terça-feira, 14 de março de 2017

GREVES E PASSEATAS. O CRISTÃO PODE PARTICIPAR?


Tendo em vista tantas manifestações grevistas e confusões sociais ocorrendo atualmente no Brasil, muitos irmãos me procuram e me perguntam se é lícito a um cristão participar de greves, como, por exemplo, no caso de metroviários, policiais, motoristas e outras categorias espalhadas pelo país.


Sinceramente, não creio que existe uma resposta absoluta para tal questionamento. Eu já fui bem mais radical quanto a isso. Hoje enxergo de um modo mais cirúrgico. Digo isso, porque há casos em que um pastor deve se posicionar de forma pragmática, mas há outros em que os aspectos pontuais e as particularidades devem ser considerados isoladamente. Isso é necessário para que se pratique um julgamento sereno e equilibrado acerca de cada questão. Cada caso deverá ser avaliado individualmente.

Alguns entendem que, ainda que por analogia, a recusa do povo de Israel em continuar trabalhando para Faraó de algum modo poderia servir como inspiração para as paralisações. Outros, dizem que isso é forçar a barra.

Creio que um cristão tem o direito de se rebelar contra atitudes abusivas, injustas, escravagistas, discriminatórias, ou coisa do tipo, ainda que o deva fazer de forma pacífica. Creio que o cristão pode e deve participar de passeatas, manifestações, ou coisas do tipo, desde que pacíficas, sem uso de depredações ao patrimônio público, sem emprego de ofensa moral a ninguém, quando, conforme sua consciência, e em confrontação com a Palavra de Deus, sejam causas justas (sem embargo de podermos estar equivocados em nossas avaliações  do que seria ou não justo ou injusto). Entretanto, sinto ter que responder para alguns que a regra geral para a vida do cristão, no que tange  a este assunto, é a de não participar de greves, notadamente quando tal paralisação for prejudicar ainda mais pessoas. Estas considerações já me parecem bastante desanimadoras para quem aprova tal coisa. Mas eu admito que o debate vai mais longe que isso.

Creio que essas recomendações seriam a determinação apostólica, caso eles estivessem aqui conosco para nos emitir um parecer a este respeito.

O apóstolo Paulo ensinou que devemos servir os nossos senhores na carne como se estivéssemos servindo ao próprio Cristo, na sinceridade do nosso coração (Efésios 6.5).

Pedro ainda disse que os cristãos devem servir aos seus senhores, com todo o temor, não somente aos bons e cordatos, mas também aos perversos, porque isso é grato a Deus, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus (I Pedro 2.18). E estamos aqui a  falar do ensino de dois dos maiores apóstolos da fé cristã. Acho muito difícil conciliar estes ensinamentos, e ainda muitos outros, com a possibilidade indiscriminada de se participar de movimentos grevistas.

O cristão não trabalha primeiramente para si mesmo, e sim para a glória de Deus. Ele tenta transformar o mundo pelo seu testemunho de amor, pelas orações, e claro, também pela sua palavra profética, quando isso implicar em denunciar atitudes abusivas e injustas. É também no sofrimento injusto e resignado que o cristão tem a oportunidade de se identificar com a vida de seu Mestre. Motivações puramente egoístas não devem estar na ordem do dia de um discípulo.

Portanto, a discussão aqui não é quanto ao direito, pois este eu penso que todo cidadão o possui. Mas sim quanto ao peso ético desta ação. Como cristão, pelas considerações que fiz, entendo que não seja recomendável a um cristão engrossar apoio a um movimento que dificilmente não fará uso de depredações, ofensas morais e uso de alguma forma de violência ou mesmo de prejudicar outros cidadãos. A grave em geral exige algo disso ou mesmo tudo isso. Mesmo não sendo o dono da verdade, esta é a verdade que eu adoto para mim no que tange a este assunto.

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