surgir a argumentação de que pelas mesmas razões que Deus não poupou aquelas, Ele também não pouparia estas.

Precisamos entender o que Jesus quis dizer ao afirmar que nos últimos tempos será como nos dias de Noé. Em momento algum, Ele pretendeu afirmar que todos os fatos nos últimos dias serão iguais aos fatos que se deram nos dias de Noé. Na verdade, Ele mesmo explica esta expressão ao afirmar que se casavam e se davam em casamento e quando menos esperavam veio o dilúvio. Logo, esta alusão é feita pelo Senhor para nos informar que nos últimos tempos o homem não dará a menor importância para a vinda do Senhor e Seu juízo, vivendo em desenfreio pecaminoso sob a ilusória sensação de uma falsa segurança de que nada acontecerá. Assim era a sociedade pré-diluviana e assim é a sociedade atual. Indiferentes à volta e ao juízo do Senhor. Portanto, não devemos entender aqui que ao Jesus falar que será como nos dias de Noé, Ele esteja afirmando que as crianças não serão poupadas como aquelas não foram.
Com respeito aos dias de Sodoma e Gomorra basta relermos o relato de Gênesis sobre a visita dos anjos a Ló para entendermos porque Deus dizimou adultos e crianças naquele lugar. O texto é claro ao afirmar que todos, dos mais jovens aos mais velhos desejavam abusar sexualmente dos anjos de Deus. Isso mostra que esta era uma prática comum naquela sociedade. Até mesmo achados arqueológicos comprovam que os cananeus abusavam de suas crianças, que cresciam destruídas por esta cultura. Ao fazê-las descansar, Deus as livrou desse destino, tal como nos dias de Josué ao determinar a matança generalizada daquele povo. Portanto, essa foi a razão porque gravidas morreram junto a seus filhos em Sodoma e Gomorra e isso não possui relação direta e absoluta com as grávidas de Mateus 24:19.

Eu discordo daqueles que afirmam que o “Ai das grávidas” refere-se à destruição de Jerusalém em 70 dC pelos romanos. Em Mateus 24:1 - o motivo que faz Jesus anunciar a destruição do Templo (não ficando pedra sobre pedra) é pelo fato dos discípulos se admirarem do templo e lhe mostrarem suas estruturas. Então o Senhor, prontamente lhes diz que de tudo o que estavam vendo, não haveria de ficar pedra sobre pedra que não se derrubasse. (Mat. 24:2) Ou seja: o Templo e tudo o mais se derrubaria. E assim os discípulos lhe interrogaram: Quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? (Mat. 24:3)

E o Senhor lhes responde com os sinais:
a) - Viria muito engano:
"E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane;" (Mat. 24:4)
b) - Falsos cristos e falsos profetas:
"Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos." (Mat. 24:5)
c) - Guerras e rumores de guerras:
"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim." (Mat. 24:6)
d) - Nação contra nação e reino contra reino:
"Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, (Mat. 24:7a)
e) - Fomes, e pestes, e terremotos em vários lugares:
"e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares." (Mat. 24:7b)
f) - Todos esses acontecimentos seria o princípio de dores:
"Mas todas estas coisas são o princípio de dores." (Mat. 24:8)

Agora notemos:
Na época da destruição de Jerusalém em 70 d.C. Houve a destruição do Templo e da cidade. Mas, não houve "muito engano" no Seu nome. Nem os que vinham em Seu nome enganando a muitos - pois era princípio do evangelho, e na verdade, lá houve muitos verdadeiros, escolhidos pessoalmente por Ele (e não os falsos em Seu nome). Tampouco até 70 d.C. houve os marcantes terremotos (como está havendo há muito pelo mundo); tampouco peste (como na Idade Média) que dizimou um terço da população da Europa; tampouco fome como nas nações da África, hoje, que nascem, crescem, vivem e morrem c/ fome e de fome... e as guerras mundiais como as que houveram... Os sinais todos por Ele preditos é um completo RETRATO de Hoje! Hoje se cumprem (e não naquela época).
A profecia narrada em Daniel 9:26-27 menciona a morte do Ungido, a destruição de Jerusalém e seu templo à ocorrência de guerras e desolações até o fim. Fala da abominável desolação e da aliança de uma semana (sete anos em entendimento teológico). Daniel usa a expressão “Povo do príncipe” para se referir aos que comandariam este processo. De acordo com II Ts 2:7 e Jo 4:3, são estes os próprios enviados do inferno que trabalharão a favor do futuro império anticristão e essa abominável desolação é o próprio anticristo, como vemos em II Ts 2:1-12. Todo este processo vai durar três anos e meio — ou mil duzentos e noventa dias —, período de tempo que alude à segunda metade da Grande Tribulação (Daniel 12:11). Diante de tudo isso, eu concluo que o “Ai das grávidas” não possui nenhuma relação com a fuga das mulheres israelitas, por ocasião da invasão romana do primeiro século. E também não se refere diretamente ao arrebatamento, mas sim a um momento histórico posterior ao arrebatamento, que será a dificuldade de toda a população civil israelense, especialmente as mulheres gestantes, em escapar da chegada iminente dos exércitos do Anticristo. A advertência de Jesus se encontra entre dois fatos que ainda não se cumpriram. A abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, introduzido no lugar santo (Mt 24:15) e a “grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mt 24:21). Tudo isso será depois do arrebatamento. Quando Israel, no fim da segunda metade da Grande Tribulação, estiver cercado pelos exércitos do Anticristo (Ap 16:13-16), toda a nação estará em grandes apuros e sofrerá inomináveis sofrimentos, principalmente as gestantes.
Entretanto, mesmo concluindo que esta passagem não possua nenhuma relação com o Arrebatamento da Igreja, é relevante e faz muito sentido perguntar: “Qual será o destino das crianças que estiverem no ventre materno, por ocasião do Arrebatamento?” Quando falamos numa mãe crente em Jesus não há nenhum problema, pois a depender da linha escatológica defendida por cada um, é ponto pacífico que esta criança sobe junto com a sua mãe, mesmo porque não há nenhum argumento plausível para crermos no oposto. O problema surge quando pensamos na grávida descrente. O que será da criança em seu ventre no dia do Arrebatamento?
Jamais deveríamos crer no absurdo de que Deus arrancaria fetos dos ventres maternos. Essa é uma prática bizarra que a meu ver não se justificaria nem mesmo pelo Arrebatamento. A criança filha de uma mãe ímpia na ocasião do Arrebatamento continuará no ventre materno e nascerá normalmente, na Grande Tribulação. Caso sobreviva a esse período, ingressará no Milênio com os povos naturais e terá a oportunidade de ouvir a mensagem do Evangelho. Caso morra ainda na fase em que as suas faculdades não estão suficientemente amadurecidas para crer em Cristo para a salvação (Mc 16:16), será salva pela graça preveniente, conforme Lc 18:16. Eu sei do pensamento de alguns que seguem a linha determinista de que essa questão é solucionada pela predestinação, ou seja, que as crianças arrebatadas com suas mães seriam as salvas e as que ficaram são as que não foram escolhidas para salvação. Não entro aqui neste mérito, primeiro porque já o fiz por diversas vezes aqui no Grupo e em outras manifestações minhas já largamente difundidas pela internet ou nos tantos púlpitos que já preguei, e também porque este não é o tema de hoje, mas o fato é que é do conhecimento de todos que não trabalho com essa linha de pensamento teológico. Eu entendo que a passagem de Mt 18:2-3: “ “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” deixa muito claro que há um grau infantil que assegura a salvação. Um grau de inocência pura. Logo, crianças dentro do ventre jamais seriam previamente condenadas por Deus. Isso contraria toda natureza justa e amorosa do Senhor, conforme Gn 18:25 e Rm 3:5. Dizer que as crianças já são concebidas pecaminosas é um erro exegético grave, porque isso seria julgá-las com base no pecado original e um julgamento baseado no pecado original, só se justifica depois de o pecador tomar conhecimento de que nasceu em pecado (Salmos 51:5, Romanos 3:23). Logo, eu entendo que as crianças que não forem arrebatadas, ainda poderão ser salvas.
Ap. 20 e Mc 16 nos falam de condenação baseada em obras e não há obras que possam condenar crianças que sequer nasceram.

Assim, meus amados, a questão não é tão complexa quanto aparenta. Crianças no ventre de mães que servem a Cristo serão arrebatadas juntamente às suas mães. Crianças no ventre de mães ímpias, caso sobrevivam à Grande Tribulação, entram no reino Milenar de forma natural (pois a Bíblia afirma que haverá remanescentes humanos da GT e que entrarão ao Milênio) e lá terão a oportunidade de conhecer o Governo de Cristo na Terra restaurada. Já as crianças que morrerem durante a Grande Tribulação em idade ainda inocente quanto ao pecado, serão salvas, porque a própria Bíblia afirma que o reino de Deus pertence às crianças. Respeitamos posicionamentos contrários, mas não enxergamos apoio bíblico sustentável para nada diferente do que afirmamos aqui.

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