quarta-feira, 29 de março de 2017

HÁ BASE BÍBLICA PARA MINISTÉRIO DE DANÇAS NA IGREJA?

Meus amados graças e paz. Quero iniciar minha fala mais uma vez lamentando que a infantilidade e a carnalidade governe os impulsos de alguns, fazendo com que procedam contra sua própria edificação. O Grupo Teólogos da Verdade nasceu para ser uma família de crescimento coletivo em fé, amor e conhecimento da verdade. Infelizmente aqueles que preferem ver o triunfo de suas ideias do que a edificação do Corpo, acabam sempre desertando quando são confrontados e assim perdem banquetes como este que tivemos hoje, onde por meio de vários de Seus servos, Deus falou fortemente aos nossos corações acerca deste tema polêmico que são as danças dentro das igrejas. Não é novidade para ninguém que eu sou frontalmente e inegociavelmente contra esta prática e que considero uma agressão à Bíblia que se chame as danças de Ministério numa igreja, mesmo porque não há nenhum ministério de danças citado sequer indiretamente nas Escrituras.


Fato é que há alguns anos (quando nem mesmo as mais liberais igrejas utilizavam esta prática abertamente em seus cultos) eu costumava surpreender os meus interlocutores ao afirmar que em breve estaríamos vendo danças dentro da igreja. Lembro-me de muitos que ficavam perplexos e perguntavam, “Como pode ser isso?”. Eu explicava que este seria o desenvolvimento óbvio da situação musical da época, porque as músicas utilizadas na adoração eram excessivamente ritmadas. O argumento seguia a lógica que seria impossível dar um estímulo por muito tempo sem que este estímulo encontrasse uma resposta, ou uma expressão. Ontem mesmo aqui no Grupo, em meio àquela celeuma que surgiu na finalização dos debates sobre ritmos musicais, alguém afirmou que se nós retirássemos os ritmos, as danças teriam que sair. Isto é uma grande realidade. No momento em que os ritmos mundanos (reggae, hap, funk, rock, forró, sertanejo universitário etc) passaram a ser liberados em nosso meio, consequentemente a dança achou portas abertas para entrar. E não sendo já isso um absurdo mais do que suficiente, acharam por bem nomenclaturar de ministério uma prática completamente humana e carnal.

Atualmente, já é bastante comum as igrejas evangélicas terem um “Ministério de Dança”. Os defensores desta atividade até mesmo citam a Bíblia para afirmar que as danças e os tambores eram comuns na adoração do povo de Israel e que até reis e profetas fizeram uso dos mesmos. Estes argumentos serviriam de base para a justificativa ao uso de tambores e danças nas igrejas modernas. E como sempre, as neopentecostais lideram o ranking desta prática.

Caso estes argumentos estivessem corretos, esta visão faria sentido, uma vez que, sendo Deus imutável em Seus preceitos, podemos seguramente afirmar que os mesmos princípios de adoração válidos para o tempo do Antigo Testamento, são válidos para a igreja atual, guardadas as diferenças de contexto histórico e teológico. Mas vamos, então, analisar alguns destes argumentos, à luz do que diz a Palavra de Deus, e ver se eles resistem a uma confrontação com as verdades bíblicas:

Argumento 1 – Miriã, a profetisa, dançou com pandeiros e levou o povo de Israel ao mesmo. (Êxodo 15:20,21)

A pergunta que surge é: Moisés também dançou? Ao lermos atentamente o texto citado, podemos notar que o relato bíblico não indica esta conclusão. Na verdade, o argumento é capcioso ao insinuar que todo o povo tenha dançado, uma vez que, de acordo com o relato bíblico, somente as mulheres dançaram. Se Moisés não dançou, porque não dançou? Devemos notar que a dança de Miriã e das outras mulheres reproduz uma prática da época. Pode-se argumentar, inclusive, que esta era uma prática oriunda do Egito, de onde haviam acabado de sair. Se tivermos alguma dúvida sobre as origens desta prática, podemos nos perguntar: De onde as mulheres trouxeram os tambores e adufes? Os tambores e adufes não foram trazidos de outro lugar a não ser do Egito. Afinal de contas, não podem ter sido construídos durante os poucos dias desde que haviam deixado o Egito. É possível também que este tipo de instrumento fizesse parte da cultura religiosa egípcia. O povo de Israel viveu por mais de 400 anos no Egito, e este período longo foi suficiente para aprenderem e adquirirem certos costumes entre eles até mesmo costumes pagãos usados na adoração a ídolos e deuses egípcios.
De fato, “em muitos túmulos dos antigos egípcios encontramos representações de moças dançando em festas particulares ao som de vários instrumentos, de maneira semelhante às modernas dançarinas”.

Outro fator a ser considerado é que cântico de Miriã nada acrescenta ao cântico litúrgico de Moisés e dos filhos de Israel: “Cantai ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.” (15:21). Além disso, a dança praticada por Miriã e pelas mulheres não foi um ato de culto e nem foi incorporada no culto do Antigo Testamento. Depois do estabelecimento do povo de Israel em Canaã, esta prática durou ainda algumas centenas de anos. A Bíblia relata que as mulheres cantavam e dançavam por ocasião de vitórias militares (I Samuel 18:6; 21:11; 29:5; Juízes 11:34). Podemos argumentar que uma prática cultural popular trazida do Egito e posteriormente abandonada, sem jamais ter sido incorporada ao serviço de adoração no templo, seja uma justificativa para o uso da dança nos dias de hoje? Apenas por coerência já teríamos que responder que não, mas, considerando o espírito festivo da dança comemorativa das mulheres daquele tempo com a sensualidade da dança aos pares da atualidade, temos que responder com um enfático “JAMAIS”!

Argumento 2 – Davi “dançou diante do Senhor” (II Samuel 6:14-16)

A pergunta que surge é: Qual era o contexto dessa dança de Davi? Este evento nos autoriza a utilização desta expressão corporal nos nossos cultos de adoração a Deus, nos dias atuais? A palavra hebraica utilizada neste texto é karar. Esta palavra quer dizer, literalmente, saltar ou pular. De fato, a Bíblia na versão Almeida, Revista e Corrigida descreve o evento da seguinte forma: “E Davi saltava com todas as suas forças diante do Senhor” (verso 14). A partir desta compreensão, podemos entender que o que Davi estava fazendo não era uma dança exibicionista, sensual (como as danças atuais), nem mesmo uma dança ritual ou litúrgica (o que, embora ocorresse entre os povos pagãos cananitas, era completamente desconhecida na liturgia judaica). Ele estava simplesmente saltando de alegria, como uma criança que acaba de ganhar um presente esperado há muito tempo. O que Davi fez nada tem a ver com os grupos de balé, que ensaiam e coreografam seus movimentos sensuais em nossos dias.

A música e os saltos jubilosos de Davi em louvor a Deus, por ocasião da mudança da arca, não tinham a mais pálida semelhança com a dissipação da dança moderna. A primeira tendia à lembrança de Deus, e exaltava Seu santo nome. A última é um ardil de Satanás para fazer os homens se esquecerem de Deus e O desonrarem em suas mentes. Para compreendermos corretamente esta questão, vamos recapitular toda a história: Antes da instituição da monarquia em Israel – com a unção de Saul como rei – quando o povo de Israel estava sendo atacado pelos filisteus, em vez de buscar qual seria a vontade do Senhor, eles decidiram, por si mesmos, levar a Arca da Aliança para a batalha, confiando no objeto como um talismã, em vez de confiar no Senhor. Os filisteus os derrotaram e tomaram a arca como um troféu de guerra (I Samuel 4:1-11)

Porém, os filisteus só tiveram problemas com a Arca da Aliança, porque o Senhor infligia a eles todo tipo de doenças (I Samuel 5:1-11). Então, eles decidiram devolver a Arca da Aliança. Colocaram-na sobre uma carroça e duas vacas a levaram, sem ninguém precisar dirigi-las, para o povo de Israel, no campo de um homem chamado Josué, na cidade de Bete-Semes. Porém, alguns dos israelitas, por curiosidade, olharam dentro da arca e morreram diante do Senhor (I Samuel 6:1-20). Por causa disso, o pessoal da cidade pediu que a arca fosse levada dali. Ela foi levada para a casa de Abinadabe, na cidade de Quiriate-Jearim e ficou ali por vinte anos (I Samuel 6:21-7:2).

Durante todo o reinado de Saul, a Arca da Aliança ficou em Quiriate-Jearim. Assim que Saul morreu, e Davi foi ungido como rei de Israel, sua primeira providência foi conquistar a cidade de Jerusalém, que tornou-se a capital do império (I Crônicas 11:4-9; II Samuel 5:6-13). A segunda foi planejar trazer a Arca da Aliança para Jerusalém. É neste ponto que ocorreram os eventos que vamos analisar, para compreender a questão da dança de Davi.

Este preâmbulo foi necessário, para que pudéssemos compreender a importância deste fato para Davi, pessoalmente, e para a nação Israelita, como um todo. Agora podemos entender porque Davi estava tão feliz, a ponto de saltar de alegria, como destacamos há pouco.

Davi dançou “diante do Senhor”, contudo, não foi autorizado por Deus a introduzir a dança no culto. Davi não abriu espaço para dança e instrumentos de percussão quando planejou o serviço musical elaborado que seria realizado no templo que Salomão construiria em Jerusalém (I Crônicas 23:2 a 26:32).

É importante notar que Davi, que é considerado por muitos como o exemplo principal para a dança religiosa na Bíblia, nunca deu instruções aos levitas com respeito a quando e como dançariam no Templo. Se Davi cresse que a dança deveria ser um componente na adoração divina, sem dúvida teria dado instruções relativas a ela aos músicos levitas que designou para se apresentarem no templo. Sua omissão da dança na adoração divina dificilmente pode ser considerada como uma coincidência. Ao contrário, ela nos fala da distinção que Davi fez entre a música sacra, executada na Casa de Deus e a música secular tocada fora do Templo para o entretenimento.

Aquele episódio de dança foi um ato de máxima e santa excitação pela glória de Deus presente na arca. Santidade de um homem que, sem sombra de dúvidas, sabia da função da arca dentro do templo, ou do santuário. Foi um ato único, espontâneo e imediato, nascido diretamente da alegria suprema diante de certeza da aceitação de Deus a todos os preparativos feitos anteriormente para o transporte da relíquia sagrada. Esta manifestação não se repetiria mais em toda a narrativa Bíblica, mesmo nos mais exaltados momentos de júbilo (e muito menos na liturgia do Templo).  Embora Deus não tenha rejeitado o culto e as manifestações de louvor, feitas ao estilo das celebrações populares por parte dos israelitas, Ele deu claras evidências de que a música de adoração no templo deveria ser diferente da música secular. Desvinculada das danças e das celebrações populares, a música do templo se tornou um padrão para Israel, tendo sido assimilada pela igreja cristã no período do Novo Testamento.
Quando o povo adorou a Jesus na Sua entrada triunfal em Jerusalém, estenderam suas roupas e ramos de árvores, clamando que Ele era o Filho de Davi (Mateus 21:8-9). Nessa ocasião em específico, não há relato sobre danças ou qualquer outra manifestação do gênero.

A questão a ser respondida é: a menção de um costume mantido ou praticado pelos servos de Deus no passado é suficiente para autorizar o mesmo costume para todos os tempos e lugares? A resposta clara é “não”. Pois, os servos de Deus no passado, sob a influência da cultura prevalecente, usaram bebida forte, tiveram mais de uma mulher e mantiveram escravos, entre outras práticas que todos nós hoje reprovamos. Da mesma forma que a revelação posterior, corroborada por estudo e reflexão, iluminou esses fatos que aos poucos foram sendo eliminados, a questão da música também deve ser objeto de estudo para compreensão e juízo acertados.

A dança relacionada com o ritual sagrado, sempre foi característica de primitivismo, em quase todas as religiões pagãs, e mesmo nas semicristãs.

Como manifestação de jubilo sacro, não deixa de ter a mesma feição. Quando Davi saltou de alegria ao trazer a arca, não deixa de ser manifestação de relativo primitivismo e simplicidade que não se verificaria, nem se verificou, em seu filho Salomão, quando a arca veio para o templo (I Reis 8:1-11). E, mesmo assim, dada a diferença entre a espontânea e inocente alegria exagerada do rei-salmista com a prática sensual em que se tornou a dança, não podemos torná-la uma prática livremente aceitável.

A dança na Bíblia está sempre ligada com regozijo. A natureza desse regozijo pode ser religiosa, festiva, ou meramente uma expressão de alegria, que não tem nenhuma semelhança com as danças da moderna civilização ocidental. De acordo com as Escrituras, a dança era geralmente praticada por mulheres, mas em raras ocasiões os homens também participavam. A dança de Davi em júbilo reverente, perante Deus, tem sido citada pelos amantes dos prazeres para justificarem as danças modernas da moda; mas não há base para tal argumento.

Argumento 3  Os textos de Salmos 149:3 e 150:4 mandam louvar ao Senhor com danças.

Realmente, à primeira vista, estes dois textos parecem dar o aval divino para a utilização de danças no louvor. Porém, este argumento não se sustém diante de um estudo mais aprofundado. A palavra hebraica utilizada nestes textos é machowl. Este termo tem o sentido primário de “dar voltas”, “voltear”. Devido a isto, o sentido da tradução é dúbio e vários estudiosos têm argumentado que, em tais textos, a palavra hebraica deveria ser traduzida por um instrumento musical, provavelmente um tipo de corneta ou trombeta que dava voltas ou era retorcida, ao invés de se referir a uma dança propriamente dita.

Pelo contexto, machowl parece ser uma referência a um instrumento musical, uma vez que em ambos os textos, Salmos 149:3 e 150:4, o termo ocorre no contexto de uma lista de instrumentos a serem usados no louvor ao Senhor. No Salmo 150 a lista possui oito instrumentos: trompete, saltério, harpa, adufes, instrumentos de corda, órgãos, címbalos sonoros, címbalos retumbantes. Como o salmista está listando todos os instrumentos a serem usados no louvor do Senhor, é plausível assumir que machowal também seja um instrumento musical, seja qual for a sua natureza.

De fato, na tradução de João Ferreira de Almeida, versão Revista e Corrigida, o texto de Salmos 149:3a é “Louvem-lhe o nome com flauta”, enquanto que o texto de Salmos 150:4 diz “Louvai-o com o adufe e a flauta”. Outras traduções seguem a mesma linha de pensamento, como a Bíblia na Linguagem de Hoje, e a Edição Contemporânea de Almeida, publicada pela Editora Vida. Esta também é a versão de rodapé fornecida pela conhecida versão inglesa King James (KJV). O Salmo 149:3 declara: “Louvem-lhe o nome com danças” [ou “com órgão”, no rodapé da KJV]. Em Salmos 150:4 lemos: “Louvai-O com adufes e com danças” [ou “órgão”, rodapé da KJV]. Evidentemente, órgão, neste caso, não se refere aos grandes instrumentos de tubos acionados por teclado que conhecemos hoje, mas a uma flauta de tubos paralelos, como uma flauta Pã existente na atualidade, utilizada especialmente na música tradicional da região andina.

Quanto à compreensão correta dos salmos, deveríamos também ter em mente o princípio da hermenêutica bíblica que diz que sempre deveríamos considerar o estilo literário do conteúdo em estudo. É uma narrativa histórica? É uma parábola, uma declaração profética? Estas perguntas devem ser feitas pelo estudioso diligente de forma que, a partir de suas respostas, possa buscar uma interpretação coerente. Os salmos devem ser compreendidos como fazendo parte do estilo literário poético e como tais não deveriam ser interpretados como sendo literais. A linguagem figurativa desses dois salmos dificilmente dá margem a uma interpretação literal de dança na Casa de Deus. O Salmo 149:5 encoraja o povo a louvar o Senhor nos “leitos”. No verso 6, o louvor é feito com “espadas de dois gumes” nas mãos. Nos versos 7 e 8, o Senhor é louvado por castigar os povos, pôr os reis em cadeias, e os seus nobres em grilhões de ferro. É evidente que a linguagem é figurativa porque é difícil acreditar que Deus esperaria que as pessoas O louvassem estando em pé ou saltando sobre as camas ou enquanto brandem uma espada de dois gumes.

O mesmo se aplica ao Salmo 150, que fala em louvar a Deus, de modo altamente figurativo. O salmista chama não somente o povo de Deus, mas todo ser que respira, ou seja, toda a criação animada, para louvar o Senhor “pelos seus poderosos feitos” (verso 2) em todo lugar possível e com todo instrumento musical disponível. Noutras palavras, o salmo menciona o lugar onde louvar o Senhor, particularmente, “no Seu santuário” e “no firmamento do Seu poder”; a razão citada para louvar o Senhor, é por “Seus atos poderosos, conforme a excelência da sua grandeza”. (verso 2); e os instrumentos a serem usados citados para louvar ao Senhor são os oito que eu já listei anteriormente. O verso 6 nos diz que instrumentos não podem, eles próprios, ser um canal de louvor. Somente coisas que têm fôlego podem adorar. Somente almas viventes podem louvar ao Senhor. À luz disto, o salmo somente faz sentido quando entendido como um salmo ricamente figurativo, usando os tons característicos dos vários instrumentos para descrever as diferentes emoções da verdadeira adoração.


Este salmo só faz sentido se considerarmos a linguagem como sendo altamente figurativa. Por exemplo, não há nenhuma possibilidade do povo de Deus poder louvar o Senhor “no firmamento do Seu poder”, porque eles vivem na terra e não no céu. O propósito do salmo não é especificar o local e os instrumentos a serem usados na música de louvor na igreja. Nem se pretende dar permissão para dançar para o Senhor na igreja. Antes, seu propósito é convidar todo aquele que respira ou emite sons para louvar ao Senhor em todos os lugares. Interpretar o salmo como sendo uma permissão para dançar, ou tocar tambores na igreja, é interpretar de forma incorreta a intenção do Salmo e contradizer as regras que o próprio Davi deu com respeito ao uso de instrumentos na Casa de Deus.

É verdade que vários achados arqueológicos demonstram que havia danças festivas e folclóricas no antigo Israel. Porém, mesmo admitindo a prática da dança nos festejos populares e nacionais, também somos obrigados a admitir que nenhum tipo de dança foi admitido na adoração no Templo. Nenhum texto bíblico autoriza supormos que houve qualquer manifestação de expressões físicas na adoração levítica no Templo. Se Davi cresse que a dança deveria ser um componente na adoração divina, sem dúvida teria dado instruções relativas a ela aos músicos levitas que designou para se apresentarem no templo.

Negligência não parece ser a razão para a exclusão da dança do culto divino, porque observamos que foram dadas instruções claras com respeito ao ministério da música no templo. Instrumentos de percussão como tambores e adufes, geralmente usados para executar música dançante, foram claramente proibidos. O motivo para esta proibição foi porque estes instrumentos estavam associados à adoração e à cultura pagãs, ou porque eles eram tocados, costumeiramente, por mulheres, para o entretenimento. Este fato demonstra que havia uma distinção entre a música sacra, tocada dentro do Templo e a música secular tocada do lado de fora, nas comemorações populares. Aqueles que usam ritmos mundanos e danças nas igrejas hoje seguem seu gosto pessoal e o modismo desta geração e não o claro registro das Escrituras.

A falta de instruções por parte da Davi com relação à dança, juntamente com a proibição aos instrumentos de percussão no Templo sugerem fortemente que a música do templo não era de caráter dançante e que, portanto, não há base bíblica que sustente a utilização de danças nos momentos de adoração. O que foi verdade no Templo também foi verdade para a sinagoga e mais tarde para a igreja apostólica. Nenhuma dança ou entretenimento musical jamais foi permitido na Casa de Deus.

Por fim meus amados, ao analisarmos os principais argumentos utilizados pelos defensores da dança na adoração, vimos que eles não se sustentam diante da Palavra de Deus e do conhecimento que temos da história e dos costumes do Israel do Antigo Testamento, e que, portanto, não podem ser usados por cristãos sérios e comprometidos com a vontade de Deus.

Os princípios bíblicos de música esboçados aqui são especialmente relevantes hoje, quando a igreja e o lar estão sendo invadidos por vários estilos de música mundana, sensual e excitante, que descaradamente rejeitam os valores morais e as convicções doutrinárias abraçadas pelo Cristianismo. Numa época em que a distinção entre música sacra e secular é vaga e imprecisa, e muitos estão promovendo versões modificadas de música popular secular para uso na igreja, precisamos nos lembrar que a Bíblia nos conclama a “adorar o Senhor na beleza de Sua santidade” (I Crônicas 16:29; cf. Salmos 29:2; 96:9), em espírito e em verdade e não com danças e ritmos mundanos.

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