sexta-feira, 24 de março de 2017

JUDAS 1:9 - DEVEMOS TEMER OU AFRONTAR A SATANÁS?

Meus amados, graça e paz. O termo que aludimos neste presente momento tem suscitado muitas e distintas interpretações, sobretudo nesta presente era, onde algo muito estranho tem ocorrido no meio evangélico: ao mesmo tempo que jamais se viu a pura teologia tão desprezada e esquecida, subitamente todos parecem se julgar teólogos e a cada esquina vislumbramos doutrinas espúrias e entendimentos que lutamos para crer que ao menos de longe tenham sido extraídos de uma leitura bíblica.

O caso narrado em Judas 1:9 é um belo exemplo disso. Há toda sorte de heresias que pretende se justificar neste texto. Desde a suposta messianidade de Miguel até uma teologia de medo ao diabo – ambas dignas do mais sonoro e irrevogável repúdio por parte de todos aqueles que amam a genuína Palavra de Deus.
Ao contrário do que alguns imaginam, Judas não está dizendo aqui que temos que respeitar e temer o diabo! Ele está falando de um grupo de pessoas dissimuladas dentro da igreja. Temos de aprender a ler o texto inteiro, para entendermos seu contexto. Isso é uma carta, não um bilhete e deve ser lida como se lê uma carta.
Quando Judas fala: “Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas cousas se corrompem.” Não está se referindo ao diabo ou às coisas do diabo, mas aos problemas da igreja!
Se você observar os versículos anteriores (o que não é difícil, Judas é um livro de capítulo único, com somente 25 versículos). Para quem ele estava falando? Para a igreja. A respeito de quem ele estava falando? Dessas pessoas aqui: “Certos indivíduos se introduziram com dissimulação (…) homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor (v.4)
Esse pessoal estava infiltrado, dentro da igreja. Judas explica que todos os rebeldes colhem os frutos de sua rebeldia, não importando quem sejam ou onde estejam.  Afirma que os tais são carnais, difamam o que não entendem e o que entendem carnalmente e não respeitam governo.  São “pastores que a si mesmos se apascentam” e comparados a coisas inúteis como “árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas”.  “Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (v.16)
Quando fala que eles “rejeitam governo e difamam autoridades superiores”, diz que o arcanjo Miguel, mesmo sendo superior ao diabo, não o repreendeu em seu próprio nome, mas deixou a repreensão a cargo de Deus.  Ou seja, Miguel estava lutando com o diabo ali, mas reivindicou a autoridade de Deus e não de si próprio. É o que devemos fazer ao invés de determinar, ordenar, entrevistar, repreender, profetizar ou outras heresias que já se alastraram e se tornaram normais em nosso meio, para nossa tristeza. Judas comenta que Miguel  deixou que a repreensão viesse de Deus. “O Senhor te repreenda” é exatamente o que fazemos quando usamos o nome de Jesus. Porque nós, seres humanos falhos, não temos em nós mesmos autoridade alguma sobre o mal. A autoridade de que fazemos uso nos foi dada por Jesus, como uma procuração, ao usarmos Seu nome. Miguel usou o nome do Senhor, assim como nós também usamos e deixamos que a justiça de Deus prevaleça. Você tem o direito de usar o nome de Jesus contra o diabo. “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano” (Lucas 10:19)
Eu me recuso a dar ao diabo qualquer honra ou consideração! Nossa atitude diante dele não deve ser de temor. Pense bem, não é isso que vemos em Davi, diante de Golias, que representava ali o próprio satanás. “Quem é esse incircunciso filisteu, para afrontar o Exército do Deus vivo?” (I Samuel 17:26). Essa é a reação do nascido de Deus diante do diabo. Se você está com Deus, qualquer ataque contra você é feito contra o próprio Deus. Quem é esse que ousa afrontar o Deus vivo?
Em nossos dias, muitos entendem que temos autoridade para repreender a Satanás. Não concordo com este termo. A razão pela qual discordo do uso do termo "repreender" pelos cristãos de hoje, para cercear a atuação demoníaca, não é somente a falta de evidência explícita. Existem razões teológicas. Repreender os principados e potestades é prerrogativa de Cristo somente, pois foi ele quem os venceu por sua morte e ressurreição. Além disso, ele é Deus e Senhor sobre os elementos, podendo, por isso, repreender os ventos, o mar, as tempestades. Ele é o criador e o Senhor e por isso diz ao demônio, "cala-te, sai dele, vai para tal lugar...!" Ele é DEUS! Se as pessoas vão usar o Senhor Jesus como modelo para "repreender" demônios e doenças, deveriam também passar a repreender tempestades e a fúria dos elementos - mas até onde sei, ninguém tem reivindicado ser capaz de fazer isso com sucesso.

Para mim este ponto fica claro na narrativa que Judas nos dá acerca do incidente entre o anjo Miguel e Satanás:
"O arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!" (Judas 9)

Nós estamos falando do arcanjo Miguel, que é o mais poderoso dos anjos de Deus. Lemos isso no Velho e Novo Testamentos. É o chefe das hostes espirituais angélicas de Cristo. Esse ser perfeito, sem pecado, muito mais poderoso do que os humanos e que assiste na presença de Deus, em certa ocasião, quando disputava o corpo de Moisés com Satanás (parece que Satanás queria tomar o corpo de Moisés para, talvez, levar Israel a pecar, idolatrando o seu corpo morto), não se atreveu a pronunciar juízo infamatório contra Satanás. Isso é o oposto do que muita gente hoje está fazendo (e não se comparam nem de longe com Miguel em poder). Miguel se limitou a dizer: "O Senhor te repreenda!"
Assim, não vejo nas Escrituras que foi dada autoridade aos crentes para repreender as hostes malignas, pois isso é prerrogativa de Cristo e do Pai. Entretanto, podemos orar e dizer: "Ó Senhor, repreende a Satanás, que procura perturbar a tua obra entre nós, afasta suas tentações, tem misericórdia, livra-nos do mal..." Não vejo problemas em que oremos assim. Na realidade, esta oração me parece bem mais bíblica do que decretos de determinações por parte de alguns. Quando os crentes da Igreja do período apostólico se viram encurralados pelos líderes religiosos em Jerusalém, simplesmente se dirigiram a Deus e suplicaram que o Senhor olhasse para aquelas ameaças. Entregaram-se ao Senhor e Juiz de todos, esperando que ele fizesse justiça e juízo na terra (At 4.29).

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