domingo, 25 de dezembro de 2016

PRÉ MILENISMO. REAFIRMANDO O ARREBATAMENTO DA IGREJA


De uma forma bem resumida, podemos afirmar que a crença no Arrebatamento da Igreja tem relação com três correntes escatológicas, cuja linha teológica se resume da seguinte forma:

TEORIAS SOBRE O MILÊNIO:
Amilenista:
Significado: A Segunda vinda de Cristo se dará no fim da época da igreja e não existe um Milênio na Terra.
Estritamente falando, os amilenistas creem que a presente condição dos justos no céu é o Milênio, e que não há ou haverá um Milênio terrestre.
Ordem dos acontecimentos: A Era da Igreja terminará num tempo de convulsão, Cristo voltará, haverá ressurreição e juízo gerais e a eternidade.
Método de interpretação: A interpretação amilenista espiritualiza as promessas feitas a Israel como nação, dizendo que são cumpridas na Igreja. De acordo com esse ponto de vista, Apocalipse 20 descreve a cena das almas nos céus durante o período entre a 1ª e a 2ª vinda de Cristo. Para esta teoria só haverá uma volta de Cristo à Terra, que se dará no fim de tudo e para fins de julgamento. A Igreja não será arrebatada e passará pela grande tribulação.

Pós-milenista:
Significado: A segunda vinda de Cristo se dará depois do milênio.
Ordem dos acontecimentos: A parte final da Era da Igreja (os últimos mil anos) é o Milênio, que será uma época de paz e abundância promovida pelos esforços da igreja. Depois disso, Cristo virá, haverá a ressurreição e depois o juízo e a eternidade.
Método de interpretação: amplamente espiritualizada no que tange a profecia. Apocalipse 20, todavia, será cumprido num reino terreno, estabelecido pelos esforços da igreja. Para estes não haverá arrebatamento e a Igreja passará pela grande tribulação.

Pré-milenista:
Significado: A segunda vinda de Cristo será antes do milênio.
Ordem dos acontecimentos: A Era da Igreja termina no tempo da Tribulação, Cristo volta à Terra, estabelece e dirige seu reino por 1000 anos, ocorrem a ressurreição e o juízo dos não-salvos, e depois vem a eternidade.
Método de interpretação: segue o método de interpretação normal, literal, histórico-gramatical. Apocalipse 20 é literal.
A questão do arrebatamento: não há unanimidade quanto ao tempo em que vai ocorrer o arrebatamento.
Podem ser divididos em:
pré-tribulacionista (antes da tribulação);
pós-tribulacionista (arrebatamento após a tribulação);
meso-tribulacionista (arrebatamento no meio da tribulação);


Nós da Igreja Cristã Protestante abraçamos a corrente Pré-Milenista Pré-Tribulacionista, pois cremos no arrebatamento da Igreja antes da inauguração oficial da grande tribulação sobre a face da Terra. Somos, portantro, Dispensacionalistas e não Aliancistas.

Por que somos Dispensacionalistas e não Aliancistas?

O Dispensacionalismo e a Teologia da Substituição (Aliancismo) não são compatíveis. Atualmente, muitos cristãos defendem o ponto de vista da Teologia da Substituição, que tira a ênfase das profecias e da Escatologia em favor da promoção da harmonia teológica e da solução de problemas pessoais, nacionais e globais observados. Embora amemos nossos irmãos em Cristo, devemos também seguir e sustentar a verdade e a doutrina correta.
É extremamente importante entender por que a Teologia da Substituição é inadequada e por que o Dispensacionalismo fornece o ponto de vista correto. O Dispensacionalismo oferece o melhor entendimento da Palavra de Deus e de Seu plano para Sua criação porque apresenta uma Hermenêutica superior, uma harmonização das Escrituras superior e uma historiografia também superior.

Evidências de um Arrebatamento Pré-Tribulacional

1 – Promessa de livramento da Ira de Deus
A Grande Tribulação é também chamada de  “O Dia da Ira do Senhor”.
“O Dia da Ira do Senhor” vai chegar para o mundo inteiro (Sl 110:5; Is 13:6-13 e Ap. 6:16-17). Os cristãos sempre foram sujeitos às perseguições, porém será diferente na Grande Tribulação. As perseguições são causadas por homens maus e pelo diabo, enquanto que na Grande Tribulação de sete anos será um período referente à ira divina. (Ap. 6:16-17; 14:10).
Alguns acreditam que a Igreja (todos os cristãos que formam a Noiva de Cristo) não será poupada no tempo da Ira, mas será salva através da mesma. Porém a Bíblia revela que os que estiverem na Terra durante a Grande Tribulação não escaparão da Ira:
"Pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão". (I Ts 5:3)
A Bíblia promete o livramento da presença da Ira:
“Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem” (Lucas 21:36).
Dessa forma, a Igreja deverá ser, fisicamente, removida da Terra, caso contrário, teria que suportar o dia da Ira. Deus promete a remoção em Apocalipse 3:10:
“Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”.
Este verso não diz que Deus vai guardar a Igreja através da provação, mas livrá-la dela.

2 – O Arrebatamento é iminente
Qual é a definição bíblica de iminência?  Um acontecimento iminente é aquele que está sempre "pairando acima de alguém, constantemente prestes a vir sobre ou a alcançar alguém; próximo quanto à sua ocorrência" (Dr. Renald Showers – The Oxford English Dictionary, 1901, V. 66).
Assim, a iminência traz consigo o sentido de que algo pode acontecer a qualquer momento. Outras coisas podem acontecer antes do evento iminente, mas nada precisa acontecer antes que ele aconteça. Se alguma coisa precisa acontecer antes de determinado evento ocorrer, tal evento não é iminente. Em outras palavras, a necessidade de que algo ocorra antes destrói o conceito de iminência.
Cristo ensinou isto em Mt 24:42, 44; 25:13 e Mc 13:30.
Paulo ensinou isto em Fl 4:5 (“Perto está o Senhor”); Tt 2:13.
Tiago ensinou em Tg 5:8-9.
Pedro ensinou na 1 Pe 4:7.
A Igreja primitiva vivia na expectativa da volta de Cristo (1 Tes. 1:9-10). O apóstolo Paulo assim instruiu a igreja em Tessalônica:
“MAS, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (I Ts. 5:1-9).
A igreja não está aguardando o aparecimento do Anticristo, mas a volta do Filho de Deus.

3 – Igreja, mistério não revelado no Velho Testamento (Ef 3:1-11)
A Igreja não faz parte da cronologia dos eventos narrados pelos profetas do Velho Testamento. Eles profetizaram claramente a Primeira Vinda de Cristo, o Seu miraculoso nascimento, Sua vida, morte, ressurreição e ascensão. Os mesmos profetas descreveram a Segunda Vinda de Cristo em glória, precedida por um tempo de tribulação mundial, seguida pelo estabelecimento do glorioso reino messiânico, a partir de Jerusalém. Porém, esses profetas não viram o mistério da Igreja:
“O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” (Efésios 3:5).
Entre a Primeira e a Segunda Vindas, existe um intervalo que não foi visto pelos profetas do Velho Testamento. Este intervalo é a 'Era da Igreja'. Os profetas do VT não viram que Israel seria deixada, temporariamente, em compasso de espera, enquanto Deus iria chamar, entre todas as nações, um corpo especial de pessoas. Após ter completado este intento, e quando o tempo dos gentios chegar ao fim, Deus vai restaurar o relógio profético de Israel e cumprir todas as promessas do Velho Testamento em relação à Sua antiga nação escolhida, pois:
“…o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. (Rm 11:25).
A Grande Tribulação diz respeito a Israel, não à Igreja. Este período atual do mistério vai terminar com a remoção da Igreja da Terra. Então, o Senhor executará o Seu plano para a nação de Israel, quando cumprirá as profecias do Velho Testamento sobre o tempo das dores de Jacó, a vinda do Messias e o estabelecimento do reino messiânico.

4 – O Apocalipse mostra que a Igreja não estará na Terra durante a Grande Tribulação
· A igreja não é vista na Terra nos capítulos 4 a 18 do Apocalipse.

· Israel será a testemunha de Deus durante a Grande Tribulação e não a Igreja. (Apocalipse 7).
· As orações dos santos em Apocalipse 8 são de julgamento. Somente Israel faz orações deste tipo. A Igreja é ensinada a orar pelos seus inimigos e não contra eles (Lc 9:51-56). As orações do Apocalipse são as orações dos Salmos, embasadas nas promessas feitas a Abraão, de amaldiçoar os que amaldiçoassem Israel (Gn 12:1-3).

· Os gafanhotos com poder de escorpiões do Apocalipse 9 receberam permissão para atormentar os habitantes da Terra, exceto os judeus que tiverem na testa o sinal de Deus, colocado pelo anjo do Apocalipse 7. Se a Igreja estivesse na Terra estaria sujeita a este horrendo castigo de Deus.

· Apocalipse 10 identifica os eventos de Apocalipse 4 a 18 com os eventos profetizados pelos profetas do Velho Testamento – os dias da Grande Tribulação e o Dia do Senhor. A Igreja nunca esteve na visão destas profecias do Velho Testamento, pois era um mistério oculto. A Igreja tem um propósito e um programa diferentes da nação de Israel. Esta nação é que está focalizada nas profecias do Velho Testamento e em Apocalipse de 4 a 18.

· O ministério das duas testemunhas de Apocalipse 11 identifica-as com a nação de Israel e com as profecias do Velho Testamento sobre o “Dia do Senhor”. Estas duas testemunhas ministrarão em Jerusalém, a capital de Israel. A Igreja não tem Jerusalém como capital; sua cidade é celestial, não terrena (Cl 3:1-4; Fl 3:17-21). As duas testemunhas estão vestidas de pano de saco, o que é típico de Israel. Em parte nenhuma, a Igrejas se veste de pano de saco.  Apocalipse 11:4 identifica as duas testemunhas com a profecia do Velho Testamento, Zacarias 4:3, 11, 14 (As duas Oliveiras) se refere a Israel, não à igreja. Além disso, as duas testemunhas invocam julgamento sobre os inimigos (Apocalipse 10:5-6). Jesus repreendeu os Seus discípulos por desejarem isto e instruiu os crentes da Igreja no sentido de que deviam orar pelo bem-estar dos seus inimigos, não pela sua destruição. (Lucas 9:54-56; Romanos 12:14; 17-21).

· O diabo persegue Israel, não a igreja, durante a Tribulação (Apocalipse 12). Não pode haver dúvida alguma de que a mulher neste capítulo é identificada como a nação de Israel. O verso 5 mostra uma mulher dando à luz Cristo; é óbvio que Jesus foi dado à luz por Israel, não pela igreja(Isaías 9:6-7; Romanos 9:5). Além disso, os símbolos de Apocalipse 12:1-2 lembram a familiar tipologia de Israel no VT, onde Israel é apresentada como uma mulher (Isaías 54:4-5). O sol, a luz e as doze estrelas lembram o sonho de José relativo a Israel (Gênesis 37:9). As palavras de Apocalipse 12:2 são quase uma exata citação de Miquéias 5:3, referindo-se ao trabalho de parto, que deu à luz o Messias. Estes símbolos não são usados nas Igrejas do Novo Testamento.

5 – A Purificação de Israel
A maioria das profecias sobre o Período da Tribulação encontra-se no Antigo Testamento e, portanto, é claramente destinada a Israel.
O Período da Tribulação objetiva fazer a purificação (ver Apocalipse 7:9 e 14:4) e preparar a conversão nacional de Israel (comparar com Ezequiel 20:37-38; Zacarias 13:1,8-9).  Até mesmo esse mais terrível de todos os tempos será usado por Deus para o bem final, e levará a história em direção ao fim que Ele planejou.  Apesar de todos os horrores desse tempo terrível, o objetivo é claro que ele levará ao livramento:
"Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela." (Jr 30:7).

6 – Casamento Judaico e a Igreja
Os paralelos entre o costume hebraico do casamento e o arrebatamento da igreja são inegáveis! A Noiva (a Igreja) deve esperar a vinda do Noivo (Jesus Cristo) na casa de seu pai (este mundo, controlado por Satanás). Quando o Noivo volta após um período de separação de dois anos (2.000 anos?), a Noiva é levada para a casa do Pai do Noivo (a casa do Pai Celestial) onde ocorre a cerimônia de casamento. A lua-de-mel na nova casa (as "moradas" de João 14:2) dura sete dias (corresponde aos sete anos do Período da Tribulação aqui na Terra).

7 - A Importância do Arrebatamento Pré-Tribulacional
Cristo, Paulo, João e Pedro ensinaram que a volta de Jesus seria iminente e deveria ser esperada a qualquer momento (Mt 24:44; Fl 4:5; Tg 5:8-9 e 1 Pe 4:7). Os cristãos primitivos viveram na expectativa da volta de Cristo como um cumprimento literal das profecias:
“Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1 Tes. 1:9-10).
A doutrina de um Arrebatamento Pré-Tribulacional motiva à purificação da vida pessoal do cristão:

· Ela encoraja o crente nas tribulações e perseguições: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras (1 Tes. 4:17-18).

· Ela coloca o foco da igreja na Grande Comissão (Mt 28:18-20; Mc 16:15; At 1:8). Ela nos ensina a pregar o evangelho, a ganhar pessoas para Cristo e a estabelecer igrejas, pois “a igreja do Deus vivo [é] a coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3:15), como o assunto mais urgente. D. L. Moddy estava certo quando disse: “Vejo este mundo como um barco destruído. Deus me deu um bote salva-vidas e me disse: ‘Moody, salve tantos quantos você puder’”.
· Ela nos motiva a trabalhar na obra do Senhor (1 Co 15:58).
· Ela nos motiva a uma vida obediente (1 Tes 5:4-7; 1 Jo 3:1-3).
· Ela nos motiva a nos separarmos do mal (Tt 2:13-14).
· Ela mantém os crentes longe da heresia e da apostasia (2 Tm 4:3-4 e 1 Jo 2:24-28).

Conclusão

Essa é a fundamentação teológica e o posicionamento oficial nosso e da Igreja Cristã Protestante acerca do Milênio e do Arrebatamento da Igreja. Entendemos que os temas aqui abordados não são cruciais para a salvação do cristão e, portanto, não afetam nosso elo maior de respeito, amor e consideração por nossos irmãos e pelas igrejas que pensam de outra maneira. Em havendo qualquer dúvida ou lacuna que porventura não tenhamos conseguido aqui elucidar, deixamos democraticamente aberto este espaço para o debate civilizado, edificante e construtivo sobre a questão. Que Deus nos abençoe, em Cristo Jesus! 

Pr. Reinaldo Ribeiro 

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