segunda-feira, 13 de março de 2017

CASAMENTO E DIVÓRCIO. DESFAZENDO MITOS E MENTIRAS


Afinal de contas, o que de verdade as Escrituras ensinam e determinam sobre casamento, divórcio e novo casamento? Quais são as implicações de um ponto e vista distorcido ou equivocado a este respeito? Por que tantas vozes encaram com naturalidade o tal “fim do amor” e se permitem cada vez mais o dito “novo amor”?  E qual deve ser a postura do verdadeiro cristão com respeito a essas questões e suas variantes?  Humildemente e de coração aberto, a proposta do presente artigo consiste em oferecer uma resposta clara para essas que são dúvidas de centenas de leitores que nos escrevem diariamente e, seguramente, de milhares de outros que nesse presente momento estão aqui.

Essa semana li na internet a seguinte frase: “Deus jamais destrói uma família para construir outra”. Uma constatação absolutamente correta e perfeita.

É claro, o assunto do divórcio e do novo casamento é controverso. Com a verdade sendo encoberta pelos argumentos, réplicas e incertezas, muitos se desesperam e se julgam incapazes de determinar com precisão a vontade de Deus neste caso. Nestes tempos emocionais e cheios de dissensões, é indispensável que nos lembremos dos princípios básicos e simples que governam nosso relacionamento com Deus. Nossas conclusões dependerão muito do estado do espírito com o qual abordamos este estudo. Sejamos, pois, pacientes e humildes enquanto consideramos estes princípios decisivos e fundamentais.

“Ora, aconteceu que, ao dizer Jesus estas palavras, uma mulher, que estava entre a multidão, exclamou e disse-lhe: "Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que te amamentaram!" Ele, porém, respondeu: "Antes bem- aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!" (Lucas 11:27-28)

Nossas primeiras responsabilidades diante de Deus são ouvir sua Palavra e cumpri-la. Estas exigências, ainda que sejam simples de afirmar, não são simples de obedecer.

Ouvir a Palavra


Ouvir a palavra corretamente não é um passo fácil que se pode dispensar quando se cresce em Cristo. Todos precisamos ter cuidado em como ouvimos.
“Ora, estes de Beréia eram mais nobres do que os de Tessalônica; pois receberam a Palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim. Com isso muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição, e não poucos homens.” (Atos 17:11-12)
Deus chama de nobres estes cristãos de Beréia porque eles ouviram a Palavra corretamente: primeiro, eles a receberam avidamente; em segundo lugar, eles a confirmaram nas Escrituras; em terceiro, creram nela quando a acharam verdadeira. Este é um excelente exemplo para nós.

Eles receberam


Os de Beréia receberam a Palavra avidamente, com a mente aberta e receptiva. Outros fecharam suas mentes e bloquearam os ouvidos (Atos 7:57; Mateus 13:14-15). Uma vez que para aprender a verdade é necessário ter a mente aberta, evitemos a postura daqueles que fecham suas mentes:

Preconceito ­ Se já formamos ideia antes de um estudo cuidadoso da evidência, nunca aprenderemos a verdade. Os judeus negaram a Jesus em face da evidência irrefutável, porque eles já haviam decidido que seu Messias não iria ser crucificado (veja I Coríntios 1:23); portanto, a evidência não tinha importância para eles. Precisamos querer reexaminar as velhas ou novas conclusões humanas e as tradições que nos agradam, a respeito do divórcio e novo casamento, à luz das Escrituras. Muitos de nós, às vezes, abandonamos velhas crenças ou rejeitamos modismos, em outras áreas. Temos que desejar fazer o mesmo aqui também.

Preferência ­ O que queremos que a verdade seja, muitas vezes nos impede de abrir a mente para aprendê-la. É tão difícil estudar abertamente quando aqueles que amamos são diretamente afetados pelas nossas conclusões. Mas se não amamos a verdade de todo o coração, Deus mesmo pode atuar para nos convencer de uma mentira (II Tessalonicences 2:9-12). Se eu tiver um sentimento forte e uma preferência pessoal por uma conclusão em particular, vou precisar de um esforço disciplinado para que receba a Palavra abertamente.

Presunção ­ A presunção prejudica uma mente aberta. Se temos que admitir que temos estado errados, a presunção pode nos impedir a um estudo sério. O orgulho de nosso próprio raciocínio e nossas crenças nos impede de humilharmo-nos diante das afirmações daquele cujos caminhos e pensamentos são infinitamente mais altos do que os nossos. Confiança em ideias espertas, que fogem do significado claro das passagens da Bíblia, impede que muitos recebam a Palavra de Deus. Possa Deus humilhar nossos corações enquanto procuramos a verdade neste assunto tão difícil.
Preocupação ­ A verdade frequentemente requer muito esforço para se aprender. Enquanto uma relação desnorteante de pontos de vista variados competem pela nossa atenção, podemos não querer gastar o tempo e o esforço necessários para procurar a vontade de Deus. Para amar a verdade, temos que procurá-la de todo o coração.

Protesto ­ As pessoas, frequentemente, dizem que por haver tanta divergência entre os irmãos cultos, a respeito do divórcio e novo casamento, é impossível estar-se realmente certo da vontade de Deus. Considere Paulo em Beréia. Ele resistiu praticamente sozinho, enquanto os estudiosos daquele tempo o contradiziam. O grau da controvérsia não tem influência na decisão se a verdade é ou não encontrável. Se Deus tem falado, podemos conhecer a verdade. E Deus fala sobre casamento e divórcio.

Eles examinaram as Escrituras


Os de Beréia não somente tinham um coração receptivo, eles também examinaram as Escrituras para verificar a exatidão do que Paulo disse. Há quatro coisas importantes que eles fizeram:
Examinaram ­ Esses homens investigavam por sua conta. Eles não estavam querendo aceitar meras palavras de homem; eles examinaram para ver se era de fato Palavra de Deus. Muitos prefeririam só seguir o que seu pregador favorito ou os anciãos da igreja ensinam. Outros seguem sem resistência algumas as filosofias complacentes que regem as sociedades modernas. Mas temos que examinar as Escrituras nós mesmos para verificar a verdade.

As Escrituras ­ Esses homens reconheciam a fonte da verdade. A única maneira pela qual conhecemos a vontade de Deus é pelas Escrituras. Nossos sentimentos, ideias, intuições e impressões não são o padrão. Tenho que ter muita fé para aceitar o que as Escrituras ensinam sobre o divórcio e novo casamento mesmo que não me pareça razoável, como o mandamento para sacrificar Isaque deve ter parecido a Abraão. O que as Escrituras dizem é justo – esse deve ser o nosso pressuposto.

Diariamente ­ Os cristãos de Beréia queriam realmente saber a verdade. Interesse e estudo sério são exigências absolutas se vamos determinar a verdade no meio de vozes conflitantes. Assuntos difíceis testam nossa vontade de buscar a verdade.

Se era de fato assim ­ Esses de Beréia acreditavam que se poderia saber se, de fato, era assim, pelo estudo das Escrituras. Temos que ser homens de convicção suficiente para defender o que as Escrituras ensinam. Se cada pregador, cada igreja e cada estudante de grego neste mundo acreditassem no erro, poder-se-ia, ainda, conhecer a verdade com certeza, seguindo as Escrituras. Quanto mais estudo das Escrituras e menos pesquisa de opiniões fizermos, mais convicção da verdade desenvolveremos.

Eles acreditaram


Como resultado de sua busca, os de Beréia acreditaram no que haviam ouvido Paulo pregar. O que as Escrituras ensinam é justo; podemos ter toda a confiança e acreditar e seguir a Palavra de Deus. É nossa esperança que você leia este artigo com a alma aberta, comparando-o com as Escrituras aplicadamente.

Obedecer à Palavra


Deus exige energicamente obediência a sua vontade. Obedecê-lo rigorosa e cuidadosamente não é demais. Uma profunda e minuciosa preocupação em fazer exatamente a vontade de Deus é, antes, uma expressão de nossa fé em Deus e do nosso amor por ele. A fé em Deus nos faz desejar confiar implicitamente em cada palavra dele. O amor por Deus nos faz desesperadamente agradá-lo.

Alguns agem como o moço rico de Marcos 10. Ele ouviu a palavra avidamente. Ele creu no que Jesus disse. Ele queria obedecer. Mas retirou-se entristecido, porque não queria pagar o preço. Que tragédia! Deus nunca disse que seria fácil fazer sua vontade. Alguns admitem que se uma conclusão a respeito das Escrituras dificulta a obediência para algumas pessoas, então essa conclusão é incorreta. Realmente, Jesus sempre encorajou o exame do custo (Lucas 14:25-33) e alertou sobre as exigentes solicitações feitas aos discípulos. Para seguir a Jesus eu tenho que estar disposto a abandonar tudo: propriedades, família e até meus próprios desejos. Teria você sacrificado Isaque, se você tivesse sido Abraão? Teria você vendido tudo se fosse o moço rico? Teria você se divorciado de sua esposa, se você tivesse sido um dos judeus dos dias de Esdras? (Esdras 9-10). Ou teria sido certo que Deus não poderia exigir algo tão custoso e extremo? Pois, que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? ou que dará o homem em troca de sua alma? (Mateus 16:26).

O ensinamento da Bíblia a respeito do casamento, divórcio e novo casamento pode ser resumido em cinco afirmações.

1. O Casamento é Permanente 

Quanto Tempo Deveria Durar Um Casamento?


"Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive" (Romanos 7:2). "A mulher está ligada enquanto vive o marido" (1 Coríntios 7:39). A intenção de Deus é que um esposo e uma esposa permaneçam casados até que a morte os separe. Deus une esposo e esposa num só ser, e esta união é para ser permanente. Deus, certamente, não liga pessoas em outros casamentos posteriores, os quais Ele mesmo define como adultério.

2. O Divórcio é Pecaminoso

Posso Divorciar-me?


Há razões básicas porque o divórcio é pecaminoso: Primeiro, Deus disse: Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem. (Marcos 10:9). Segundo, é pecaminoso por causa do que o homem faz à sua companheira, quando ele se divorcia dela. Jesus disse que ele a expõe cometer adultério (Mateus 5:32). Fazer com que outro tropece e se perca é um pecado tremendamente horrível (Mateus 18:6). Terceiro, o divórcio é pecaminoso, porque eu prometi ficar com minha esposa até que a morte nos separe. Deus abomina a mentira e a quebra da promessa (Apocalipse 21:8; Romanos 1:31).

3. Casamento de Divorciado é Adultério

Posso Casar-me Novamente?


A pessoa divorciada não tem a opção de se casar novamente. Em I Coríntios 7:10-11, Paulo deu duas escolhas àqueles que haviam se divorciado: permanecer descasado ou então se reconciliar com o seu par. Novo casamento de divorciados é adultério. É adultério para aquele que se divorcia de seu par (Marcos 10:11-12), para aquele que está divorciado (Mateus 5:32) e para aqueles que se casam com pessoas divorciadas (Lucas 16:18). De acordo com Romanos 7:2-3 o adultério continua enquanto se está casado com um segundo par e o primeiro ainda vive.

4. O Arrependimento Significa Separação

E se eu estou novamente casado?


Considerando que nenhum adúltero pode herdar a salvação (I Coríntios 6:9-11) e desde que Deus julgará os adúlteros (Hebreus 13:4), aqueles divorciados que estão cometendo adultério por haverem se casado novamente necessitam urgentemente de serem perdoados. Mas o que têm eles que fazer para receber perdão? Têm que se arrepender (Atos 2:38). O arrependimento envolve o abandono das práticas pecaminosas; neste caso, a desistência do adultério. Os Coríntios foram limpos depois que eles deixaram suas práticas pecaminosas ("Tais fostes alguns de vós" ­ I Coríntios 6:9-11). O Evangelho sempre exige a separação do pecado. O beberrão deve separar-se de sua garrafa, o idólatra de seus ídolos, o homossexual de seu amante, o adúltero de seu par ilegal.

5. Exceto Por Traição

Há Exceções?


Toda a pessoa divorciada de um companheiro vivo comete adultério quando se casa novamente, exceto aquele que se divorciou de seu par por traição conjugal (Mateus 19:9). Nenhuma exceção é dada àquelas pessoas cujos divórcios não envolveram traição. Nenhuma exceção é dada àqueles que receberam o divórcio. A exceção é dada somente àqueles que se divorciaram por motivo de traição do outro cônjuge.

Há muita confusão no mundo sobre a necessidade do batismo. Mas não é porque Jesus não pode ser entendido (veja Marcos 16:16). É por causa das teorias dos homens e dos esforços para evitar o que Jesus disse. Há muita confusão no mundo sobre as consequências do divórcio e novo casamento. Mas não é porque Jesus não pode ser entendido. É por causa das teorias dos homens e dos esforços para evitar o que Jesus disse. Por que homens no mundo das denominações não reconsideram suas posições quanto ao batismo quando são forçados a contradizer o simples significado de passagens tão claras? Por que você não reconsidera suas crenças a respeito do divórcio e novo casamento, se elas contradizem o significado de tais passagens como Mateus 5:32, 19:9; Marcos 10:11-12; Lucas 16:18; Romanos 7:2-3; I Coríntios 7:10-11?

É importante colocar que mesmo diante da exceção que o adultério abre, isso não significa que mesmo nessas situações não seja possível restaurar um casamento. Arrependimento e perdão podem curar os males causados pelo adultério.

 Todavia, somente o homem simples, com fé e devoção tem sido capaz de  entender a vontade de Deus. Possa o Senhor abençoar-nos para ouvirmos Sua Palavra e obedecê-la.

O amor acabou – O que fazer?


Em primeiro lugar, precisamos desfazer o mito do “amor que acaba”. Essa é uma sentença que ouvimos reiteradamente dos lábios de personagens do mundo artístico ou das celebridades da mídia, os quais se casam e recasam com a mesma tranquilidade com que alternam peças de vestuário. Não é um modelo a ser seguido. Gente infeliz e desajustada não pode servir de referencial para quem busca felicidade e equilíbrio.

Vivemos dias em que o amor tornou-se algo descartável, superficial, egoísta. O amor propagado pela mídia e pela cultura não possui nenhum paralelo com o amor bíblico. É carnal, impaciente, maldoso, sente inveja, se vangloria, se orgulha. O amor de nossa civilização se tornou um contrato, tem prazo de validade, procura seus próprios interesses, se ira com facilidade, guarda rancor. Não quer sofrer, desconfia em vez de tudo crer, nada espera, nada suporta. É um amor banal e fugaz. É a mais absoluta contradição de I Coríntios 13.
Como Ministro do Evangelho eu nunca incentivo e apoio uma separação entre pessoas casadas. Prefiro ensiná-los a diferenciar o falso amor do mundo com o verdadeiro amor bíblico, ensinando-os a compreender e implementar o amor de Deus em sua relação. Esse é o segredo e isso salva qualquer casamento em crise.

Amar é uma decisão, não um sentimento, amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo. Verbo significa ação e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverão pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame quem está ao teu lado, ou seja, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê afeto e ternura, admire e compreenda-o. Ame!


4 comentários:

  1. Excelente abordagem pr. Reinaldo. Sempre pensei assim, mas confesso que me faltavam argumentos tão poderosos e bases tão sólidas para defender essa posição. Deus continue a capacitá-lo a nos ensinar!

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  2. Parabéns pelo artigo evangélico. Um abraço do confrade RUY MATOS.

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  3. Pr Lourival Silverio dos Santos,
    Pr Reinaldo Ribeiro, é com muita alegria parabeniza-lo por este artigo, um excelente trabalho; peço a vossa permissão para compartilhar este artigo. Deus o Abençoe, com a paz de nosso Senhor Jesus Cristo, Amem.

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  4. Pr Lourival Silverio dos Santos, sou igreja Batista do Calvário, da convenção Nacional de S. Manoel do Paraná - Pr. Devo parabenizar o seu artigo sobre o divorcio. Deus o abençoe a sua vida por se dedicar a preciosa Palavra da verdade, que não deixa nada oculto.

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Obrigado por seu comentário. Breve iremos analisá-lo com todo carinho. Que Deus lhe abençoe!

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