terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ATOS 17:24 SUGERE QUE DEUS CONDENE OS TEMPLOS CRISTÃOS?



Meus irmãos, o campo de batalha ideológico criado por aqueles que abandonaram a Igreja institucional para se tornarem inimigos de toda e qualquer denominação – os chamados desigrejados – tem deflagrado uma série de debates e acusações. Uma das mais comuns seria a de que nós igrejados ou congregados estaríamos pervertendo o conceito bíblico de igreja ao chamarmos nossos templos dessa forma. Para respondermos a essa acusação, precisamos entender a passagem bíblica que mais utilizam para apoiar sua ideologia antitemplo: Atos 17:24

"O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens."
Muitas das pessoas que dizem que não há necessidade de frequentar uma igreja, congregar, utilizam esse versículo em seus argumentos. Como entende-lo? Estaria o texto afirmando que Deus não habita nas Igrejas?
A Bíblia nos diz que: "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu no meio deles." (Mateus 18:20). Esse texto por si só já deixa claro, que a existência ou inexistência de um templo em nada interfere na presença de Deus, bastando apenas uma reunião sincera de adoradores de Cristo.
Não há dúvidas que devemos estar congregados, reunidos em nome de Deus, e sentir a sua presença, tanto nos "templos", como fora deles. Mas, no versículo em questão, Paulo está "explicando" aos Atenienses, sobre Deus, já que estes eram politeístas, ou seja, adoravam vários deuses. Leia todo o capítulo, começando do versículo 19 até o 34, e irá entender que Paulo estava evangelizando em meio a um povo que para cada deus, montava um templo (Diana, Apolo, Zeus) e também construíram um templo ao "Deus desconhecido". Paulo se valeu desta oportunidade apontando Deus como único Senhor. Fazendo a leitura completa, e não uma analise isolada de um único versículo, minimizamos a probabilidade de errar na interpretação.
Lendo Hebreus 10: 22-25, percebemos que o autor fala sobre estarmos "congregados" e não devermos "abandonar" este costume, pois é disso que vem a comunhão, o aprendizado, a oração conjunta por um propósito. Portanto, o que podemos e devemos fixar logo de início é que temos respaldo bíblico para estarmos na igreja, sabendo que toda a verdade que Deus nos deixou através de Sua Palavra, serve para nos esclarecer em tudo, e não para nos deixar confusos. Atos 17:24, assim se esclarece e em nada serve como ponto de apoio para as insustentáveis teses do desigrejamento.
É lógico que quando mergulhamos no significado profundo e espiritual do que seja a igreja, não vamos chegar num prédio de alvenaria. Igreja não é templo, não é sinagoga, não é mesquita. Igreja é gente santa, e não lugar. Mas igreja também e a assembleia de pecadores perdoados; de incrédulos que se tornam crentes; de pessoas espiritualmente mortas que são espiritualmente ressuscitadas; de apáticos que passam a ter sede do Deus vivo; de soberbos que se fazem humildes; de desgarrados que voltam ao aprisco.
Igreja é mistura de raças diferentes, distâncias diferentes, línguas diferentes, cores diferentes, nacionalidades diferentes, culturas diferentes, níveis diferentes, temperamentos diferentes. A única coisa não diferente na Igreja é a fé em Jesus Cristo.
A Igreja não é igreja ocidental nem igreja oriental. Não é Igreja Católica Romana nem igreja protestante. Não é igreja tradicional nem igreja pentecostal. Não é igreja liberal nem igreja conservadora. Não é igreja fundamentalista nem igreja Bola de Neve. A Igreja não é Igreja Adventista, Igreja Anglicana, Igreja Assembleia de Deus, Igreja Batista, Igreja Congregacional, Igreja Deus é Amor, Igreja Episcopal, Igreja Hilsong, Igreja Luterana, Igreja Maranata, Igreja Menonita, Igreja Metodista, Igreja Morávia, Igreja Nazarena, Igreja Presbiteriana, Igreja Quadrangular, Igreja Reformada, Igreja Renascer em Cristo, nem igrejas no lar e nem igrejas sem nome.
Não há nada mais inescrutável e fantástico do que a Igreja de Jesus Cristo. Ela é o mais antigo, o mais universal, o mais antidiscriminatório e o mais misterioso de todos os agrupamentos. Dela fazem parte os que ainda vivem (igreja militante) e os que já se foram (igreja triunfante). Seus membros estão entrelaçados, mesmo que, por enquanto, não se conheçam plenamente. Todos igualmente são “concidadãos dos santos” (Ef 2.19), “co-herdeiros com Cristo” (Ef 3.6; Rm 8.17) e “co-participantes das promessas” (Ef 3.6). Eles são nada menos e nada mais do que a Família de Deus (Ef 2.19; 3.15). Ali, ninguém é corpo estranho, ninguém é estrangeiro, ninguém é de fora. É por isso que, na consumação do século, “eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21.3).
A Igreja de Jesus, também chamada Igreja de Deus (1 Co 1.2; 10.22; 11.22; 15.9; 1 Tm 3.5 e 15), Rebanho de Deus (1 Pe 5.2), Corpo de Cristo (1 Co 12.27) e Noiva de Cristo (Ap 21.2) e tem como Esposo (Ap 21.9), Cabeça (Cl 1.18) e Pastor (Hb 13.20) o próprio Jesus.
A tradicional diferença entre igreja visível e igreja invisível não significa a existência de duas igrejas. A Igreja é uma só (Ef 4.4). A igreja invisível é aquela que reúne o número total de redimidos, incluindo os mortos, os vivos e os que ainda hão de nascer e se converter. Eventualmente pode incluir pecadores arrependidos que nunca freqüentaram um templo cristão nem foram batizados.
Somente Deus sabe quantos e quais são: “O Senhor conhece os que lhe pertencem” (2 Tm 2.19). A igreja visível é aquela que reúne não só os redimidos, mas também os não redimidos, muito embora passem pelo batismo cristão, se declarem cristãos e possam galgar posições de liderança. É a igreja composta de trigo e joio, de verdadeiros crentes e de pseudocrentes. Dentro da igreja visível está a igreja invisível, mas dentro da igreja invisível nunca está toda a igreja visível. A Igreja de Jesus é uma só, porém é conhecida imperfeitamente na terra e perfeitamente no céu.
Na época de Cristo haviam duas realidades "eclesiásticas", duas instituições ligadas ao judaísmo: o templo de Jerusalém e as sinagogas. O templo era o centro por excelência da expressão de fé, lugar onde estava a presença de Deus, segundo a tradição hebraica, onde o povo fazia as suas ofertas a Deus, através dos sacrifícios. Ao mesmo tempo, nas pequenas cidades da Palestina, e também na diáspora, existiam as sinagogas, que poderíamos comparar às nossas igrejas, aos nossos edifícios onde as comunidades se reúnem. Eram centros onde se estudava a Palavra de Deus, onde se celebrava, principalmente nos sábados. Jesus, por exemplo, teria aprendido a ler e escrever na sinagoga de Nazaré. Foi lá também que leu a passagem de Isaías, que sublinha o programa da sua ação.
Em nenhum momento Jesus fala mal do templo e também não fala mal das sinagogas. Há na verdade uma forte crítica, no episódio com os vendilhões do templo, por estarem profanando a "casa do meu pai", como Ele mesmo se referiu àquele lugar. O templo, para Cristo, era uma realidade positiva, em si. Se não fosse Ele jamais teria agido com tamanho zelo e indignação perante aqueles que faziam comércio em sua área e muito menos teria se referido ao templo como “casa do meu Pai.”. Um desigrejado jamais se dirigiria a um templo como Casa de Deus, mas foi exatamente assim que Jesus se referiu ao templo de sua época.
O templo - a igreja - não é uma necessidade divina. O ser humano sim tem necessidade de algo concreto que funcione como ligação comunitária de fé; algo imanente que o conduza ao transcendente e que fortaleça sua caminhada, juntamente com outros que nutrem o mesmo propósito. Portanto, os edifícios de culto são uma necessidade humana justificável. A igreja tem sua essência mística, mas ela não é uma pasta esotérica, ela é uma comunidade organizada e por isso precisa de uma instituição, caso contrário corre o risco de morrer. Essa é a grande dialética que existe entre "fé e instituição", que não podemos ignorar na nossa vida cristã.

Ao falar em Igreja, a Bíblia considera dois importantes sentidos: A Igreja "Universal": Um relacionamento dos santos com Deus; existe tanto no céu como na terra (Efésios 3:15); O Senhor acrescenta "membros" (Atos 2:47); seu ingresso é através do batismo (1 Coríntios 12:13); Todos os santos estão nela (Gálatas 3:27); (2 Timóteo 2:19); Possui um só pastor/mestre (Mateus 23:8) – que é JESUS; é descrita como "assembleia" figuradamente (Hebreus 12:22-23); Satanás não prevalece contra ela (Mateus 16:18)

A Igreja "Local": Um relacionamento de santos com santos; Terrestre, limitada (Filipenses 1:1); Nós nos juntamos a ela (Atos 9:26); Seu ingresso/participação dá-se através da aceitação de outros santos (3 João 10); Alguns determinados santos estão nela (1 Coríntios 1:2); Algumas pessoas que não são "dos nossos" estão nela (1 João 2:19); pastores humanos estão presentes nela (1 Pedro 5:2); Reúne-se literalmente (1 Coríntios 14:23); Satanás pode e, às vezes, consegue prevalecer contra ela (Apocalipse 2:5)

A igreja "universal" é um relacionamento de indivíduos com Deus que vem em primeiro lugar e existe enquanto alguns indivíduos andam na verdade (3 João 3-4), apesar dos atos e das palavras de homens. A igreja "local" é um laço adicional, de santos com santos, que fazemos pela vontade de Deus para que possamos funcionar como uma unidade organizada (ou seja, funcionar coletivamente) para cumprir o divino propósito dele. No NT, uma igreja é simplesmente um grupo de cristãos que seguem a Cristo. A palavra pode ser usada para falar de todos aqueles que servem ao Senhor, não importa onde estejam (Hebreus 12:22-23). É freqüentemente usada para descrever grupos locais de discípulos que se encontram para adorar, para edificarem uns aos outros e para proclamarem o evangelho de Jesus. É neste sentido que lemos sobre a igreja em Antioquia da Síria (Atos 13:1), sobre as igrejas em Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia (Atos 14:21-23), sobre a igreja em Éfeso (Atos 20:17), a igreja em Corinto (1 Coríntios 1:1;  2 Coríntios 1:1), as igrejas na região da Galácia (Gálatas 1:2) e a igreja dos tessalonicenses (1 Tessalonicenses 1:1;  2 Tessalonicenses 1:1).

É neste ambiente de igrejas locais que encontramos base bíblica para as nossas igrejas locais de hoje também. Isso não significa que apoiemos a construção de megatemplos ou a existência dos sistemas comuns de superestruturas de denominações, de ligas internacionais de igrejas e de hierarquias que ligam e até governam milhares de igrejas locais. Isso tudo são invenções do homem. Mas também não significa que seja um pecado. A organização institucional da igreja pode e deve ser uma benção, na medida em que suas ações estejam sustentadas sobre os pilares da humildade e do amor ao evangelho.

No Novo Testamento, os cristãos serviam juntos em congregações locais. Eles eram gratos pelos seus irmãos em outros lugares. Eles se reuniam em locais próprios. Na maior parte das vezes em residências, não por exigência de Deus, mas por força das proibições oficiais que não lhes davam a liberdade de estabelecerem um local específico de culto. Ainda assim, descobertas arqueológicas recentes na Turquia e na Síria apontam para a existência de pequenos templos subterrâneos datados ainda do primeiro século, provando que a primeira geração de cristãos não rompeu com a prática judaica do culto na sinagoga. Ou seja, eles consideravam legítimo o desejo de estabelecer um local, um prédio ou um templo (como queiram) para o culto cristão.

Conforme se espalharam pelo mundo, partindo de Jerusalém, cada cristão levou o evangelho a outras pessoas. A semente (Lucas 8:11) foi plantada e produziu fruto (Lucas 8:15;  1 Coríntios 3:7). Estes novos discípulos começaram a adorar e a trabalhar juntos no serviço de Deus (Atos 2:44;  16:40). Em cada cidade onde homens e mulheres obedeciam ao evangelho, as igrejas eram formadas (Atos 14:21-23). As igrejas se reuniam regularmente para participar da Ceia do Senhor (Atos 20:7;  1 Coríntios 11:20-34), para servir a Deus e edificarem uns aos outros (1 Coríntios 14:26; Hebreus 10:23-25). Os membros destas igrejas locais contribuíam voluntariamente para a obra que Deus incumbiu à congregação (1 Coríntios 16:1-2;  2 Coríntios 9:7).

Não há, portanto, nenhum pecado em erguermos templos em nossos dias, desde que estes ambientes se proponham ao mesmo objetivo dos primeiros cristãos. O pecado está na motivação, na finalidade e não no local. Jesus condenou os vendilhões no templo. Ele não condenou a existência do templo.

Quando eu defendo a existência de templos cristãos, que ninguém entenda que eu esteja fazendo apologia a empresas religiosas. Numa era quando muitas igrejas se assemelham a corporações multinacionais, o plano simples de Deus de organização de igreja parece mesmo impensável. Em verdade, biblicamente, ninguém precisa de permissão de nenhuma diocese ou convenção para reunir-se e cultuar a Deus. Não precisam filiar-se a nenhuma denominação ou liga de igrejas. Não precisam esperar que algum corpo eclesiástico lhes envie um padre ou pastor. Nada disso é obrigatório. Eles precisam antes de tudo, possuir um inabalável respeito à Palavra de Deus, e uma determinação a fazer tudo o que Ele exige, e nada do que Ele não autorizou. Como pastor, membro de uma igreja institucionalizada e legalmente registrada com um CNPJ, pois é isso que tira uma organização da clandestinidade e a insere nas leis vigentes de um país (coisa que a Palavra nos recomenda), quero dizer que não condeno e nem vejo com maus olhos os que preferem reunir-se em casas para adorar e aprender de Deus. Esta é uma decisão livre, que não salva e nem condena ninguém. Minha crítica dura e sincera fica para aqueles que de forma arrogante lançam pedras e condenações aos que também livremente preferem congregar-se de forma institucionalizada. Jesus afirmou claramente – eu repito - que onde dois ou três estiverem reunidos em Seu Nome, ali Ele estará. Ele também disse à mulher samaritana que não há endereço físico obrigatório para se adorar a Deus. Logo, erram todos aqueles que ensinam a obrigatoriedade do templo, como também erram os que negam o direito de existência do templo. Jesus estará onde houver corações sinceros que o adorem e esta verdade não come nas mãos monopolizadas pelos igrejados e nem pelos gritos preconceituosos e cheios de ódio dos desigrejados. O modelo primitivo não é a presença ou a ausência de um prédio. O modelo primitivo é o amor entre os domésticos da fé.

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