quinta-feira, 9 de março de 2017

EBD OU ESCOLA DE LÍDERES: QUAL MODELO A IGREJA DEVE ADOTAR?


Nunca se esqueçam deste nome: Cesar Castellanos – o papa gospel colombiano, imitador de técnicas empresariais e dos cursilhos católicos e idealizador do movimento G12, aqui no Brasil chamado atualmente de M12. Foi ele quem definiu a Escola Bíblica Dominical, como algo ultrapassado e alegou, ainda, ter sido inquietado por Deus sobre esse assunto e por revelação divina abandonou esse sistema de estudo bíblico, iniciando as chamadas Escolas de Líderes. Hoje, milhares de igrejas seguem no Brasil sepultaram a EBD e seguem as loucuras deste lunático oportunista, dando como óbvio resultado o presente quadro de decadência generalizada em nossas igrejas. Para constatar isso, basta comparar a igreja atual com a igreja dos dias em que havia o predomínio da EBD. Quem tem mais de duas décadas no evangelho, certamente vai concordar comigo.

Na estrutura de uma igreja em células, as reuniões que mais edificavam (cultos de ensinamento, de oração, EBD) são abolidas e dão lugar às células durante a semana, restando apenas 1 culto que é chamado de culto de celebração, o qual também é carregado de outras anomalias, que não cabem abordar agora, por não terem ligação com o tema em questão.
A retirada de cultos e reuniões de ensino, como a tradicional EBD trouxe como consequência a má formação das ovelhas. Não foram poucas as vezes em que presenciei conselhos de líderes de célula sem embasamento bíblico.
Conheço casos (eu disse casos e não caso) de casais que estavam vivendo juntos e que foram instruídos a não se casarem. Noutra situação, um casal se desentendeu e o rapaz foi embora de casa. Depois de um tempo do conflito orientaram sua esposa a se divorciar dele e mais rapidamente do que tudo a incentivavam a começar a namorar com outro membro da igreja.
Essa situação me deixa revoltado com o descaso para com a Palavra de Deus. Quando ministrei à irmã que me trouxe o problema, lembro bem que lhe disse: “Minha amada, não acate para sua vida esses conselhos errados, o Deus que nós servimos é o Deus da Bíblia. E o Deus da Bíblia é o Deus da família. Ele vai restaurar o seu casamento, não destrua sua família, pois este é o propósito diário de Satanás e jamais algo vindo de Deus seguiria nessa direção”. Depois de alguns meses, para Glória do Senhor, eles se acertaram e até hoje estão muito bem.
Outros sintomas dessa falta de conhecimento bíblico são as constantes confusões teológicas. Um jovem membro de uma célula gedozista recentemente, por exemplo, me enviou diversas mensagens, pedindo esclarecimento pastoral, porque achou estranhas demais as orientações e atitudes que tem observado em seu líder de células. Ele me narra que os 12 da chamada célula de primeira geração tinham pouca ou nenhuma informação escatológica, ficavam perdidos quando os TJs batiam em suas portas. Em uma célula um visitante perguntou ao líder: “esse negócio de Trindade é verdadeiro?” E o líder respondeu que não, que é coisa da igreja católica.
Outro caso foi que merece registro aqui, fui numa ocasião, depois de uma pregação que fiz acerca dos sonhos de José. Um dos membros que já estava naquela igreja há 2 anos e que já era formado por esta tal escola de líderes me parou no final do culto e disse maravilhado que nunca tinha ouvido falar da história de José do Egito.
Pode parecer que estou exagerando para alguns, mas depois de mais um caso que presenciei, percebi que faltava um acompanhamento de ensino bíblico para essas pessoas, pois elas terminavam a Escola de Líderes, cuja duração era de aproximadamente 1 ano e depois não faziam mais nada, senão frequentar células e reuniões de 12.
Meu coração se entristeceu de tal forma que não consigo expressar aqui e desde então passei a lutar ainda mais intensamente pelo fortalecimento da EBD e pelo fim desta tal escola de líderes, que na verdade é uma escola de hereges, pois na maioria dos casos que já pesquisei, é justamente isso que acontece.
Para se ter dimensão do descaso para com o ensino, um dos representantes internacionais do G-12, Larry Stockstill, pastor da Bethany World Prayer Center, em Baton Rouge, Louisiana, nos EUA, defende que, “uma das maneiras de evitar doutrinas erradas é não ter ensino nenhum”. Com essa estratégia, o líder passa a ser o único que elabora os ensinamentos e repassa para as gerações de 12.
O que ele coloca no papel fica como padrão e a igreja cresce sem um fundamento abrangente da Palavra e apenas com ração pobre  que lhes é oferecida semanalmente. Sim, ração pobre, pois não é uma refeição que sustenta genuinamente o corpo. Não é o verdadeiro maná descido dos céus, não é a Palavra de Deus.
O modelo celular segue dividindo opiniões, gerando controvérsias, jogando pastores contra pastores e alimentando uma série de versões desencontradas. Há uma “aura mística” em torno da multiplicação celular e uma forte ênfase no crescimento, e não no pastoreio. Há Preocupação apenas em multiplicação, como se o ministério pastoral tivesse metas de produtividade a atingir. Não há nada de errado em dividir a igreja em grupos de estudo. O que me preocupa são essas aberrações teológicas e o desvio eclesiológico. O movimento segue as tendências contemporâneas de interpretação, mais especificamente a subjetividade e relatividade na interpretação e aplicação dos textos bíblicos. Quando uma pesquisa teológica é feita sem “paixões celulares”, descobre-se que nunca a igreja de Jesus usou tais métodos de expansionismo para sua igreja. O que temos hoje é pura conjectura antibíblica e nada mais. Muitas igrejas perderam seu estilo e voltaram-se ao um pragmatismo destrutivo. Essas escolas de líderes são nocivas porque elas reproduzem e treinam mentalidades para este tipo de entendimento, lavam cérebros em escala industrial, para que estes se tornem lavadores de cérebros também.
O negócio agora são as multidões. Isso é tudo que interessa ao modelo celular: Números, somas, inchaços. Escola Dominical? Coisa do passado, não interessa aos profetas da modernidade! Agora em seu lugar estão as famosas Escolas de Líderes. Cultos Domésticos? Nem pensar. Isso é coisa de crente velho! O negócio agora são células! Coral? É arcaico! O negócio agora é música gospel pesada! Todos são obrigados a participar da visão celular. Quem não for é porque é desobediente e não passa de um religioso que não conhece a “visão de Deus”. Quem quiser aderir, a partir de agora, ao novo modelo, amém! Quem não quiser é livre para tomar sua decisão, ou seja, a pessoa deve ir embora da Igreja! Célula passou a ser a única forma de uma igreja trabalhar e crescer. Aliás, o Espírito Santo passou a ser secundário, pois criam-se células e estabelecem alvos numéricos de crescimento, quem converte é o método. Lamentável.
As escolas de líderes incutem uma paixão cega por esta visão nas pessoas, que passam a acreditar que possuem a melhor revelação de Deus, a melhor visão, a melhor estratégia. E movidos por essa paixão procuram persuadir cada pessoa a ser um líder, com a ideia de que a mesma tem um “chamado” para ganhar uma cidade, uma multidão.
A Palavra de Deus, todavia, nos ensina que separar um líder é mais do que tornar alguém apto para cuidar de uma célula, é mais do que uma questão de conhecimento teológico, ser líder é atender ao chamado de Deus e negar a si mesmo! (Ef 4.11) Nem todos recebem de Deus este chamado, nem todos estão preparados, nem todos tem o tempo certo de maturação (I Tm 3.6). 
Na realidade os “discípulos gedozistas” não são preparados para pregar a Cristo, mas treinados principalmente para divulgar a “visão celular” da igreja. É igual ao treinamento de vendedores de um produto. Algumas visões estão impregnadas de costumes e práticas antibíblicas visando um crescimento rápido, embora este crescimento seja doentio.
Geralmente o líder de células possui pouco conhecimento teológico. Uma igreja em células exige um rigoroso planejamento de forma a ser muito bem elaborado, com muito acompanhamento, muito controle, muito critério, do contrário o fracasso será inevitável. Se os líderes não forem bem instruídos, bem acompanhados, bem discipulados, nada feito. Qualquer pessoa é líder, desde que participe dos encontros e da escola de líderes e, claro, permaneça fiel à visão. O chamado de Deus para o ministério é desprezado. É como se ignorassem a escolha de Deus.
Esse tipo de líder começa com pouco conhecimento da Palavra de Deus e termina num profundo analfabetismo bíblico tendo em vista que após ter um crescimento “explosivo” pouco tempo terá para se dedicar ao estudo da Palavra e sim se aperfeiçoar na visão. A visão acaba por jogar as pessoas no fogo! Com informações precárias, eles ensinam o básico do básico e depois te obrigam a abrir uma célula cobrando toda hora o crescimento: a célula tem que romper! Ela tem que crescer, tem que multiplicar senão torna-se uma célula doente.
Recentemente eu publiquei um texto em minhas redes sociais com o título “UMA VOZ CONTRA OS INIMIGOS DA EBD”. Talvez dentre meus ouvintes alguém tenha lido. Eu gostaria de fechar meu parecer reproduzindo na íntegra este pequeno texto, que retrata com fidelidade minha predileção pela EBD.
Domingo é dia de escola! Pelo menos, para milhões de crentes que saem de suas casas logo cedo a fim de aprender a Palavra de Deus. A Escola Bíblica Dominical (EBD) é a maior e mais democrática instituição de ensino do mundo. Ela abre suas portas a qualquer pessoa, independentemente de idade, classe social ou nível de instrução. Gratuita, oferece a todos a oportunidade de ampliar seus horizontes de conhecimento e espiritualidade. É ali que muita gente senta-se pela primeira vez em um banco escolar e é nela que pessoas sem qualquer instrução formal podem tornar-se mestres. Além disso, a EBD está diretamente ligada à história das igrejas evangélicas no Brasil, já que foi implantada ainda em meados do século 19, época em que as primeiras denominações protestantes de missão chegaram ao país. Pode-se dizer que a Igreja Evangélica, por aqui, nasceu de mãos dadas com a Escola Dominical.

Até o início da década de 1980, quando a liturgia das igrejas históricas ainda predominava, a EBD era tão ligada ao domingo quanto o próprio culto público, a ponto de se apropriar naturalmente da nomenclatura“ dominical”. Em inúmeras congregações, as atividades matinais concentram-se no estudo bíblico, conferindo à Palavra de Deus um papel de centralidade na vida dos crentes e a despeito do formato e das metodologias aplicadas, matricular-se em uma das classes era o que se esperava de todo e qualquer membro da congregação, fosse veterano ou novo convertido.

Todavia, por volta de trinta anos atrás, teve início uma espécie de crise. Juntamente com uma avalanche de heresias, algumas denominações, notadamente de linha neopentecostal, acharam por bem substituir a boa e velha Escola Dominical por outras atividades, ou simplesmente aboli-la. A justificativa era de que o modelo estava desgastado. Mas a pergunta é: por mais que a EBD precise de renovação e dinamismo, alguém conseguiu inventar coisa melhor? Se depender de mim e das igrejas mais tradicionais, a resposta é a mesma, ou seja, um retumbante “NÃO”. Muitas denominações (Graças a Deus) continuam adeptas do modelo tradicional de Escola Dominical e reiteram que seus frutos são benéficos aos cristãos, mesmo em pleno século 21, época de tantas modernidades e igualmente tanto secularismo em plena cristandade. Acredito que a EBD é a mais importante agência de aprendizado bíblico e de evangelização da Igreja, sua substituição ou erradicação é um sintoma claro da derrocada espiritual que vem desfigurando o ministério cristão nas últimas décadas, transformando o que era um espaço transformador de almas num depósito de gente festiva e rentável, redesenhando o modelo da fé segundo os moldes das empresas piramidais.

Toda letra que minha mão produzir e todo eco que voar de minha garganta defenderão a EBD. Eu não sou fruto de instituições teológicas formais e nem produto de supostas escolas proféticas (cuja própria nomenclaura já é antibíblica). Eu sou um homem edificado para servir ao reino, talhado a partir daquelas inesquecíveis manhãs de domingo que se repetiram por toda minha mocidade, sem as quais eu seria apenas um rascunho daquele que hoje sou. Logo, por razões não retóricas, mas apologéticas e de cunho existencial latente, eu estarei sempre na vanguarda daqueles que lutam pela preservação da EBD e pela erradicação de todas as vozes que ousam querer erradicá-la.

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