sábado, 7 de janeiro de 2017

SÓ A BÍBLIA PODE CURAR-NOS DO RACISMO



Recentemente li uma matéria na internet, que me chamou especial atenção e me fez refletir com profundidade. A Unipalmares (Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, SP), instituição de ensino superior para afrodescendentes da América do Sul, formou sua primeira turma composta de 120 estudantes do curso de Administração de empresas. Essa grande festa que ocorreu em 14 de março de 2008, contou com a presença do presidente Lula, alguns ministros, políticos e vários representantes de instituições.

A ideia de uma universidade para negros nasceu da iniciativa de estudantes da Escola de Sociologia e Política de São Paulo com o objetivo de encontrar formas de promover a inclusão do negro na sociedade.


Numa entrevista que antecedeu a formatura, o reitor José Vicente fez a seguinte e impactante afirmação: “...não existem raças. Discriminação se houver, é a discriminação social - reflexo do cruel patrimonialismo, do classismo e do autoritarismo estruturantes do caráter nacional, que atinge todos os pobres invariavelmente. Infelizmente e curiosamente-, os negros são a sua maioria e, logo, vítimas preferenciais da exclusão. Esse é o motor da discriminação e o responsável por sua não-presença e não-participação na vida social, política, econômica e cultural, na esfera governamental, no ensino superior e no ambiente corporativo. Terminada a pobreza, estará terminada a discriminação. Fora disso, estaremos diante de terrível segregação racial, da difusão do ódio racial, do racismo às avessas, do desejo inconfesso e irresponsável de incendiar o país, transformando-o de multirracial em uma nação de brancos e negros”.

Mas será mesmo que terminada a pobreza, estará também terminada a discriminação? Tenho minhas reservas.
Se a discriminação desaparecesse junto com a pobreza seria muito bom. Mas isso não acontece porque, embora haja uma relação de causa e efeito, ela é inconsistente e incompleta. O comportamento discriminatório cujas raízes são bem mais profundas extrapola a esfera econômica. Vejamos, por exemplo, a discriminação sofrida pelos judeus na Alemanha nazista. Os semitas, tanto ricos como pobres, foram sistematicamente excluídos da sociedade e levados aos campos de concentração. A Noite dos Cristais (1938) foi o evento que marcou a abertura do caminho que levou à destruição de comunidades inteiras na Europa e à morte de seis milhões de pessoas - pelo simples fato de serem judeus.

Qual seria então a base correta sobre a qual se ergue o muro da discriminação racial? Para descobrirmos isso temos que olhar para os primórdios da humanidade. É na Bíblia que ficamos sabendo que o homem foi criado perfeito, mas ele se envolveu em lodaçais deformações de caráter. Adão e Eva foram os protagonistas que deram inicio ao drama que se desenrolou desde então.

As Escrituras tencionam que aceitemos a historicidade de Adão e Eva como o casal humano inicial. Para reforçar essa ideia, as genealogias bíblicas traçam a raça humana até Adão. Jesus mesmo ensinou que “no principio, o Criador os fez homem e mulher” (Mateus 19) e depois instituiu o casamento. 

Paulo disse aos filósofos atenienses que Deus criara todas as nações de “um só” (Atos 17) e apresentou uma analogia entre Adão e Cristo, a qual, para sua validação, dependia igualmente da historicidade de ambos. Ele afirmou que a desobediência de Adão trouxe a condenação para todos, como a obediência de Cristo trouxe a liberdade a todos (Romanos 15).

De posse do relato de Gênesis, afirmamos que todos os seres humanos compartilham da mesma anatomia, fisiologia e química, bem como os mesmos genes. Essa homogeneidade indica que se fosse possível um finlandês e um sul-africano rastrear seus antepassados, encontrariam o mesmo “avô” em algum ponto da história e todos os “avôs” se encontrariam em Adão e Eva.

De acordo com a Bíblia, a nossa origem e futuro apontam para a unidade da raça humana. João, o discípulo amado de Jesus, teve a visão do dia em que todos estarão diante do Senhor e exclamou: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro (Apocalipse 7.9)”. Não há o mínimo indício de distinção étnico-racial nessa declaração.

Isso significa que todos nós, de qualquer raça ou posição, de qualquer credo, cor ou cultura, temos o mesmo Criador que fez todas as nações de um só homem: temos o mesmo Deus que está próximo e tem a intenção de que o busquemos e o encontremos; temos o mesmo doador da vida, o qual nos sustém; e temos o mesmo juiz, que nos irá chamar, no fim, a lhe dizermos o que fizemos da vida.

Chegamos então a questão central: Se tanto as Escrituras como a ciência atestam a unidade da raça humana, como explicar a discriminação? A resposta está no pecado, que é a centralização do ego em detrimento dos seus semelhantes.

Por isso nenhum homem é totalmente livre de alguma mancha de orgulho racial, pois nenhum homem é livre do pecado. Um senso de superioridade racial é natural para todos nós, mesmo implicitamente. Além disso, há o racismo negro, bem como o branco.

Todos assumem que sua própria raça e cor são a norma, e que as demais fogem ao aceitável. Isso é simplesmente o egocentrismo do pecado. Algo que vem de dentro e que não tem explicação sociológica, filosófica ou racional. Em todo mundo há exemplos de crueldades praticadas sob a motivação do ódio racial.

Mas a verdadeira norma é a humanidade: as raças são variantes disso. Isso significa que todas as formas de racismo são um equívoco. Todas são uma ofensa ao Deus da Criação e da História, o Deus da natureza e do julgamento.

Concluímos, pois, que só a verdadeira teologia, a revelação bíblica de Deus, pode livrar-nos do orgulho e do preconceito racial. Quando entendemos que em Cristo somos novas criaturas, podemos olhar nossos semelhantes como feitos à imagem e semelhança de Deus e, portanto, intrinsecamente valiosos, independente de posição social ou raça.

Pr. Reinaldo Ribeiro 

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