sexta-feira, 10 de março de 2017

BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO. A VERDADE SOBRE ESTE PECADO


O texto de Mateus 12.24-31 (cf. Marcos 3.28-29; Lucas 12.10) relata o caso em que os fariseus blasfemaram contra o Espírito Santo. A questão é: O que significa a blasfêmia contra o Espírito Santo?

Em rápidas palavras tentarei mostrar as três interpretações mais aderidas, e assim, com base bíblica, discernir qual seria a mais coerente.
A primeira interpretação e a mais famosa (sendo interpretada no sentido isolado), é de que, tal blasfêmia é atribuir uma maravilha de Deus (um feito) a uma obra do Diabo ou de Belzebu como diz o texto. E se olharmos o texto, passando os olhos rapidamente, de fato dar-se entender que essa interpretação é a mais correta (Mateus 12.26-28). Mas, creio eu, que tal interpretação fará com que voltemos no tempo e faremos ressurgir uma doutrina que foi rechaçada pela igreja que se chama subordinacionismo.

subordinacionismo ensina que o Pai é o único Deus, o Filho e o Espírito Santo são criaturas subordinadas. Ou seja, que não se deve prestar a mesma honra ao Pai assim como se dá ao Filho e ao Espírito Santo. Então, se seguirmos este raciocínio, de que, se pecarmos contra o Espírito Santo não teremos perdão, mas se pecarmos contra o Pai e o Filho podemos obter a salvação, logo, tal interpretação é injusta pois declara que o Espirito Santo é maior do que o Pai e/ou o Filho, o que não confere com o relato bíblico, no qual verificamos que a salvação é uma obra Trinitariana (Efésios 1.4-14; 1Pe 1.2-5).

A palavra blasfêmia faz referência a uma injuria e/ou calunia. Em Marcos 3.21 é dito que os parentes de Jesus O tiveram por louco, ou como mostra o sentido grego (existemi) pensaram que Ele estivesse enfeitiçado. Ou seja, de um modo ou de outro os Seus parentes blasfemaram, e ainda assim, temos relatos bíblicos dos irmãos de Jesus sendo chamados de irmãos (na fé) (Gálatas 1.19; Judas 1). Assim, eu particularmente sempre descartei esta primeira hipótese.

A segunda interpretação dentre as mais comuns é de que tal blasfêmia seria uma rejeição à salvação oferecida pelo Espirito Santo.

Para aqueles que advogam esta linha de interpretação, este pecado é a rejeição propositada de Cristo e sua salvação. Seria o único meio que priva o homem da possibilidade de perdão. A explicação é que o Espírito Santo é quem oferece a salvação ao coração do homem. Logo, blasfemar contra o Espírito Santo seria rejeitar a própria oferta que Ele nos traz de salvação em Cristo.

Essa interpretação leva consigo uma complicação. Se blasfemar é recusar a salvação, como explicar o caso do apóstolo Paulo que diz: “Ainda que outrora eu era blasfemador, perseguidor, e injuriador; mas alcancei misericórdia, porque o fiz por ignorância, na incredulidade.” (I Timóteo 1.13) (?). particularmente considero uma argumentação frágil teologicamente para ser sustentada.

A terceira linha de interpretação, e a mais coerente, quando olhamos para outros textos bíblicos, é de que, tal blasfêmia é uma apostasia. Apostasia tal, que acarreta uma série de evidências que os textos bíblicos mostram. O contexto da passagem não fala, somente, de uma incredulidade ou rejeição de Cristo. Os textos (Mateus 12.24-31; Marcos 3.28-29; Lucas 12.8-11) mostram que tal pessoa, que blasfema, tem o conhecimento de quem é Cristo e do poder do Espírito Santo, mostra uma rejeição deliberada dos fatos sobre Cristo. Assim, como Hebreus 6.4-6 mostra, uma pessoa que teve um entendimento da verdade, sentiu o sabor e que esteve em comunhão, essas pessoas são impossíveis de serem perdoadas.

A razão pela qual a blasfêmia contra o Espírito supera outros pecados, não é que o Espírito é superior a Cristo, mas que aqueles que se rebelam, depois que o poder de Deus foi revelado, não podem ser dispensados sob a alegação de ignorância.
Assim eu particularmente acredito que os que blasfemam são aqueles que tiveram o conhecimento de Cristo, e, portanto, são crentes de verdade, que em algum momento apostatam da fé e, portanto, caem da graça, perdendo, assim a sua salvação. Esses receberam muito açoites (Lucas 12.28), pois querem, de novo crucificar o Filho de Deus, e o expor ao vitupério. Estes são como a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. (Hebreus 6.7-8; cf. Mateus 13.3-23). E ser queimado, todos nós bem sabemos que metaforicamente reporta ao sofrimento eterno no abismo sem Deus.
A blasfêmia contra o Espírito Santo é a rejeição contínua e deliberada do testemunho que o Espírito Santo dá de Cristo, da Sua Palavra e da Sua Obra de convencer o homem do pecado.

Aquele que rejeita a voz do Espírito e se opõe a ela, afasta de si mesmo o único recurso que pode levá-lo ao perdão – o Espírito Santo.
E quais são as atitudes que levam um crente a blasfemar contra o Espírito Santo?
1.     Entristecer o Espírito, se isto for contínuo, levará a resistência ao Espírito.
2.     Resistir ao Espírito leva ao apagamento do Espírito dentro da pessoa.
3.     Apagar o Espírito leva ao endurecimento do coração.
4.   O endurecimento do coração leva a uma mente réproba e depravada, a ponto de chamar o bem de mal e o mal de bem.

Quando o endurecimento do coração atinge certa intensidade, que somente Deus conhece, o Espírito já não contenderá para levar aquela pessoa ao arrependimento. Aí dá-se a blasfêmia contra o ES.

Logo, a APOSTASIA é um perigo para todos os que vão se desviando da fé e que se apartam de Deus, ela não se consuma sem o constante e deliberado pecar contra a voz do Espírito Santo.

Os apóstatas geralmente pensam que são verdadeiros crentes, mas sua indiferença para com as verdades de Cristo, Espírito Santo e as Sagradas Escrituras indicam o contrário. Certamente já viveram o primeiro amor e como diz Hebreus 6, experimentaram a plenitude do evangelho, mas a Palavra alerta que está em pé para que não caia, o que demonstra que todos nós estamos passíveis a abandonar uma condição vitoriosa de vida para a derrocada fatal da fé, se não atentarmos para os muitos alertas contidos nas Escrituras.
"Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos." (II Co 13:5)

Contudo, Deus declara que receberá todos que já desfrutaram da graça salvadora, se arrependidos voltarem a Ele. Logo, se alguém em algum momento já foi um blasfemo, tal como Paulo admitiu que foi, não pense que isso inviabiliza definitivamente sua salvação. Se houver em seu coração a centelha do arrependimento sincero e a sua alma buscar o perdão de Deus em Cristo, isto prova que você não atingiu este nível imperdoável de blasfêmia, acerca do qual a Bíblia deixa muito claro que endurece de tal forma o cristão apóstata, que este já não mais enxerga sua condição miserável de condenação e cauterização.

A má notícia é que todos os que blasfemarem neste nível seguem um caminho sem volta. A boa notícia é que se arrependidos voltarem a Ele (Jesus), todos os blasfemadores acharão lugar de perdão e salvação! (Gl 4:19, 5:4; 1Co 5:1-5; 2Co 2:5-11; Ap 3:14-20)

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